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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Novos rumos: de onde venho e para onde vou?


Um pouco antes da pandemia se tornar o que se tornou, eu já havia comentado por aqui em janeiro de 2020 que estava difícil "criar" qualquer coisa... Muito desânimo, o mundo nessa pulsão de morte, que só se agravou com esse caos sanitário. Fiquei mais de um ano sem rabiscar coisa alguma que tivesse forma definida. Nos meses finais do ano passado até aconteceram muitos testes de cores, depois de montar uma coleção de marcas de lápis de cor nacionais para tentar encontra a melhor e mais barata, mas... Mesmo assim, nada significativo.

Então é bom ver que meu Instagram já tem (sem ironia) quatro rabisquinhos novos em 2021 -- e que trazem uma série de coisas animadoras para pensar... Por mais que eu ainda sofra para fazer olhos nivelados, simétricos e tridimensionais. Dá vontade de voltar ao começo, fazer uns exercícios a lápis grafite para retomar luz, sombra e a capacidade de fazer um sombreado com degrade de verdade; dá vontade de despirocar e fazer retratos doidos de qualquer jeito, dá vontade de retomar o lápis de cor, com mais vontade. O importante disso tudo é o "Dá vontade"; porque a vontade havia ido passear bem longe e ainda não havia retornado.

O que fica para o blog?

Nessa história de que é a vontade que move o mundo e os ânimos pessoais, não vejo muito sentido em ficar falando dos meus rabisquinhos como se houvesse grandes intenções e pensamentos por trás de cada um. Primeiro, porque não há: rabiscos, sketchs, desenhos despretensiosos -- não importa o nome que você prefira -- não deveriam ser tema para discussão, mas elementos de formação de pilha. Nós juntamos uns 100 e aí, talvez, tenhamos algum aprendizado para compartilhar que valha a pena. Durante esse tempo parada eu vi muito adolescente desenhando muito melhor do que eu já consegui um dia... Mas também, vi muito adolescente que já desenhou mais em um mês do que eu em um ano, então... Não tem muito como reclamar. 

Por conta de tudo isso, o resumo é: vou parar de perturbar vocês falando sobre os meus rabisquinhos, até porque eles têm um lar mais ou menos regular no Instagram (@cilla.sketchblock), onde em uma ou duas linhas eu digo tudo o que precisa ser dito sobre cada um deles. De tempos em tempos posso até dar um apanhado geral, falar para onde eles estão me levando, mas é isso -- no máximo, uma postagem semanal sobre os rumos da prática.

Nas demais publicações, vou focar mais no que me trouxe até aqui: postagens sobre aprender a desenhar, praticar, materiais... Coisas que possam auxiliar na criatividade de quem me segue e me visita -- Por que tem uma hora que, vendo tanto aquilo que você gosta, inevitavelmente você começa a se mexer. 

Então vamos nos mexer juntos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Ferrugem

Ok. Comecei a primeira página do Sketchbook novo... Quase meia noite, mesmo assim calor infernal, mão suando e eu fazendo de tudo pra não acabar com o papel... Fiz o rascunho a lápis, depois quis definir melhor com meu Prismacolor Color-ase lavanda... Não deu certo fui pro Azul... Não deu certo fui pro vermelho... Não deu certo voltei pro grafite -- e aí você tem essa coisa a amarronzada que em resumo... Não deu certo.

Como a ideia esse ano não é arremessar o sketchbook longe cada vez que eu ficar insatisfeita e demorar meses pra voltar, o meu "bom comprometimento" (estou tentando, rs), diz que eu devo aprender com essa situação. Então vamos lá, o que eu aprendi com essa situação?

Primeiro: muita atenção a sua referência -- para lhe fazer justiça. Embora essa tenha me ajudado a fazer um rosto um pouco mais realista, eu não fiz justiça a referência e acabei desenhando "outra pessoa". Acho que isso é ok quando você está buscando referências para "inspiração", mas não quando você está tentando praticar precisão.

Tamanho importa. Como eu disse anteriormente, faz bastante tempo que eu não desenho regularmente -- então é claro que suas habilidades "retrocedem". E acho que a principal coisa que retrocede é a sua capacidade de "simplificação". Por exemplo: quando você está acostumado a desenhar rostos em formato A4, A3, você precisa estar atento aos detalhes das características faciais por exemplo... E no tamanho grande é mais fácil fazer isso. Quando você está "desenvolto" e vai desenhar menor, você consegue simplificar melhor. Quando você perdeu desenvoltura -- como parece ser o meu caso -- você tenta colocar muito detalhe num espaço muito pequeno (meu sketchbook atual é A5) e as coisas ficam borradas. Então ou eu começo a praticar "grande" de novo, ou utilizo esse sketchbook menor para fazer "detalhes maiores".

Se atenha a uma técnica para que você possa dominá-la -- não para que ela te domine. Assumo minha culpa: eu adoro assistir "Sketchbook Tours" no YouTube. Aí você vê aqueles sketchbooks que parecem uma explosão de cores, e quer fazer igual... E às vezes se dá mal como eu. Acho que se você vai usar seu tempo criativo pra produção de Sketchs, não tem problema misturar várias técnicas (ainda estou devendo um post sobre a diferença entre Sketch, Desenho e Ilustração). Mas se você está esperando melhorar em algo, não dá pra treinar assunto, técnica, composição e o diabo a quatro ao mesmo tempo. Tenho que ser mais comedida e aceitar voltar ao bom, velho e simples grafite por um tempo.

A maior dificuldade em continuar, são exatamente esses dias nos quais você se dedica, e o resultado é "Meh". Não dá pra mostrar pra ninguém e dizer "olha que bonito que eu fiz" -- não dá nem para dizer isso para si mesma e ganhar um tapinha nas costas. Vou assumir que é mais um tijolo no muro, e virar a página para o próximo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Contracapa e Contratempos

Não vou abusar do tamanho da imagem nesse post, porque não está grande coisa (sem ironia pretendida, rs). Sabendo que é difícil "começar" a primeira  página de um sketchbook, eu resolvi abusar dessa vez e começar pela contracapa -- tirar esse "sentimento de pureza" que todo caderno novo tem, com todas aquelas páginas em branco. E é incrível como meia dúzia de rabiscos são capazes de fazer você repensar a vida, o universo e tudo mais.

Fica claro porque eu acho que os desenhos inspirados em Zentangle são tão reconfortantes: eles nunca dão errado. Eles podem até não ser magníficos, fazer as pessoas exclamarem "puxa vida, nunca vi nada tão maravilhoso em toda minha vida!" (especialmente quando se é como eu, e se tem um "dom" pra não deixar contrastes suficientes), mas eles sempre "dão certo". Exatamente porque cada um é único, e não há base pra comparação, eles simplesmente são aquilo, e não há muito o que você possa reclamar ou dizer "bem, não era bem isso que eu estava esperando", até porque você não estava esperando nada sem ser preencher toda a página. Mas basta colocar "uma cabecinha" no mix pra você relembrar algumas coisas:
  1. Como se está enferrujada.
  2. Não era bem isso que você esperava.
  3. "Ai, saudades das minhas aulas regulares" -- e de ter verba destinada pra escolhe-las.
E aqui entram as minhas principais críticas a sketchbooks e porque eu vou tentar algumas coisas diferentes (de verdade) dessa vez. 

Não vou lembrar em qual vídeo sobre aprendizagem/treinamento/motivação eu ouvi isso recentemente, mas fez todo o sentido. O especialista dizia que "Practice don't make it perfect, it makes permanent" -- ou "A prática não traz perfeição, mas permanência". Ou seja, praticar errado não vai fazer você começar a fazer certo, mas fazer com que você internalize e repita para sempre os erros. É isso que eu sinto com essas cabecinhas desenhadas. Se eu olhar as cabecinhas desenhadas nos últimos 5 anos, nas mesmas condições (sem referências ou com referências ruins, finalizadas a nanquim quando a estrutura não estava pensada pra isso etc.), não há muito ganho em qualidade, e elas parecem sempre a mesma coisa -- o que é algo diferente do que, por exemplo, quando eu trabalho com referências melhores em um material que eu tenho melhor domínio. Por exemplo:

E pode ser uma coisa minha com "sketchbooks" ou mesmo da maneira como eu aprendi o que foi possível -- e aí os cursos que eu fiz tem um bom papel nisso -- mas eu não acho que sketchbooks sejam o melhor lugar para esse tipo de prática.

Existe algo realmente "liberador" em gastar pilhas de papel de impressão (sim, estou falando com você Chamequinho) em desenhos que não estão sendo feitos pra posteridade mas para realmente aprender algumas coisas. Para mim, sketchbooks ficam na zona intermediária entre o aprendizado por repetição e a produção de "peças finais", então são melhores quando você vai repetir algo que já está estabelecido na sua cabeça ao invés de explorar algo que não se está confiante ainda. Faz sentido? Não sei -- mas sei que isso é muito do que me faz não ser tão "prolífica" quando eu gostaria, exatamente pq não tem espaço físico (de tamanho mesmo, pq eu gosto de ter do A4 pra cima pra aprender) e dá a qualquer coisa mais permanência do que ás vezes eu gostaria. Resumindo, sketchboosk pra mim é pra "pré-obras", não tanto para estudo. E eu decidi que esse ano não vou lutar contra isso -- vou usar mais folhas soltas que eu possa amassar e jogar fora se não der certo, sem muito peso na consciência.

A próxima coisa, que eu vou considerar um pouco antes de me comprometer com um caminho é escolher um dos livros de desenho pra ser o companheiro de prática. Fico sempre tentando escolher o "livro ideal", baseado naquilo que eu gostaria mais de aprender no momento, mas o livro "ideal" não existe e eu acabo não usando nenhum. Acho que agora eu vou escolher um nem que seja para ter uma figura de autoridade contra a qual me rebelar, rs. Vou tentar escolher um até o final da semana, mais de volta ao básico: lápis no papel, e sem muitas técnicas ainda. Vamos ver!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Começando Janeiro

Depois de uma longa temporada vivendo exclusivamente dentro da minha cabeça, consegui fazer "um rabisquinho" nesse final de semana, ainda nas terras do "Zentangle" -- não é o tipo de coisa que agrada muito nos "Instagrams da vida" como eu teho comprovado, mas é algo que controla um pouco o estresse. Se eu posso dar uma dica, seria apenas fazer esse tipo de coisa sempre em folha boa -- esse aí foi feito em um caderno de desenho mais "pobrinho" -- desses de cartografia que vendem em todas papelarias -- e a tinta vazou por mais umas duas folhas, rsrs. E olha que eu estava usando canetas hidrográficas bem calminhas, nada de marcador permanente.

Tenho passado uns dias bem "deprê" com relação a tudo criativo. Eu imagino que a batalha pra se manter produzindo qualquer coisa criativa é diferente para cada uma das pessoas mas, a minha ainda é "Por quê?". Com 39 anos, cada vez eu me preocupo mais que vou morrer sem ter conseguido responder essa pergunta. Por que gastar tempo fazendo esse tipo de coisa? Por que essa "vontade" de estar envolvida com algo desse tipo nunca me deixa? Por que fazer esse tipo de coisa com tanta coisa de casa pra fazer, conta pra pagar e isso nem de longe ajuda em algo desse tipo? Por que criar qualquer coisa nesses anos "trevosos" que nos encontramos em diversos aspectos?

Há algum tempo, conversando com uma amiga, nós discutíamos que o mundo está em uma pulsão de morte (Tânato), e que, na atual circunstância se você não se envolve ativamente na criação de algo, acaba se deixando levar por esses "humores" do mundo, quando vê está sem esperança, deprimido, ansioso. É assim que eu me sinto na maior parte do tempo, então TALVEZ o único porque que realmente importe no momento, seja esse. Trazer ao mundo algo minimamente esteticamente agradável, e atrasar, mesmo que seja em alguns segundos, o relógio da própria destruição.

Questionamentos sombrios por um rabisquinho não é? Provavelmente -- mas é como diz a minha biografia do Instagram: "Riscando páginas pra marcar a vida". Nem que seja para garantir que, por hora, ainda estamos aqui.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Rascunhos em Rosa...

Mais uma cabeça para a coleção de cabeças.
Segunda coisa mais rabiscada depois de cabeças.

Faz um bom tempo que eu fiz esses dois -- o primeiro, no caderninho de rascunho que eu comprei na Miniso (não vou chamar de sketchbook, já que o papel briga com lápis de desenho, rs) e o segundo foi a divisória inicial do meu Bullet Journal que acabou de acabar...

Estou meio distante de qualquer tipo de sketch. Primeiro por conta do Blog novo (o Omni Journal Brasil, onde eu falo de cadernos e journaling -- mais em breve), depois pelos freelas ganha pão e terceiro... Desânimo.

Gosto muito de fazer esses rabisquinhos -- tanto que toda vez que começo a ficar mais produtiva neles começo a me questionar por que não estou fazendo mais deles (boletos? Obrigações? Tudo um pouco?) e digamos que "esse sorriso vai ser mau pros negócios", como diria a Satine em Moulin Rouge (puxei do baú agora, não?).

Vou assumir o modo "meio deprê pós apocalíptico" para dizer uma coisa: às vezes eu fico pensando que quando eu ficar mais velha -- se eu chegar a tanto -- eu vou passar o fina dos meus dias lamentando não ter feito mais isso. Eu não gostaria dessa sensação para mais ninguém. Então se for o seu caso, corre para o seu caderno e desenha.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Is there anyone in home?

Tudo que vocês perderam no Instagram -- não foi grande coisa.
Quase um ano fora! Alguém sentiu a minha falta? Não faz mal... Estou de volta desse lugar confortavelmente entorpecido da falta de postagens... A verdade? Eu não sabia o que escrever, e não estava fazendo um único rabisquinho para compartilhar. É difícil falar sobre criatividade no cotidiano quando não se está criando nada.

Para mim, sempre foi muito claro o meu principal foco por aqui: falar com quem quer começar ou continuar a desenhar, depois dos 30, cambaleando todas as obrigações com isso -- se você não está nessa faixa, não tem problema, mas saiba que meu foco não está em como monetizar a atividade artística, nem como fazer uma carreira disso. Eu queria apenas um espaço seguro para as pessoas encararem isso como hobby. Mas no último ano ficou claro pra mim: brasileiros não tem hobbies.

Não é nenhuma característica exclusivamente cultural. É o resultado da vida -- quando as contas não fecham com o emprego formal (ou principal, melhor dizer assim), é natural que qualquer coisa realizada de apoio seja pensada pra criar uma renda extra. Então falta, além de tempo, dinheiro para investir num hobby. Além disso, existem algumas definições "acadêmicas" que são necessárias para um hobby: a busca de maestria, a regularidade. Fazer algo esporádico e sem critérios não é um hobbie -- é uma atividade de lazer. Nada errado com isso, mas é difícil "falar a sério" sobre uma diversão esporádica.

E eu sinceramente não sei se existe por aí muita gente que queira o mesmo que eu com o desenho... Não sei nem se dá pra encher um Uber compartilhado com elas. Eu vejo o pessoal que se reúne nos finais de semana pra comer umas guloseimas e desenhar em cafés e casas de chá nos encontros da Sketchbook Skool na Europa e Estados Unidos e dá uma invejinha... Da atividade, e de viver num lugar em que você pode ficar sentado duas horas desenhando com um pedaço de bolo e café na mesa sem que alguém lhe jogue olhares tortos de "vai liberar a mesa ou não". Sinto que a gente vive num lugar que não é muito afeito para a socialização...

Há alguns meses, pensei em montar um sketchponto... Cheguei a pensar em convidar algumas amigas pra levar os cadernos, os materiais, sentar e desenhar... Numa manhã de sábado. Poderia levar umas xerox pra orientar alguns exercícios pra quem quisesse aprender a desenhar coisas específicas mas... E lugar? Vamos sentar nos parques que são poucos, e poucos bancos tem? Invadir uma cafeteria e lidar com o desconforto? Sentar em algum SESC? Disputar um chãozinho no Centro Cultural. Sinto que faltam alternativas.

Então por hora, comprei um caderninho de notas da Miniso -- como se eu precisasse de mais um sketchbook -- e comecei a rabiscar... Rabiscar mesmo. Espero que por pegar um caderno que está no meio termo entre algo muito barato que me faz sofrer (folhas finas demais são um horror) e algo caro que eu não tenho coragem de usar, eu consiga romper esse limite de "tudo tem que ser lindo", que faz com que eu não faça nada. Mas reconheço: sinto falta de uma estrutura, como a de uma aula, que me force a fazer algo orientado.

Nesse ponto, ser uma Designer Instrucional é contraproducente -- eu realmente acho que é possível criar uma trilha de aprendizagem pra desenho/pintura na minha vida -- mas são tantos temas, e temas tão amplos, que eu simplesmente não consigo estruturar tudo numa linha de aprendizagem. E mesmo quando eu consigo minimamente planejar uma trilha inicial, eu me rebelo demais com meu próprio plano. Começo falando que vou treinar formas básicas e grafite, e quando vejo estou desenhando pessoas em nanquim... Não me obedeço.

Faz um tempo que cheguei a conclusão que Aprender a Desenhar e Pintar de forma efetiva requer 04 etapas (qualquer dia falo delas), mas me revolto constantemente na hora de colocá-las em prática. Espero um príncipe artista que chegará com um cavalete em branco para me salvar. Só que ele não vem, e eu continuo confortavelmente entorpecida no meu marasmo.

Pink Floyd - Comfortably Numb Pulse HD - 125kbps, 44KHz Audio
https://youtu.be/vi7cuAjArRs

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pequenas Práticas

Com esse rabisquinho eu totalizo 90 rabisquinhos no ano... Sabe o que isso signifca? Que dentro do meu acompanhamento anual -- meus álbuns no Flickr onde eu acompanho a produção anual desde o que eu encontrei nos meus arquivos a partir de 1994-- esse é o meu terceiro ano mais "produtivo", ficando atrás dos anos de 2001/2002 (um pacote que eu não consegui desmembrar) e do ano de 2008.

Isso é legal e igualmente triste... Pensar que em quase 365 dias no ano eu fui capaz de rabiscar alguma coisinha (que na maioria das vezes não totalizou nem uma hora) 90 vezes... Menos de 90 horas do ano... Menos de 12 dias úteis dedicados, me desanima. Acho difícil que eu não tenha gastado mais horas no ano com coisas mais inúteis e insignificantes como jiboiar na frente da TV, ou de braços cruzados curtindo uma raiva da vida...

E assim como se estala os dedos, a vida passa e você percebe que não fez quase nada -- um quase nada melhor do que em muitos anos, mas mesmo assim... Quase nada. Para 2018 eu estou pensando em aplicar algumas técnicas de acompanhamento da produção mais simples e dedicadas, acompanhando num planner os dias em que eu fiz alguma coisa (e o que fiz), tentando dedicar 15 minutos diários em um horário fixo (pelo menos) e preparando algumas referências para estudo com antecedência.

Quem sabe assim, além de produzir um pouco mais, eu também melhoro a prática e amplio a qualidade dos resultados.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não é toda prática que leva a perfeição...

Teoricamente eu sei o que eu deveria estar fazendo. Deveria estar selecionando um determinado assunto ou tema (figura humana, anatomia, poses etc.), selecionando uma série de referências, praticando rascunhar a partir dessas referências até aumentar a memorização das formas na minha biblioteca mental, e depois trabalhar esse mesmo assunto/tema em diversas técnicas, para praticar melhor cada uma delas (lápis, aquarela, nanquim, lápis de cor... O que desse vontade de praticar).

Mas na prática, isso não acontece. Não, como já visto, porque eu não saiba o que devo fazer, mas porque no final de um dia cheio de outras obrigações, eu resolvo separar no máximo uma meia hora pra rascunhar alguma coisa antes de cair de sono no dia com a sensação de que eu não fiz nada por mim... Ou seja, no final, embora eu tenha "praticado", isso não confere tanta melhoria -- a prática para evoluir é outra (deliberada e verificável). A realidade, no final das contas, é bem mais triste do que o sonho de ter tempo e espaço para dedicar a isso -- mesmo que, por hora, essa não seja uma atividade com potencial de sustentar a vida financeiramente.

 Durante muito tempo eu me debati com a ideia do por quê? Por que uma mulher que já passou dos trinta há um bom tempo, e que não ganha dinheiro com isso, deveria investir mais tempo em dinheiro em uma atividade como essa, sem nenhuma contrapartida financeira... Vou mesmo ficar comprando material, sentando pra fazer esse tipo de rabisco quando tem projeto na fila, louça pra lavar, casa pra arrumar?

Atualmente eu ainda não achei uma resposta que me satisfaça 100% -- mas uma coisa eu sei: eu não tenho escolha. Eu posso viver dividindo o tempo entre isso e todo o resto... Ou posso murchar pra tudo. Fechar isso dentro de uma caixinha de deixar pra lá não é uma opção.

Talvez esse tipo de coisa são seja simplesmente um dom.
Talvez seja apenas maldição -- que nada mais é que um dom ou talento que ainda não encontrou expressão.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O que aprendi com o Inktober 2017?

Resultado do Inktober 2017
O que aprendi com o Inktober 2017? Em primeiro lugar, que está difícil aprender qualquer coisa ultimamente, rsrs.  Eu comecei o Inktober bem animada: preparei caderno especial, escolhi as tintas e o material; diferente do ano passado peguei algumas referências para não morrer na terra do "O que é que vou desenhar?" e a coisa foi muito bem até um pouco mais do meio do mês...

Mas caminhando para o fim do mês... Deu bode! Poderia dizer um milhão de coisas que também impactaram (Isso tomar quase 02 horas num dia cheio, e muitas vezes acontecer no mesmo horário da rotina de sono da minha filha, entregas malucas de projetos que não permitiam duas horas por dia desenhando etc), mas dizer que "deu bode" é de longe a mais precisa.

Isso não significa que não ficaram algumas lições aprendidas... No caso, duas:

1. Não compre papel porcaria!
Existe uma, e apenas uma situação, na qual é aceitável desenhar em papel porcaria: você está no início do início da aprendizagem, precisa praticar com um alto volume de desenhos (e tem tempo para um alto volume de desenhos) e não quer gastar muito. E aqui, a chave é "vai desenhar muito". Por quê? Se você é como eu, e no máximo consegue alocar entre 30 minutos a uma hora por dia de desenho (ou seja, no máximo 7 horas por semana), você não vai conseguir fazer muitos desenhos por semana -- se forem num nível rascunho, difícilmente mais que uns 14 (1 a cada 30 minutos), se for um levemente mais acabado, não mais que 7 (um a cada hora) -- e aqui eu estou sendo generosa demais, pq se eu produzisse 7 desenhos meia boca por semana estaria saltitando de alegria com uma produção de aproximadamente 30 desenhos por mês.

Agora vamos a matemática da coisa (que eu sei que não é a parte favorita das demais pessoas de humanas que não fizeram um colégio de Exatas, rs):

Desenhando melhorzinho
  • 30 desenhos por mês = 02 blocos de 20 folhas de um papel minimamente bom (e ainda sobram dez folhas pra guardar ou refazer algo que tenha ficado muito ruim).
  • Como minimamente bom, estou considerando um Canson C Grain 220g, que vc compra por 12,90 a 15,90 um bloco.

Desenhando rascunhado
  • 60 desenhos por mês = 02 blocos de 50 folhas de um papel de desenho 90g (algo que custa entre 3,90 a 5,90 cada, e que ainda vai deixar umas 40 folhas de reserva).
Então eu lhe pergunto, como perguntei para mim mesma: pq desenhar em papel tranqueira? A menos que as finanças estejam mesmo muito mais muito mal, gastar 30 reais por mês com folha boa não deveria ser um problema... Ou seja, não deveria causar tanto preciosismo (até pq não vai ser R$ 20,00 por mês... Vai ser no máximo a cada 2,3 meses se a produção for assim limitada).

O que aconteceu no meu caso com o papel do Inktober?
Ano passado, fiz os desenhos em Bristol da Canson (um opaline de melhor qualidade vendido pela Canson, 180g/m², bem liso e brilhante). Ele foi muito "carinhoso" com os meus erros, e encobriu a maior parte deles.  Esse ano, o Bristol da Canson estava em falta e eu achei que tudo bem fazer o caderno do Inktober todo em papel Lay-out 240g/m², bem mais grosso. Para quem não está familiarizado, layout é um papel offset -- o mesmo das gráficas, ou um "sulfite industrial" rs -- nessa gramatura, algo cerca de 3 vezes mais grosso que uma folha de sulfite comum. Parecia uma boa ideia mas:
  • O papel apagava pessimamente (de levantar bolinha no papel).
  • Toda vez que usei fita crepe, metade do branco do papel ficou na fita.
  • Ele não gostou dos meus erros: todas as marcas e pinceladas do nanquim vermelho apareceram, e secavam em tons diferentes.
Esperar um ano inteiro pelo desafio pra ver seu esforço de 2 horas diárias ser piorado pelo papel é muito frustrante.

2. Pra desenhar melhor é preciso... Desenhar mais.
Ok, eu não precisava do Inktober para descobrir essa mas... Ele ajudou a refletir bastante sobre isso. Quando você começa a cometer os mesmos erros, dia após dia, das duas uma: ou os abraça ou faz algo pra mudá-los... Foram muitos "Sério que vc vai fazer essa orelha assim de novo? Vc já percebeu que os planos desse rosto não estão claros né? Olhos nivelados, quem precisa deles?". Preciso voltar para o mais básico do lápis, eu sei.

Resumindo:
Ainda considero que o Inktober desse ano foi um avança a série: tenho tentado participar do Inktober direito desde 2014, e os números da produção tem aumentado todo ano (e gosto de acreditar que a qualidade também). Então ainda tenho esperanças que o ano que vem vai ser melhor...
 Torçamos!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Só de olho em como melhorar no desenho...

Para variar um pouquinho, um rabisquinho que não cruzou a barra para o Instagram, especialmente para ilustrar esse post... Faz tempo que não escrevo por aqui diretamente -- estou envolvida, atualmente, na tentativa de engatar de verdade com o hábito de rabiscar diariamente, e as publicações no Instagram tem ajudado nessa questão de ficar visível o resultado... E ainda fez com que o blog não ficasse tão parado por aqui.

Tenho pensado muito naquilo que posso fazer para melhorar no desenho... Depois de tantos textos sobre aprendizagem, garra, evolução etc., cheguei a conclusão que a melhoria é resultado de 03 coisas básicas: Diversão, Prática Deliberada e Trabalho no Dia a Dia... É a diversão que faz a gente gostar da coisa, a prática deliberada que faz a gente "consertar" e aprender peculiaridades mas, é a "água batendo na bunda" do trabalho cotidiano que faz a gente "performar" (como misteriosamente gosta todo gerente de RH).

Não é de se admirar que seja realmente mais difícil aprender depois de adulto -- quando o tempo para diversão é restrito, a gente não quer gastar o tempo que tem com práticas "chatas" e quando o ganha pão depende de outras atividades.

Por conta disso, estou pensando em como integrar tudo isso em uma prática pessoal -- em como ter tempo para se divertir com o desenho, em ter tempo para analisar as principais deficiências e trabalhar nelas e, ter algum tipo de saída com objetivo financeiro para isso -- mesmo que por hora seja o tipo de produto que ninguém pediu, e ninguém quer (é a vida, não é mesmo?).

É claro que esse comprometimento não conseguirá acontecer no volume e quantidade que alguém de 17 anos poderia colocar na coisa mas... Dá pra abraçar o "devagar e sempre", já que, na verdade, são os hábitos constantes as ferramentas mais capazes de gerar mudança e evolução. E eu estou toda na internalização do "vamos mudar os hábitos primeiro"... Quem sabe agora engata.

sábado, 3 de junho de 2017

Paixões Recentes, Falhas Antigas…

Recentemente eu me apaixonei pelo canal do Alphonso Dunn no YouTube. Uma daquelas coisas que você não conhece e quando encontra, começa a se perguntar como foi possível passar tanto tempo da sua vida sem conhecer. Tudo começou quando eu fui procurar um pouco sobre esse livro aqui: Pen and Ink Drawing: A Simple Guide. Basicamente, ele desenha tudo que eu gostaria de desenhar toda vez que eu me comprometo a participar do Inktober… Só que com sucesso! Desde então eu tenho me interessado um pouco mais por arte final em nanquim e arte final com canetas esferográficas; assim como com a criação de padrões e texturas em caneta.

Meios de desenho e pintura “rápidos” sempre me interessam muito, porque, lápis de cor, definitivamente é um método de paciência no qual você gasta, fácil, mais de 20 horas de trabalho para finalizar “mais ou menos” uma arte A4. Aquarela, guache, acrílica etc, não são tão demorados, mas exigem que o local esteja preparado para aquilo. Quem, como eu, consegue na maioria das vezes deixar apenas 20 a 30 minutos por sentada, chega a preparar os materiais para começar e então o tempo acaba. Fora que com criança pequena por perto, eu sempre imagino potes de água e tinta virando sobre tudo… Ou seja: Caos!

Até aí tudo bem mas… Será que com tanto sketchbook apropriado em casa, precisa mesmo ficar testando e treinando no caderno de anotações como eu fiz aqui? Tem alguma maldição ou bloqueio que me impeça de usar papel de verdade, apropriado ao meio? Por que sinceramente não é uma questão de não ter, que estão todos aqui em casa umedecendo à toa.

2017 | Some Recent Pen & Ink Drawings Tour (Alphonso Dunn)

Um bom papel para praticar arte-final.
Se você assistir esse vídeo do Alphonso Dunn, você escutará ele mencionar “Papel de Aquarela Hot Press” (que é um método de produção que deixa o papel de aquarela com uma textura bem lisa). Se você for procurar esse papel online, independente da marca (Canson ou Fabriano) vai descobrir que ele custa uma média de R$ 20,00 a folha A4, e vai desistir da ideia de fazer desenhos assim antes de começar.

Um alternativa em conta e que costuma funcionar muito bem com nanquim e esferográfica é o Opaline -- daquele mesmo que você encontra em lojas de escritório, como na Kalunga, por exemplo, em pacotes de 50 folhas. Se quiser um com uma qualidade melhor, pode comprar os blocos de 30 folhas da Canson, que ela vende com o nome de Bristol (não confundir com o Bristol que vários ilustradores e artistas internacionais mencionam, que não é o mesmo papel).

O opaline é um papel bem liso (o que ajuda no deslizar de canetas e pincéis), com uma gramatura boa (normalmente 180g/m²) e com baixo custo. Sua principal desvantagem é não ser “Acid Free” ou “Archival” -- ou seja, vai amarelar com o tempo e não será uma obra para a posteridade (algo que não costuma ser mesmo a preocupação de quem está começando). Esse é o papel que eu usei em todo o meu sketchbook do último Inktober, e que está atualmente no meu sketchbook -- e ele é bem versátil para qualquer coisa que não envolva muita água.

Importante:
Caso você tenha se interessado pelo livro, esse site tem um uma ótima resenha, cheia de imagens, e com o vídeo a seguir. Além disso, no canal do YouTube em que o vídeo a seguir está disponível, você encontra toda uma série de vídeos feitas com livros de arte e desenho folheados -- o que é muito interessante se você estiver interessado em comprar um desses livros mais caros mas está na dúvida porque não sabe o que vai encontrar dentro dele.

Pen and Ink Drawing: A Simple Guide (Parka Blogs)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Desenhar depois de adulto... Onde estão os brasileiros?

Pode parecer que eu estou ganhando algo da Sketchbook Skool pelos comentários, mas não estou: eu vejo vídeos como esses daí embaixo e fico me perguntando onde estão os brasileiros que querem desenhar simplesmente por desenhar? Encontro sempre toneladas e toneladas de blogs para quem está começando a desenhar tendo em mente pessoas que estão no máximo na casa dos 20 anos e que querem trabalhar nesse mercado -- e isso é muito bom mas... Onde estão as pessoas que querem desenhar simplesmente porque gostam? Existem por aqui? Se dão ao direito de ter um hobbie?

Começar a desenhar -- ou mesmo voltar a desenhar -- e se desenvolver nessa habilidade, depois dos 30, merece um enfoque completamente diferente de quem está começando por aí... E isso não está sendo coberto. Nem os cursos de arte, por exemplo, são voltados para educação continuada e desenvolvimento pessoal, mas em conquistar um título e habilidade necessário para o mercado de trabalho!

Onde estão vocês rabiscadores maduros?
Vamos nos unir!!!

Student Stories
https://www.youtube.com/watch?v=XuQYO8QSiWI

quarta-feira, 15 de março de 2017

Rabiscando depois dos 30!

Esse anos está sendo uma tristeza. Desenhar depois dos 30 não é para os fracos de coração... Talvez para os destruídos de coração, mas não para os fracos. Eu sinto a falta de "pares", eu sinto a falta de companheiros na mesma jornada. Acho que, em retrospectiva, foi isso que me fez há alguns anos atrás fazer o curso "Beginners" na "Sketchbook Skool". Mas o resultado não foi como esperado. Hoje em dia, eu sinto uma certa inveja triste de quem fica titubeando com o que fazer para desenhar melhor enquanto está na adolescência, na casa dos 20... Eu posso olhá-los e pensar "olha lá, mais um perdidinho como eu que não vai fazer nada com isso" -- mas eu sinto saudade dessa fase cheia de expectativas.

Não é para desanimar, mas de tanto viver nessa vida de desenhadores, e agora na margem dessa vida, é possível perceber alguns padrões. Quem desenha *muito* (seja em quantidade ou qualidade), sempre desenhou muito (especialmente em quantidade). Tenho um colega de faculdade que publicou sua webcomic durante anos, depois publicou livros com elas e depois participou de um dos livros de homenagem ao Maurício de Souza. Sorte? Dom? Talvez um pouco de tudo... Somado ao fato de que do primeiro ao último dia de aula, minha maior lembrança da sua pessoa foi curvado sobre o caderno desenhando, desenhando, desenhando. Pessoas assim não estão por aí em fóruns perguntando como podem melhorar. Não estão baixando e-books com dicas, assistindo Sketchbook Tours no YouTube. Elas estão por aí... Melhorando. Lembro até de uma época em que ela parou a webcomic para estudar para concursos (até quem sabe muito não está livre da tristeza que pode ser tentar ganhar a vida nessa área). Não sei se essa história foi para frente, pois muitas tiras e publicações vieram depois disso então... Mesmo em dúvida, quem quer mesmo não consegue parar.

Para quem visita aqui há mais tempo -- se é que essas pessoas existem, assim como os unicórnios -- sabe que uma das minhas principais questões é: Por quê!? Por quê rabiscar essas coisas de pouca qualidade e proveito que saem do meu sketchbook? Eu ainda tenho esperanças de ganhar dinheiro com isso? Eu ainda acho que isso poderá um dia ser arte? Isso é arte? Saber isso realmente importa? Tenho tido algumas ideias com relação a tudo isso nos últimos tempos. Afinal: o mundo precisa de mais rascunhos mal feitos como esse?

Vamos começar com a pior hipótese (eu sempre estou melhor familiarizada com o *Dark Side*, rs). Não, o mundo não precisa de nenhuma dessas caquinhas que estamos fazendo em nosso sketchbooks. Assim sendo: E daí? Você não precisa do seu vizinho que estuda bateria no sábado de manhã, e eu não preciso da minha vizinha que canta sofrência desafinada todo dia de faxina. E tudo bem -- ele não está tocando bateria para você, nem ela está cantando para o deleite dos meus ouvidos. Eles estão, eu espero, fazendo isso porquê os deixa felizes e... É isso que importa!

Ainda estou internalizando aos poucos essa simples resposta, porque ela responde muita coisa. Trabalhei -- e trabalho ainda, devo deixar claro -- por muito tempo prestando serviço para corporações em Ensino à Distância. Qualquer serviço prestado nesse formato só existe na base da utilidade e da necessidade, se não for preciso, é cancelado e cortado. E por algum motivo, eu deixei que essa lógica se aplicasse a minha prática de desenho -- talvez porque durante muito tempo eu imaginasse que um dia poderia trabalhar em um emprego como ilustradora, atendendo solicitações... Então eu sempre fico pensando: "Qual a utilidade disso?", "Qual o valor disso perto do que é disponibilizado no mercado?", "Como isso está posicionado em toda prestação de serviço?"... E isso simplesmente não importa no curto prazo, ou seja, no cotidiano de rabiscar e seguir em frente.

A verdade final, é que os anos vão passar. Hoje eu tenho 36, mas sei que num piscar de olhos eu vou estar com 45, 60 anos (se tiver tanta sorte com tanto fast food envolvido). Será que eu quero -- ou você quer -- chegar aos 60 e ficar pensando em como estaria desenhando, o que teria feito, se tivesse sido mais comprometida nos 24 anos que separaram os 36 anos dos 60? Será que vale a pena parar algo que você gosta na sua vida porque você não sabe que utilidade isso possa ter para o mundo? Esse mesmo mundo que não está pagando as suas contas, lavando suas louças ou ajudando em casa.

Eu entendo os questionamentos. Trabalho como freelancer, em casa, cuidando de uma criança de 3 anos... É difícil cuidar da limpeza, da alimentação, das rotinas, do trabalho, dos imprevistos e se convencer que uma hora rabiscando no seu sketchbook, por nenhum dinheiro, reconhecimento ou recompensa é tão importante quanto uma pilha de roupa que precisa ser separada, lavada, passada e que não vai se resolver sozinha se você não der atenção... Mas sendo otimistas (mesmo): eu e você vamos morrer. E não vamos morrer numa hora conveniente, com tudo em ordem, a louça lavada, roupa separada, entregas em dia e com tudo certinho para todo mundo. Vai ser um estorvo (e a gente espera que seja uma tristeza tb) para os envolvidos, mas eles vão ter que lidar com isso e viver. Mas não tem boletim de realizações domésticas, familiares e profissionais. Ou será que você espera um lápide assim:

"Aqui jaz FULANO. Não perdeu tempo com rabiscos, nem aquarelas, nem nenhuma dessas bobeiras. Por isso conseguiu ir em paz com a louça lavada, o guarda-roupa arrumado e a lista de tarefas completamente em ordem".

Se essa é uma lápide que lhe traz alegria, pode prosseguir com a procrastinação, sem problemas. Mas eu sinto que essa seria a minha própria definição de uma vida medíocre. Mesmo sabendo que, e essa é uma particularidade minha que eu espero que você não partilhe, eu tenha questões sérias para revolver sobre acumulação, rotinas e produtividade (ou seja, mesmo sendo uma pessoa que precisa objetivamente investir mais tempo em colocar a casa e a vida em ordem, pra ontem).

A minha "desconexão" com a Sketchbook Skool, por exemplo, vem mais de uma diferença cultural do que operacional, por exemplo. Eu não tenho problema com as artes que eles fazem, ou o que estão aprendendo. Eu não consigo é me relacionar com a cultura americana e europeia, onde a vida e as coisas estão tão bem encaminhadas em que é possível, aceitável e incentivável que você consiga investir tanto tempo em um hobbie. Essa realidade na qual "Decidi começar a pintar, então peguei um dos cômodos *sobrando* aqui em casa e transformei no meu estúdio" acaba mais me desnorteando do que ajudando. Eu tenho uma prancheta que me aterroriza esmagada no meio da sala de casa -- isso ainda é assunto pra outro momento -- mas na maioria das vezes tenho que acomodar as coisas no colo, sentada na minha cama, com minha filha pulando atrás de mim... Ou seja, tem que ter muito comprometimento e vontade pra não dizer "sabe, talvez essa coisa não seja mesmo pra mim".

Se você chegou até aqui: obrigada acima de tudo. Sendo ou não um regular nesse blog, eu gostaria de saber qual a sua maior dificuldade, seus questionamentos, o que sente falta, o que faz você cair em blogs como esse. Pode abrir o coração sem medo! Se ficar com vergonha dos comentários, está valendo mandar e-mail pelo endereço disponível na página de Contato

Para encerrar, um trailer do novo curso da Sketchbook Skool, só pra animar.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Estudo Deliberado: Livro ou Curso de Desenho?


Existe uma versão romântica e sofredora de mim que gosta de lembrar que até os 14 anos eu não tinha feito nenhum curso de desenho, e tinha 02 livros de Desenho da Coleção da Globo, que pouco ajudavam -- um era sobre Aquarela, falando de materiais que eu não tinha nem poderia comprar; e o outro de pintura a óleo... Mesmo problema. Adoro essa versão de mim, pq ela seria capaz de justificar muita inaptidão atual... Se as coisas tivessem continuado assim.

Mas de lá para cá já se passaram... 22 anos... Como é duro assumir isso! Muita coisa mudou, embora não do lado bom: eu fiz cursos na Quanta, na Arte Academia, na Área E, no Estúdio Igayara, no SENAC, Estúdio Maurício Takiguthi, na Academia de Animação SP... Dá até uma certa vergonha elencar tudo isso. Assim como dá uma certa vergonha encarar os livros de Desenho na estante -- Desse "À mão livre", o primeiro realmente útil, até hoje, são mais de 100 títulos sobre todos os assuntos que eu já quis aprender sobre desenho: figura humana, anatomia, luz e sombra, animação, cor, composição, perspectiva... You name it, I have it.

E agora que você já deve me odiar muito -- a intenção não era essa, mas a gente não pode controlar a reação dos outros -- vou falar sobre o porquê de tudo isso: se você não estiver realmente comprometido, tudo isso é irrelevante. E se você estiver realmente comprometido, tudo isso é desnecessário.

Existe uma séria romantização da importância das aulas de desenho e pintura -- elas são importantes, podem lhe ajudar a dar saltos palpáveis de qualidade... Mas não são mágicas. Durante muito tempo, meio fingindo que não, eu acreditei que fossem. Você pode fazer o curso completo, sentar na cadeira aula após aula, fazer exercício depois de exercício: se você não for além e praticar mais do que em aula, não adianta nada. A lógica do título, como "sente-se quatro anos no curso de Direito e se transforme em advogado" não funciona para profissões artísticas.

Eu tive "picos" de desenvolvimento ao longo dos anos, durante ou depois de cada um dos meus cursos -- mas eles não duraram, exatamente porque eu não pratiquei mais. Estava esperando, meio que subconscientemente, que ao final do curso eu me sentisse tão "agora estou fodona" que eu não pararia mais de desenhar. Mas as coisas funcionam exatamente ao contrário -- você não para de desenhar e, um dia, sem que perceba... Até que não está tão mau.

Por ter feito desenho em tantos lugares, eu posso resumir um curso de desenho para você em uma frase: sente a bunda e desenhe. Ok, posso detalhar: sente a bunda e copie. Desenhe cabeças, figuras humanas, perspectivas etc. E isso você pode copiar de livros -- aqui entram os livros -- e em quase todos os cursos citados, é exatamente isso que você vai fazer: copiar livros (mais precisamente, xerox de partes selecionadas de livros, tópicos a tópicos) -- e isso você também pode fazer em casa.

O grande diferencial das aulas não está naquilo que elas vão lhe ensinar, mas naquilo que elas vão corrigir. Existe a correção mais básica e fundamental do professor, que consegue corrigir erros e padrões errôneos enquanto você executa (uma mania de fazer algo de determinada forma que você não enxerga, uma pegada errada no lápis, uma forçada pra sair da zona de conforto de desenhar sempre a mesma coisa), e é claro; a correção de noção em relação aos pares: nada como olhar para o lado e ver um monte de gente BEM melhor do que você para inspirar, instigar e garantir que você não leve tão a sério aquele comentário da família que "você é o melhor desenhista que eles já viram" -- nada  como ampliar os horizontes, não é mesmo?

Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a garota de 14 anos que tinha muita vontade e nenhuma noção, eu diria que ela poderia ter aproveitado muito aqueles livros de aquarela e pintura a óleo sem ter nenhum dos dois. Ela poderia ter sentado, puxado uma folha de sulfite e tentado desenhar tudo aquilo... Com lápis número 2, com caneta BIC, nas folhas do caderno de matérias de professores que só faltavam, qualquer coisa. Teria sido mais útil do que esperar uma solução mágica que resolveria tudo.

Você pode não ter mais 14 anos, mas se está esperando ter aqueles 350 reais por mês para fazer uma aula que realmente vá lhe ensinar a desenhar, PARE. Compre um bom livro de desenho -- eu indicaria os do Andrew Loomis, apesar do inglês; mas qualquer outro que você goste do traço do artista serve também. Sente, e desenhe... Copie, repita, faça com outro material, leia a teoria -- Repita, repita, repita. Só por favor, não faça como eu: não espere a bala mágica que irá resolver todos os problemas.
Você não vai desenhar mais quando estiver bom. Você vai ficar bom por desenhar mais.

Olhar o índice dos livros que você pretende comprar é uma ótima tática pra escolher o livro ideal.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Vamos soltar essa mão com Model Sheets?

Material na mão? Lugar confortável para rabiscar? Ok. Mas pode ser que agora você não saiba exatamente por onde começar. Independente do seu objetivo com desenho, é um pouco difícil fazer qualquer coisa se a sua mão estiver "durona". Algo que aprendi há muitos anos atrás nas aulas de desenho com o saudoso professor Waldyr Igayra é que poucas coisas soltam tanto a mão quanto desenhar personagens infantis -- especialmente os da Disney.  O ponto de bônus aqui, é que como os personagens são conhecidos você pode avaliar imediatamente a sua capacidade de conseguir semelhança.

Ao longo dos anos eu montei uma coleção de "Model Sheets" -- as folhas modelo de personagem que os animadores utilizam para desenhar sempre os personagens da mesma forma, e definir detalhes como posições e movimentos -- e fiz um arquivo de PDF (que está impresso aqui em casa em algum lugar). Se eu quero desenhar algo "bonitinho" sem ter que pensar muito a respeito, acabo utilizando como referência.

Se você quiser, vale escolher seu personagem/história preferida e dar uma busca no Google Images -- ou então...

Baixe o meu PDF (grátis, grátis) com 45 Model Sheets coletados da Internet aqui:
https://www.dropbox.com/s/50rsbahph0sl5k3/model_sheets.pdf?dl=0 

Sim, esse material tem copyright, e sim esses personagens são proprietários -- mas além do fato do mundo da "Fan-Art" ser bem flexível, não acho que você vai desenhar personagens da Disney e dizer que foi sua criação não é mesmo? Além disso, o Mickey Mouse no caso já está em domínio público.

domingo, 23 de outubro de 2016

Assuma seu espaço!

Tenho um lembrete no meu caderninho de afazeres (bullet journal, ou BoJu, é muito gourmet pra mim) que diz: OWN THE FUCKING DESK -- desculpe o linguajar, mas assim é mais preciso. Tenho uma prancheta profissional de desenho há 20 anos. Meus pais compraram para mim no segundo ano do ensino técnico -- apartamento pequeno, abri mão de ter uma cama fixa pra colocar a prancheta -- e a utilizei muito para projetos de arquitetura do 2º ao 4º ano do técnico -- mesmo que a motivação de tudo, até do técnico, fosse ter acesso a materiais para desenhar bastante, incluindo é claro, a prancheta.

O detalhe é que há uns 16 anos ela está regularmente parada. Quase tudo que rabisquei nesse período não foi feito nela e em uma boa parte desse tempo ela ficou sendo local de entulho. No último ano achei que isso era inaceitável e coloquei ela em condições perfeitas para desenhar... Até agora, não o fiz.

Você vai em aulas de desenhos com professores de 18 anos que desenham sem parar desde que conseguiram segurar um lápis, e eles não conseguem oferecer sugestões ou alternativas para esse tipo de "bloqueio" -- outros vão dizer que você não quer realmente fazer alguma coisa, senão estava fazendo, e não escrevendo a respeito. Mas o bloqueio é real, a resistência é palpável. E derrubar ambos é imprescindível.

Sentar no seu espaço, seja um canto no sofá ou um ateliê dos sonhos iluminado, e dizer: "É aqui que eu faço minha arte" -- seja qual for sua arte no momento -- é impressindível. Afinal  de contas, como diria Woody Allen: "80% do sucesso é comparecer". Compareça.

OWN YOUR FUCKING SPACE!

sábado, 22 de outubro de 2016

O que comprar pra começar a desenhar?

A minha versão pessoal é um pouco diferente do que vou recomendar, mas o espírito é o mesmo.
Depois do post de ontem (Não pare. Não pire), eu fiquei pensando no que eu compraria para começar a desenhar se não estivesse soterrada em material e intenções há tantos anos. Indispensável mesmo, só papel e lápis -- mas alguns extrinhas já dão boas condições para brincar bastante.

Minha listinha seria...

Materiais:
  • 01 Bloco de folhas (Layout) A4 com 50 folhas.
  • 01 Lápis HB.
  • 01 Lápis 6B.
  • 01 Borracha.
  • 01 Apontador.
  • 01 Prancheta.
  • 01 Caixa de Lápis de Cor 12 Cores.
  • 01 Caneta Esferográfica Preta.

Por que cada um desses? Vamos ver...


Papel Layout A4

Papel branco, liso, acetinado -- se dá bem com lápis, com esferográfica, com nanquim e com lápis de cor. Não é acid free (não é para deixar seus rabiscos para a posteridade) mas você compra um bloco por menos de 3,00 (Kalunga) e não sofre a cada rabisco que não sai do jeito que você espera. Eu gosto mais do que comprar um pacote de sulfite, pq estão todos juntas no bloco (mais fáceis de carregar, e guardar).

Lápis HB.

Muita gente vai falar que bom é ter um 2B -- eu discordo. 2B já é escuro demais se você está começando e tem a mão pesada. Um HB é perfeito pra fazer rascunhos, traçar estruturas e fazer leves sombreados. E não precisa, nesse começo, ser um Lumograph da Mars/Staedtler -- um Faber Castell Regent faz muito bem o serviço.

Lápis 6B.
 
Aqui você tem a outra ponta -- o mais escuro e macio da maioria das marcas. Se você tem a mão pesada, vai ter que aprender a segurar a mão com delicadeza pra não abusar. Se tiver a mão leve, começa a colocar algum contraste nas coisas. É claro, existem todas as gradações entre HB e 6B -- mas com esses dois, vc não precisa de mais nenhum se trabalhar o peso da sua mão... E é aí que eu acredito que está boa parte da diversão.

Borracha.

Dados os materiais anteriores, talvez aqui seja onde eu investiria mais -- e teria duas: uma borracha tradicional de melhor qualidade (hi-polymer) e uma borracha "artística"/"miolo de pão" (aquela molinha, como limpa-tipos, que limpa bem grafite. Eu tinha um professor que abominava borrachas -- mas não abria mão da miolo de pão.

Apontador.

Nove em cada dez -- insira a sua definição de sabe tudo aqui -- lhe dirão que o estilete é melhor que o apontador... É mesmo: pontas maiores e mais afiadas, melhor aproveitamento dos lápis etc., etc... O detalhe é: se vc está começando, boa chance que não saiba utilizar o estilete direito, ou que vá perder boa parte do tempo apontando os lápis e não desenhando. Se vamos começar a desenhar com regularidade, vamos começar: pega um apontador com um bom reservatório (para não ficar espalhando casquinhas pelo mundo) e siga em frente.

Prancheta.
Não precisa ser uma Trident A4 de fórmica que custa 40 reais -- pode ser aquela pranchetinha de responder formulário, de mdf que custa no máximo 4,00 (De novo, Kalunga). Você só precisa de um apoio firme pro papel que possa levar pra onde for.

Caixa de Lápis de Cor 12 Cores.


Você não precisa começar com uma caixa de lápis de cor de 12 cores -- mas que vai ser legal ter uma, vai. Você pode começar a brincar com rascunhos em cores diferentes, fazer umas hachuras em cor, ou mesmo colorir com combinações básicas de cores -- é um esbanjar no momento que vai lhe dar alegria. Um dia no futuro eu falo sobre marcas de lápis de cor no contexto de pintura de lápis de cor, mas no momento guarde o seguinte: compre uma Faber-Castell vermelha simples de 12 cores (ou se quiser esbanjar mesmo, aquarelável). Um dia eu explico melhor, mas vamos ao FAQ básico: 1) Pode ser outra marca (BIC, Staedtler, etc.)? Não -- a menos que seja Giotto ou Mapped. 2) Pode ser aquelas que tem 24 cores em 12 lápis? Não. 3) Pode ser aquele apagável da Faber? Deus, não! Nunca.

Caneta Esferográfica Preta


Inicialmente eu tinha colocado aqui uma caneta nanquim mas... Uma esferográfica preta, no momento e no contexto de estar começando, não deixa nada a desejar -- ainda permite que você experimente por um valor bem mais em conta. E não precisa ser esbanjador aqui: qualquer BIC Cristal, Faber-Castel ou Paper Matte de menos de 1,00 faz o trabalho muito bem -- apenas se certifique de pegar uma com a tinta fluíndo. Ninguém merece, nem para desenhar, esferográfica falecendo no papel.

sábado, 16 de abril de 2016

Começando Pelo Lugar Errado: Meus Primeiros Livros de Desenho e Pintura - BEDA #16

Há muito tempo atrás -- mas ainda nessa galáxia -- a Editora Globo publicou a coleção "Desenho e Pintura". E a garotinha de 9/10 anos que eu era (nunca consigo ter certeza do ano, se foi em 1989 ou 1990) ficou maluca com a ideia de ter uma coleção de livros que de fato lhe ensinariam a desenhar e pintar. Então ela pentelhou o pai da melhor forma possível para que ele comprasse essa coleção. Ele comprou os dois volumes iniciais, pq... Bem, vc já viu alguma coleção que não tente te pegar dando logo no início 02 livros?

Infelizmente, para não escapar da tradição de coleções incompletas da família, essa também parou por aí -- meu pai dizia que era muito cara (ainda mais quando descobriu que ela ainda teria mais 10 volumes) e achou que eu não fiquei animada o suficiente com os dois primeiros... Não é que eu não fiquei animada, hoje em dia eu sei reconhecer que o sentimento na verdade foi: frustração.

Veja bem, ninguém na minha família é "artístico praticante" -- especialmente não em desenho e pintura -- então ninguém conseguiu avaliar muito bem o quão fora da minha alçada esses livros estavam: eles falavam de papéis que até então eu nem sabia que existiam, que depois disso (mundo pré internet) eu continuava sem saber onde encontrar e de materiais importados que eu nem sabia onde conseguir... Dar para uma criança um livro sobre aquarela, quando a da Faber-Castell era um sonho de consumo, não ressoava muito.

Esses livros me assombraram por anos, mesmo tendo sido dado com as melhores das intenções -- e até hoje, mesmo depois de ter completado a coleção via sebo -- eu ainda culpo muito do trauma que eles causaram pelo acúmulo de materiais de desenho e uma surreal esperança que adquirir esses materiais vá de fato fazer alguma diferença na minha vida. Durante muitos anos eu fiquei com a minha mente de criança obcecada com o fato de que eu não conseguia fazer as coisas como "devia" porque eu não tinha os materiais certos, como os dos livros.

Acesso a bons professores, pessoas que mexessem com arte ou qualquer coisa do tipo poderiam ter corrigido essa minha distorção -- mas mesmo a minha primeira aula de desenho foi acontecer uns 05 anos mais tarde, e lá o estrago mental já estava feito.

Por isso que até hoje, toda vez que eu conheço alguém que pira em materiais específicos, eu fico martelando a mesma tecla de que "isso não importa" -- é claro que existe uma diferença entre uma aquarela da Faber e uma Lukas, ou um lápis n.2 e um lumograph... Mas ela não é significativa o suficiente para evitar que você faça o que quer.

Adoraria ter escutado isso, repetidas vezes, com 10 anos de idade.
E então vou ficar repetindo isso pelo resto da vida, sempre que puder.
Se você quer desenhar, "mas não tem os materiais certos", NUNCA, NUNCA, NUNCA deixe isso lhe atrapalhar -- você só precisa de papel, lápis ou caneta. Só isso, de qualquer qualidade. E nunca deixe de fazer o que gosta se alguém lhe disser o contrário.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

"Até tu Brutus?" - Um desafio encantado.

Nota especial: livros de colorir para adultos... Gourmetização do sketchbook -- essa é a minha opinião. A pessoa quer ter uma experiência "artística" e escolhe uma experiência pré-programada para expressar seu lado artístico ou... Simplesmente liberar o stress. 

Isso posto, eu devo dizer... "Até tu Brutus?" Sim... Até mim. Mas é por uma boa causa... Ou boba causa, mas não importa. Os meus colegas de Pintura em Lápis de cor decidiram escolher cada um uma imagem do bendito livro para pintar de verdade... Como disse um colega "porque colorir não é pintar". Eu escolhi a corujinha acima... Recebi minha xerox, escaneei e agora tenho o traço aplicado no Bristol da Canson (na verdade é um Opaline mais profissional) e um traço mais claro em um Mi-Teintes (também da Canson) de cor creme.

Vou fazer duas tentativas: no Bristol vou pintar com a caixa nova de Mapeds (resenha em breve). No Mi-Teintes vou pintar com os lápis que eu tradicionalmente uso na aula... E tentar aplicar mais modelagem. Vamos ver no que dá...

(Disse a mãe que ficou com seu desenho das bolinhas parado por uma semana sem conseguir seguir em frente... Otimismo e falta de noção tem pra dar e vender).

domingo, 26 de abril de 2015

Aquarela Malucona

Aqui em casa, toda vez que a gente ensina algo para a Lívia a gente diz que é "malucão" - o cachorro é malucão, a Galinha Pintadinha é malucona e ela quando apronta algo completamente doido está maluquecida... Mas tudo bem, que a Lívia tem 15 meses e é mesmo maluquecida na maior parte dos dias... Mas essa aquarela aí em cima é quase um trabalho de Lívia -- foi rabiscada no sketchbook na fase em que eu estava revoltada com a mulher das aquarelas feias (e ainda gosto mais do meu teste maluquecido do que as sérias dela), somente para testar uma aquarela que eu comprei na Daiso há algum tempo.



Eu só usei 3 cores (amarelo, vermelho e azul -- o amarelo acabou ficando verde porque eu estava com preguiça de montar a quantidade de potes de água necessária para a mistura, então as cores acabaram involuntariamente se misturando/sujando) e fiz apenas umas aguadas no sketchbook... Esperei secar e tentei tirar algum desenho dali, como a gente faz com padrões abstratos de azulejos e tijolos... E deu nisso.

Ok, não é nenhuma obra de arte -- talvez arte naquele sentido materno de "Que arte você aprontou, menina?" -- mas fez eu ter ficado com remorso de ter comprado só uma caixinha de aquarela. As cores são fortes, misturam bem e... E como na Daiso Japan tudo custa R$ 6,90, ainda eram 12 cores com pincel por essa bagatela.

Achados (e perdidos)! É assim que a gente costuma chamar essas situações.