Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Quem Espera, Sempre Cansa - BEDA #18

É de assustar o quanto de tempo da vida passa sem que a gente preste atenção se acabarmos não tomando cuidado. Estava folheando o livro da imagem -- "Creative is a verb", de Patti Dig, tentando encontrar inspiração para rabiscar e me dei conta que eu não rabisco nada de novo há exatamente um mês... Estou enrolando e enchendo aqui de postagem, sem de fato colocar a mão na massa.

Por mais que eu tenha problemas com o pessoal do "rabisque qualquer coisa e seja feliz", acho que pelo menos um ponto positivo dessa abordagem é não ficar paralisado, esperando uma luz divina lhe iluminar e dar vontade, inspiração, tempo e essas coisas.

Vamos nos esforçar mais agora? Vou tentar.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Ninguém desenha depois dos 30! - BEDA #12

Precisamos falar sobre idade e desenho. Se você já acompanha esse blog, ou acabou de chegar, mas tem menos de 25 anos, nem precisa se dar ao trabalho -- nos vemos amanhã no BEDA #13. Se você, por outro lado, tem mais de 25 anos, gosta de desenhar mas não faz isso regularmente -- nem trabalha diretamente com ilustração (talvez um Designer Gráfico ou afins), aí então precisamos conversar. Puxe a sua cadeira e dê um pouco de atenção para minhas lamentações para meus desabafos.

Essa versão do Blog (no Blogger), vai completar 4 anos -- ele já existiu algum tempo antes em duas tentativas frustradas no Wordpress, então é seguro dizer que estou tentando fazer isso nos últimos 05 anos. De lá para cá, tenho acompanhado na internet muita coisa relacionada a desenho, sketchs, ilustrações e etc. E o que tenho percebido é que existem 02 públicos bem distintos nisso.

O primeiro, é um público de 16 a 23 anos que quer ser desenhista/ilustrador profissional -- ou já se considera ilustrador profissional. É lógico que tem muita gente boa e competente, mas nesse pacote eu já fiquei um pouco enjoada de ilustradores amantes de aquarela que desenham cabeças e fazem vídeos e posts descolados sobre seus métodos de trabalho, locais de trabalho descolados, e tem dicas sobre como começar no mercado de trabalho e fazer isso ou aquilo.

O segundo, é um público com mais de 40 anos, que não quer ser desenhista/ilustrador profissional -- é possível que eles até tenham sonhado com isso um dia, mas a verdade é que agora estão em outras profissões e procuram no desenho apenas uma forma de relaxamento, distração e vontade de se expressar artisticamente. Esse perfil é mais perceptível e organizado no exterior -- com questões relacionadas a Art Journaling sendo quase uma atividade formal -- do que aqui no Brasil. Talvez agora depois do boom de livros para colorir, os remanescentes evoluam para esse tipo de atividade.

Mas às vezes eu me pergunto: e eu? Definitivamente não estou no primeiro -- houve um tempo em que eu até sonhei com um emprego na área, remanescências dos sonhos de infância de fazer desenho animado na Disney, depois mais tarde na Pixar. Mas esses sonhos entraram em naves pra Marte e se foram há algum tempo... Eu acho que você pode conseguir muita coisa se estiver disposto a trabalhar em determinada direção mas... Não sou esse tipo de pessoa que tem provas pessoais de "atire-se e consiga". Além disso, já contratei ilustradores diversas vezes ao longo dos anos -- então estou ciente da velocidade, qualidade e demandas exigidas... E especialmente dos valores pagos. Não tenho mais em mim disposição e vontade de lidar com as demandas absurdas que surgem nessa área.

O segundo grupo me apetece... em parte. Já parei para pensar: eu não ganho um tostão com desenho e ilustração... Ok, talvez alguns poucos tostões vendendo material artístico para outras pessoas na lojinha, mas não diretamente com os meus trabalhos -- e mesmo assim, não sou capaz de riscar essa parte da minha vida. Eu escrevo isso agora sentada no computador ao lado de uma estante que, por baixo, tem mais de 200 livros sobre desenho, arte e ainda algumas revistas sobre o tema. Dizer que, a partir de hoje isso não faria mais parte da minha vida, encaixotar os materiais e livros, vender tudo e focar em outras coisas... Bem, talvez fosse saudável, mas é simplesmente inviável para mim. A ideia de poder investir meu tempo livre nisso, da maneira como eu julgue necessário é interessante. O que me incomoda nesse grupo é o "qualquer coisa serve!". O fato de eu não querer ganhar imediatamente dinheiro com isso, não faz com que eu abdique de um compromisso pessoal de atingir algum nível de excelência. Querer evoluir em anatomia, em conceitos como luz e sombra, proporção, composição... Simplesmente não me vejo sendo feliz borrando uma página de amarelo e desenhando um limão. Mesmo que, pra começo de conversa, estar desenhando um limão como o a seguir, seria melhor que a minha produção de nada.



Isso me irrita. Na internet e na vida. Parece que tudo que se faz, e que se almeja fazer bem feito, tem que estar voltado para o trabalho -- e se você faz alguma coisa por hobbie, se é um "amador", torna-se até pecado se preocupar em fazer algo bem feito.

Não existem desenhistas e ilustradores mantendo blogs e vlogs depois dos vinte e poucos anos. Talvez porque depois dessa idade eles estejam trabalhando sério e de verdade, e aí não há tempo pra ficar fazendo videozinho descolado no YouTube. Ou talvez -- hipótese minha -- depois dessa idade eles sejam abduzidos e levados de volta ao planeta deles, não sei. E se você tem mais de 30 então, sua jornada é solitária. Você encontra gente que quer se especializar em uma porção de coisas montando de grupos de discussão, se ajudando, compartilhando conhecimentos... Mas em desenho... Até quando você é profissional, pode ser visto como um intruso (e olha que eu tenho diversos "causos" pra contar nessa área).

E o que você faz quando não encontra um caminho para seguir? Senta e chora (provável), ou começa a capinar o terreno e constrói o seu próprio caminho (ideal)? Ainda estou decidindo. Mas o fato é que essa falta de representação, de ressonância, às vezes me desanima e desorienta. Fez sentido? Não fez? Se você tiver algo a dizer a respeito, esse é um dos momentos em que eu realmente gostaria de te ouvir.