segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O que aprendi com o Inktober 2016?

Inktober 2016 acabou hoje. Não foi perfeito, mas foi minha melhor participação nos últimos anos. No entanto, é claro, não estou satisfeita -- eu também não sou uma pessoa reconhecida pela capacidade de ficar satisfeita com frequência para começo de conversa, rs. Mas isso fez com que eu chegasse a algumas conclusões com essa participação.

1. Acabamento não resolve problemas estruturais.
Não é com pintura que a gente resolve parede torta. Parece meio óbvio, mas com desenho é surpreendente a quantidade de vezes que a gente se engana achando que um desenho mal feito vai ser resolvido na arte-final. Mais fácil estragar algo bem feito nessa fase que jamais fazer o contrário.

2. Quanto menos acostumada, mais planejamento é necessário.
Não desenho profissionalmente, nem diariamente -- então questões como "tema" e "assunto" das ilustrações ainda são meio incertos -- não tenho ideia do que vou desenhar, e pouca biblioteca mental para desenhar sempre de imaginação -- ou seja, tudo teria sido mais produtivo se eu tivesse definido um assunto ou tema específico e separado referências com antecedência.

3. Espontaneidade é para os outros.
 Existem -- ou devem existir -- pessoas lindas que se comprometem com desafios como o Inktober e conseguem magicamente encaixar essa atividade no meio das suas obrigações do dia. Mas definitivamente eu não sou uma delas. Tudo foi mais produtivo nos dias em que deixei a minha filha na minha m~e para trabalhar mais focada -- mesmo que no final do dia eu tenha tido que me deslocar cheia de coisas pra ir dormir com ela depois de um dia caótico de trabalho A rotina diária na casa da minha mãe se encerra mais cedo do que na minha casa, o que permitiu um horário mais adequado pra desenhar. Mas como não dá pra contar com essas situações fora da rotina sempre, então o melhor mesmo é definir um horário específico e inegociável para tocar esses desafios.

Resumindo...
O resultado geral do final do Inktober ainda é acerto -- não sei se ele vai trazer grandes impactos em qualquer um dos seus dois objetivos gerais (fazer você desenhar mais regularmente e melhorar suas habilidades de arte final) Mas tudo indica que em 2017 estaremos por aí de novo. Espero que superando esses desafios  -- e possivelmente encontrando outros.

sábado, 29 de outubro de 2016

Hoje, no Instagram.

Fonte: https://www.instagram.com/p/BMKmc1QAnRo/
Vai chegando no final do mês e a vontade, cuidado, ânimo e tudo isso vai chegando ao fim.
#inktober #inktober2016 #sketchblock #sketchbook

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Estudo Deliberado: Livro ou Curso de Desenho?


Existe uma versão romântica e sofredora de mim que gosta de lembrar que até os 14 anos eu não tinha feito nenhum curso de desenho, e tinha 02 livros de Desenho da Coleção da Globo, que pouco ajudavam -- um era sobre Aquarela, falando de materiais que eu não tinha nem poderia comprar; e o outro de pintura a óleo... Mesmo problema. Adoro essa versão de mim, pq ela seria capaz de justificar muita inaptidão atual... Se as coisas tivessem continuado assim.

Mas de lá para cá já se passaram... 22 anos... Como é duro assumir isso! Muita coisa mudou, embora não do lado bom: eu fiz cursos na Quanta, na Arte Academia, na Área E, no Estúdio Igayara, no SENAC, Estúdio Maurício Takiguthi, na Academia de Animação SP... Dá até uma certa vergonha elencar tudo isso. Assim como dá uma certa vergonha encarar os livros de Desenho na estante -- Desse "À mão livre", o primeiro realmente útil, até hoje, são mais de 100 títulos sobre todos os assuntos que eu já quis aprender sobre desenho: figura humana, anatomia, luz e sombra, animação, cor, composição, perspectiva... You name it, I have it.

E agora que você já deve me odiar muito -- a intenção não era essa, mas a gente não pode controlar a reação dos outros -- vou falar sobre o porquê de tudo isso: se você não estiver realmente comprometido, tudo isso é irrelevante. E se você estiver realmente comprometido, tudo isso é desnecessário.

Existe uma séria romantização da importância das aulas de desenho e pintura -- elas são importantes, podem lhe ajudar a dar saltos palpáveis de qualidade... Mas não são mágicas. Durante muito tempo, meio fingindo que não, eu acreditei que fossem. Você pode fazer o curso completo, sentar na cadeira aula após aula, fazer exercício depois de exercício: se você não for além e praticar mais do que em aula, não adianta nada. A lógica do título, como "sente-se quatro anos no curso de Direito e se transforme em advogado" não funciona para profissões artísticas.

Eu tive "picos" de desenvolvimento ao longo dos anos, durante ou depois de cada um dos meus cursos -- mas eles não duraram, exatamente porque eu não pratiquei mais. Estava esperando, meio que subconscientemente, que ao final do curso eu me sentisse tão "agora estou fodona" que eu não pararia mais de desenhar. Mas as coisas funcionam exatamente ao contrário -- você não para de desenhar e, um dia, sem que perceba... Até que não está tão mau.

Por ter feito desenho em tantos lugares, eu posso resumir um curso de desenho para você em uma frase: sente a bunda e desenhe. Ok, posso detalhar: sente a bunda e copie. Desenhe cabeças, figuras humanas, perspectivas etc. E isso você pode copiar de livros -- aqui entram os livros -- e em quase todos os cursos citados, é exatamente isso que você vai fazer: copiar livros (mais precisamente, xerox de partes selecionadas de livros, tópicos a tópicos) -- e isso você também pode fazer em casa.

O grande diferencial das aulas não está naquilo que elas vão lhe ensinar, mas naquilo que elas vão corrigir. Existe a correção mais básica e fundamental do professor, que consegue corrigir erros e padrões errôneos enquanto você executa (uma mania de fazer algo de determinada forma que você não enxerga, uma pegada errada no lápis, uma forçada pra sair da zona de conforto de desenhar sempre a mesma coisa), e é claro; a correção de noção em relação aos pares: nada como olhar para o lado e ver um monte de gente BEM melhor do que você para inspirar, instigar e garantir que você não leve tão a sério aquele comentário da família que "você é o melhor desenhista que eles já viram" -- nada  como ampliar os horizontes, não é mesmo?

Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a garota de 14 anos que tinha muita vontade e nenhuma noção, eu diria que ela poderia ter aproveitado muito aqueles livros de aquarela e pintura a óleo sem ter nenhum dos dois. Ela poderia ter sentado, puxado uma folha de sulfite e tentado desenhar tudo aquilo... Com lápis número 2, com caneta BIC, nas folhas do caderno de matérias de professores que só faltavam, qualquer coisa. Teria sido mais útil do que esperar uma solução mágica que resolveria tudo.

Você pode não ter mais 14 anos, mas se está esperando ter aqueles 350 reais por mês para fazer uma aula que realmente vá lhe ensinar a desenhar, PARE. Compre um bom livro de desenho -- eu indicaria os do Andrew Loomis, apesar do inglês; mas qualquer outro que você goste do traço do artista serve também. Sente, e desenhe... Copie, repita, faça com outro material, leia a teoria -- Repita, repita, repita. Só por favor, não faça como eu: não espere a bala mágica que irá resolver todos os problemas.
Você não vai desenhar mais quando estiver bom. Você vai ficar bom por desenhar mais.

Olhar o índice dos livros que você pretende comprar é uma ótima tática pra escolher o livro ideal.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Hoje, no Instagram.

Ver essa foto no Instagram
Uma publicação compartilhada por Cilla Carvalho @ Sketchblock (@cilla.sketchblock) em

Vamos soltar essa mão com Model Sheets?

Material na mão? Lugar confortável para rabiscar? Ok. Mas pode ser que agora você não saiba exatamente por onde começar. Independente do seu objetivo com desenho, é um pouco difícil fazer qualquer coisa se a sua mão estiver "durona". Algo que aprendi há muitos anos atrás nas aulas de desenho com o saudoso professor Waldyr Igayra é que poucas coisas soltam tanto a mão quanto desenhar personagens infantis -- especialmente os da Disney.  O ponto de bônus aqui, é que como os personagens são conhecidos você pode avaliar imediatamente a sua capacidade de conseguir semelhança.

Ao longo dos anos eu montei uma coleção de "Model Sheets" -- as folhas modelo de personagem que os animadores utilizam para desenhar sempre os personagens da mesma forma, e definir detalhes como posições e movimentos -- e fiz um arquivo de PDF (que está impresso aqui em casa em algum lugar). Se eu quero desenhar algo "bonitinho" sem ter que pensar muito a respeito, acabo utilizando como referência.

Se você quiser, vale escolher seu personagem/história preferida e dar uma busca no Google Images -- ou então...

Baixe o meu PDF (grátis, grátis) com 45 Model Sheets coletados da Internet aqui:
https://www.dropbox.com/s/50rsbahph0sl5k3/model_sheets.pdf?dl=0 

Sim, esse material tem copyright, e sim esses personagens são proprietários -- mas além do fato do mundo da "Fan-Art" ser bem flexível, não acho que você vai desenhar personagens da Disney e dizer que foi sua criação não é mesmo? Além disso, o Mickey Mouse no caso já está em domínio público.

domingo, 23 de outubro de 2016

Assuma seu espaço!

Tenho um lembrete no meu caderninho de afazeres (bullet journal, ou BoJu, é muito gourmet pra mim) que diz: OWN THE FUCKING DESK -- desculpe o linguajar, mas assim é mais preciso. Tenho uma prancheta profissional de desenho há 20 anos. Meus pais compraram para mim no segundo ano do ensino técnico -- apartamento pequeno, abri mão de ter uma cama fixa pra colocar a prancheta -- e a utilizei muito para projetos de arquitetura do 2º ao 4º ano do técnico -- mesmo que a motivação de tudo, até do técnico, fosse ter acesso a materiais para desenhar bastante, incluindo é claro, a prancheta.

O detalhe é que há uns 16 anos ela está regularmente parada. Quase tudo que rabisquei nesse período não foi feito nela e em uma boa parte desse tempo ela ficou sendo local de entulho. No último ano achei que isso era inaceitável e coloquei ela em condições perfeitas para desenhar... Até agora, não o fiz.

Você vai em aulas de desenhos com professores de 18 anos que desenham sem parar desde que conseguiram segurar um lápis, e eles não conseguem oferecer sugestões ou alternativas para esse tipo de "bloqueio" -- outros vão dizer que você não quer realmente fazer alguma coisa, senão estava fazendo, e não escrevendo a respeito. Mas o bloqueio é real, a resistência é palpável. E derrubar ambos é imprescindível.

Sentar no seu espaço, seja um canto no sofá ou um ateliê dos sonhos iluminado, e dizer: "É aqui que eu faço minha arte" -- seja qual for sua arte no momento -- é impressindível. Afinal  de contas, como diria Woody Allen: "80% do sucesso é comparecer". Compareça.

OWN YOUR FUCKING SPACE!