sábado, 3 de junho de 2017

Paixões Recentes, Falhas Antigas…

Recentemente eu me apaixonei pelo canal do Alphonso Dunn no YouTube. Uma daquelas coisas que você não conhece e quando encontra, começa a se perguntar como foi possível passar tanto tempo da sua vida sem conhecer. Tudo começou quando eu fui procurar um pouco sobre esse livro aqui: Pen and Ink Drawing: A Simple Guide. Basicamente, ele desenha tudo que eu gostaria de desenhar toda vez que eu me comprometo a participar do Inktober… Só que com sucesso! Desde então eu tenho me interessado um pouco mais por arte final em nanquim e arte final com canetas esferográficas; assim como com a criação de padrões e texturas em caneta.

Meios de desenho e pintura “rápidos” sempre me interessam muito, porque, lápis de cor, definitivamente é um método de paciência no qual você gasta, fácil, mais de 20 horas de trabalho para finalizar “mais ou menos” uma arte A4. Aquarela, guache, acrílica etc, não são tão demorados, mas exigem que o local esteja preparado para aquilo. Quem, como eu, consegue na maioria das vezes deixar apenas 20 a 30 minutos por sentada, chega a preparar os materiais para começar e então o tempo acaba. Fora que com criança pequena por perto, eu sempre imagino potes de água e tinta virando sobre tudo… Ou seja: Caos!

Até aí tudo bem mas… Será que com tanto sketchbook apropriado em casa, precisa mesmo ficar testando e treinando no caderno de anotações como eu fiz aqui? Tem alguma maldição ou bloqueio que me impeça de usar papel de verdade, apropriado ao meio? Por que sinceramente não é uma questão de não ter, que estão todos aqui em casa umedecendo à toa.

2017 | Some Recent Pen & Ink Drawings Tour (Alphonso Dunn)

Um bom papel para praticar arte-final.
Se você assistir esse vídeo do Alphonso Dunn, você escutará ele mencionar “Papel de Aquarela Hot Press” (que é um método de produção que deixa o papel de aquarela com uma textura bem lisa). Se você for procurar esse papel online, independente da marca (Canson ou Fabriano) vai descobrir que ele custa uma média de R$ 20,00 a folha A4, e vai desistir da ideia de fazer desenhos assim antes de começar.

Um alternativa em conta e que costuma funcionar muito bem com nanquim e esferográfica é o Opaline -- daquele mesmo que você encontra em lojas de escritório, como na Kalunga, por exemplo, em pacotes de 50 folhas. Se quiser um com uma qualidade melhor, pode comprar os blocos de 30 folhas da Canson, que ela vende com o nome de Bristol (não confundir com o Bristol que vários ilustradores e artistas internacionais mencionam, que não é o mesmo papel).

O opaline é um papel bem liso (o que ajuda no deslizar de canetas e pincéis), com uma gramatura boa (normalmente 180g/m²) e com baixo custo. Sua principal desvantagem é não ser “Acid Free” ou “Archival” -- ou seja, vai amarelar com o tempo e não será uma obra para a posteridade (algo que não costuma ser mesmo a preocupação de quem está começando). Esse é o papel que eu usei em todo o meu sketchbook do último Inktober, e que está atualmente no meu sketchbook -- e ele é bem versátil para qualquer coisa que não envolva muita água.

Importante:
Caso você tenha se interessado pelo livro, esse site tem um uma ótima resenha, cheia de imagens, e com o vídeo a seguir. Além disso, no canal do YouTube em que o vídeo a seguir está disponível, você encontra toda uma série de vídeos feitas com livros de arte e desenho folheados -- o que é muito interessante se você estiver interessado em comprar um desses livros mais caros mas está na dúvida porque não sabe o que vai encontrar dentro dele.

Pen and Ink Drawing: A Simple Guide (Parka Blogs)

Sketch do dia


Uma chance de adivinhar o que essa mãe está sendo obrigada a assistir sem parar hoje... 🐅🐅🐅 #sketch #rabiscos #dailyart #dailysketch #danieltiger #danieltigre - via Instagram, em: http://ift.tt/2qLpsLO.

Sketch do dia

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Materiais me dão... Coisas!

Fonte: Pixabay
Hoje eu fiz algo que não fazia há muuuuuuuito tempo: comprar novos materiais. Encontrei online uma loja do Rio de Janeiro que tenho paquerado há algum tempo: Mangamono (www.mangamono.com). Eles vendem material para quem faz HQ e Mangá, o que seria algo normal, mas... Eles tem uma caneta que eu estava paquerando também há bastante tempo (Caneta Pincel Pocket - Pentel GFKP-A) e ainda por cima por um preço adequado, então eu fui "obrigada" a experimentar, rs (quando tudo chegar, eu posto minhas impressões sobre o produto e sobre a loja). Para completar o pedido inclui alguns refis (a caneta felizmente é recarregável) e um lápis Ebony da Prismacolor que eu também já ouvi falar bastante mas ainda não havia encontrado -- e admito: só não coloquei mais coisas no carrinho pq muita coisa interessante estava em falta.

Depois de fazer uma recapitulação mental da última vez que eu comprei algo diferente para desenhar, até deu uma certa alegria: tenho conseguido me controlar relativamente bem no último ano. Talvez também porque tenha tido menos oportunidades de visitar lojas presenciais... É muito mais fácil resistir a tentação quando você está na sua casa e ela está na dela. No entanto, é inegável: por mais que um material novo não resolva a procrastinação artística, ele sempre dá um pequeno impulso na vontade de experimentar.

E dada a minha recente experiência com lápis de cor, talvez seja melhor experimentar mais mesmo. Essa última caixa de lápis de cor da Faber-Castell que eu abri me deixou bem decepcionada. A qualidade da madeira da linha vermelha da Faber tem ficado mais "frágil" nos últimos anos, mas a qualidade das minas havia se mantido a mesma. Durante o período em que eu fiz aulas de pintura de lápis de cor, a qualidade deles estava ótima -- mas eram caixas anteriores a 2010, que estavam estocadas em casa há tempos. Mas a que eu abri essa semana é uma caixa do ano passado -- mais precisamente uma lata de 12 cores que eu havia comprado para revender e que não teve saída -- então acho que está mais condizente com a qualidade atual da marca.

Mas nem sempre são as marcas que detonam a qualidade do produto. Outra opção, é quando os materiais se deterioram em casa sem você usar -- isso ocorre regularmente com a minha aquarela por conta da casa ser muito úmida.  Estou constantemente retirando uma película de mofo sobre as tintas. Recentemente coloquei saquinhos de sílica dentro da paleta para reduzir a umidade, e isso tem funcionado... Mas melhor do que isso, funcionaria utilizar regularmente as coisas.

Entendo a lógica bizarra por trás da coisa. Eu tenho "coisas" sempre que vejo e compro novos materiais, tão lindos e bonitinhos na caixa. Olhar para eles encerra tantas possibilidades, tantos desenhos e artes potencialmente lindos que eu posso fazer -- para que "destruí-los" com a realidade do meu nível de habilidade?

Talvez a melhor resposta para isso, seja aquela que pode ser percebida pelos poucos sketchbooks preenchidos: não existe arrependimento por rabisco feito, por mais tosco que ele seja. Nosso arrependimento, mora no mesmo ambiente imaginário dos nossos medos, essa zona que gera angústia, ansiedade mas que, no final das contas, não produz nada além de arrependimento na nossa vida.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Como recomeçar Sketchbooks abandonados?

Esse é o típico post: "Doidos do mundo, se unam a mim!". Quer dizer, é claro, se você compartilhar do meu nível de loucura. A história é a seguinte: eu acredito em skethbooks mágicos! Não mágicos no nível Harry Potter (ou talvez... Quase!), mas mágicos no nível: "quando eu conseguir o sketchbook perfeito, no momento perfeito, vou começar a praticar, desenhar, criar e não parar mais até quem sabe... Dominar o mundo!"

Momentos "Pink e Cérebro" à parte, a realidade é que não existem sketchbooks mágicos (infelizmente). Existe vontade, comprometimento, rotinas, hábitos, desafios -- ou a falta absoluta de todos esses itens. E no final das contas, mágica mesmo, só aquela que você consegue eventualmente fazer no papel. O resultado disso? Diversos sketchbooks começados e jamais terminados.

E é aí que a coisa fica mais louca...

E assim como eu acredito em sketchbooks mágicos, eu acredito em sketchbooks amaldiçoados... Ok, talvez o termo seja muito forte! Eu acredito em sketchbooks zicados: Você começa, não leva adiante, e o sketchbook fica lá com aquela cara de potencial não realizado, decepção e sonhos perdidos... E quem quer recomeçar um livrinho com toda essa carga negativa quando pode ir na loja, comprar um novo e acreditar que "Amanhã, será um lindo dia, da mais pura alegria, que se possa imaginar"? Provavelmente, não muita gente.

Mas tudo tem remédio nesse mundo...

E acabo de descobrir algo que pra mim, felizmente, resolve!
Prestem atenção no... EXORCISMO DE SKETCHBOOK!!!

Ok... Mais uma vez o termo é exagerado e o resultado decepcionante, rs. O que eu descobri é que simplesmente criar uma divisória bem marcada entre o que foi feito anteriormente no Sketchbook e o que está por vir faz o serviço de "ressetar" o caderno na minha alma... Eu consigo novamente olhar para ele como se nada tivesse acontecido. Apliquei um papel de origami no primeiro do inicio do ano passado com um pouco de fita azul (que me venderam como uma fita melhor para fazer máscara no papel mas que na verdade nunca mais sai dele, e eu já não sabia mais o que fazer com o resto do rolo) e voilà! Pronto para recomeçar como se nada tivesse acontecido.

Nesse outro sketchbook (2ª tentativa de sketchbook mágico do ano passado) eu levei a técnica do reboque origâmico a outros níveis de exagero mas... O sentimento de exorcismo foi o mesmo. Agora eles estão aqui sentadinhos na minha mesa, prontos para receberem novas tentativas.

Diga Adeus a Culpa!
Antes de encerrar, eu gostaria de dizer que, se você está pensando "Ah, mas eu não consigo dar conta de um sketchbook, imagine vários", eu gostaria de dizer: chega de culpa! Parei com esse negócio de me culpar por estar começando um pouquinho em cada sketchbook, e por uma razão bem básica: cada um é bom para uma coisa.

O Hahnemühle de capa vermelha da primeira foto é uma coisa maravilhosa pra lápis grafite e lápis de cor (se você não está procurando algo livre de textura), mas é péssimo pra qualquer outra coisa, mesmo tendo uma gramatura grossa... Até esferográfica vaza pro fundo do papel com o tempo. Já o Canson (preto) é ótimo para lápis, lápis de cor, esferográfica, nanquim (aguenta bem uma aquarela com pouca água) -- mas nesse modelo a encadernação não é tão maleável quanto o Hahnemühle ou mesmo  quanto um Canson ArtBook 180º. E nenhum deles lida muito bem com a minha mania de usar hidrográficas quanto o que eu mesma fiz com papel Bristol então... Cada um tem um lugar no meu coração. Isso se você não contar também que, com múltiplos sketchbooks há a possibilidade de dividi-los não só por técnicas mas por temas -- e até mesmo espalhá-los pelos locais que vc frequenta (mesmo que seja na sua própria casa).

Ou seja: levante esse sketchbook, sacode a poeira e dá uns riscos por cima.