segunda-feira, 8 de junho de 2020

Em suspenso na pandemia

 

Estava brincando com o Filmora Go no celular hoje, e resolvi juntar alguns dos últimos rabiscos pré-pandemia... Depois que a quarentena começou por aqui, eu não consegui criar mais nada, por menor que fosse. No primeiro mês, tudo foi feito só no esforço para trabalhar, lutando contra o medo de morrer e olhando para as coisas com um sentimento de "Isso é tudo??? Vou ficar para trás e isso é tudo que vou deixar?”. De lá para cá, consegui atingir um nível de "negação funcional" -- quando você finge que esse pânico imobilizante nunca existiu, para que você possa fazer as coisas do dia a dia e pagar os boletos.

Hoje, juntei esses últimos rabiscos em vídeo, para ver se me dá vontade de somar mais alguns à pilha. Queria muito saber como a pandemia tem afetado a prática criativa dos demais.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Ferrugem

Ok. Comecei a primeira página do Sketchbook novo... Quase meia noite, mesmo assim calor infernal, mão suando e eu fazendo de tudo pra não acabar com o papel... Fiz o rascunho a lápis, depois quis definir melhor com meu Prismacolor Color-ase lavanda... Não deu certo fui pro Azul... Não deu certo fui pro vermelho... Não deu certo voltei pro grafite -- e aí você tem essa coisa a amarronzada que em resumo... Não deu certo.

Como a ideia esse ano não é arremessar o sketchbook longe cada vez que eu ficar insatisfeita e demorar meses pra voltar, o meu "bom comprometimento" (estou tentando, rs), diz que eu devo aprender com essa situação. Então vamos lá, o que eu aprendi com essa situação?

Primeiro: muita atenção a sua referência -- para lhe fazer justiça. Embora essa tenha me ajudado a fazer um rosto um pouco mais realista, eu não fiz justiça a referência e acabei desenhando "outra pessoa". Acho que isso é ok quando você está buscando referências para "inspiração", mas não quando você está tentando praticar precisão.

Tamanho importa. Como eu disse anteriormente, faz bastante tempo que eu não desenho regularmente -- então é claro que suas habilidades "retrocedem". E acho que a principal coisa que retrocede é a sua capacidade de "simplificação". Por exemplo: quando você está acostumado a desenhar rostos em formato A4, A3, você precisa estar atento aos detalhes das características faciais por exemplo... E no tamanho grande é mais fácil fazer isso. Quando você está "desenvolto" e vai desenhar menor, você consegue simplificar melhor. Quando você perdeu desenvoltura -- como parece ser o meu caso -- você tenta colocar muito detalhe num espaço muito pequeno (meu sketchbook atual é A5) e as coisas ficam borradas. Então ou eu começo a praticar "grande" de novo, ou utilizo esse sketchbook menor para fazer "detalhes maiores".

Se atenha a uma técnica para que você possa dominá-la -- não para que ela te domine. Assumo minha culpa: eu adoro assistir "Sketchbook Tours" no YouTube. Aí você vê aqueles sketchbooks que parecem uma explosão de cores, e quer fazer igual... E às vezes se dá mal como eu. Acho que se você vai usar seu tempo criativo pra produção de Sketchs, não tem problema misturar várias técnicas (ainda estou devendo um post sobre a diferença entre Sketch, Desenho e Ilustração). Mas se você está esperando melhorar em algo, não dá pra treinar assunto, técnica, composição e o diabo a quatro ao mesmo tempo. Tenho que ser mais comedida e aceitar voltar ao bom, velho e simples grafite por um tempo.

A maior dificuldade em continuar, são exatamente esses dias nos quais você se dedica, e o resultado é "Meh". Não dá pra mostrar pra ninguém e dizer "olha que bonito que eu fiz" -- não dá nem para dizer isso para si mesma e ganhar um tapinha nas costas. Vou assumir que é mais um tijolo no muro, e virar a página para o próximo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Contracapa e Contratempos

Não vou abusar do tamanho da imagem nesse post, porque não está grande coisa (sem ironia pretendida, rs). Sabendo que é difícil "começar" a primeira  página de um sketchbook, eu resolvi abusar dessa vez e começar pela contracapa -- tirar esse "sentimento de pureza" que todo caderno novo tem, com todas aquelas páginas em branco. E é incrível como meia dúzia de rabiscos são capazes de fazer você repensar a vida, o universo e tudo mais.

Fica claro porque eu acho que os desenhos inspirados em Zentangle são tão reconfortantes: eles nunca dão errado. Eles podem até não ser magníficos, fazer as pessoas exclamarem "puxa vida, nunca vi nada tão maravilhoso em toda minha vida!" (especialmente quando se é como eu, e se tem um "dom" pra não deixar contrastes suficientes), mas eles sempre "dão certo". Exatamente porque cada um é único, e não há base pra comparação, eles simplesmente são aquilo, e não há muito o que você possa reclamar ou dizer "bem, não era bem isso que eu estava esperando", até porque você não estava esperando nada sem ser preencher toda a página. Mas basta colocar "uma cabecinha" no mix pra você relembrar algumas coisas:
  1. Como se está enferrujada.
  2. Não era bem isso que você esperava.
  3. "Ai, saudades das minhas aulas regulares" -- e de ter verba destinada pra escolhe-las.
E aqui entram as minhas principais críticas a sketchbooks e porque eu vou tentar algumas coisas diferentes (de verdade) dessa vez. 

Não vou lembrar em qual vídeo sobre aprendizagem/treinamento/motivação eu ouvi isso recentemente, mas fez todo o sentido. O especialista dizia que "Practice don't make it perfect, it makes permanent" -- ou "A prática não traz perfeição, mas permanência". Ou seja, praticar errado não vai fazer você começar a fazer certo, mas fazer com que você internalize e repita para sempre os erros. É isso que eu sinto com essas cabecinhas desenhadas. Se eu olhar as cabecinhas desenhadas nos últimos 5 anos, nas mesmas condições (sem referências ou com referências ruins, finalizadas a nanquim quando a estrutura não estava pensada pra isso etc.), não há muito ganho em qualidade, e elas parecem sempre a mesma coisa -- o que é algo diferente do que, por exemplo, quando eu trabalho com referências melhores em um material que eu tenho melhor domínio. Por exemplo:

E pode ser uma coisa minha com "sketchbooks" ou mesmo da maneira como eu aprendi o que foi possível -- e aí os cursos que eu fiz tem um bom papel nisso -- mas eu não acho que sketchbooks sejam o melhor lugar para esse tipo de prática.

Existe algo realmente "liberador" em gastar pilhas de papel de impressão (sim, estou falando com você Chamequinho) em desenhos que não estão sendo feitos pra posteridade mas para realmente aprender algumas coisas. Para mim, sketchbooks ficam na zona intermediária entre o aprendizado por repetição e a produção de "peças finais", então são melhores quando você vai repetir algo que já está estabelecido na sua cabeça ao invés de explorar algo que não se está confiante ainda. Faz sentido? Não sei -- mas sei que isso é muito do que me faz não ser tão "prolífica" quando eu gostaria, exatamente pq não tem espaço físico (de tamanho mesmo, pq eu gosto de ter do A4 pra cima pra aprender) e dá a qualquer coisa mais permanência do que ás vezes eu gostaria. Resumindo, sketchboosk pra mim é pra "pré-obras", não tanto para estudo. E eu decidi que esse ano não vou lutar contra isso -- vou usar mais folhas soltas que eu possa amassar e jogar fora se não der certo, sem muito peso na consciência.

A próxima coisa, que eu vou considerar um pouco antes de me comprometer com um caminho é escolher um dos livros de desenho pra ser o companheiro de prática. Fico sempre tentando escolher o "livro ideal", baseado naquilo que eu gostaria mais de aprender no momento, mas o livro "ideal" não existe e eu acabo não usando nenhum. Acho que agora eu vou escolher um nem que seja para ter uma figura de autoridade contra a qual me rebelar, rs. Vou tentar escolher um até o final da semana, mais de volta ao básico: lápis no papel, e sem muitas técnicas ainda. Vamos ver!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Uma página (ou capa) por vez.


A doida do ZIA (Zentangle Inspired Art) ataca novamente. Tem que especificar isso porque, como eu descobri depois de comprar e praticar o livro "Desenho Zen", a palavra "Zentangle" é uma marca registrada pelos "criadores da técnica"... Outra hora podemos discutir por aqui essa mania que estadunidenses tem de pegar uma coisa da cultura geral, formatar num procedimento aleatório e patentear como sua "propriedade e criação" -- e as sérias implicações disso nas artes e na ciência -- mas por hora, vale dizer que o meu trabalho "INSPIRADO" em Zentangle continua.

Nessa hora, eu tenho certeza que "amadores" podem se dar a alguns luxos de "superstição" que não são reservados a profissionais -- por exemplo, cismar que os sketchbooks que você tinha separado até agora pra começar o ano não estavam com "a energia certa", e escolher começar um novo do zero, mais uma vez. E decorá-lo para ficar com a "vibração do ano" -- eu podia colocar aqui esse meme...


Seja como for, estou tentando, para o beneficio da minha sanidade, entender que; embora eu não saiba o porque de fazer essas coisas, a melhor prática continua sendo seguir um dia depois do outro. Uma página depois da outra. Por hora, começando pela capa do sketchbook. E no final das contas, em retrospetiva, é sempre mais interessante ver páginas rabiscadas com qualquer coisa do que perceber que o ano passou e as páginas ficaram em branco, então... Está valendo. 

Vamos ver que tipo de rabiscos esse sketchbook abrigará!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Começando Janeiro

Depois de uma longa temporada vivendo exclusivamente dentro da minha cabeça, consegui fazer "um rabisquinho" nesse final de semana, ainda nas terras do "Zentangle" -- não é o tipo de coisa que agrada muito nos "Instagrams da vida" como eu teho comprovado, mas é algo que controla um pouco o estresse. Se eu posso dar uma dica, seria apenas fazer esse tipo de coisa sempre em folha boa -- esse aí foi feito em um caderno de desenho mais "pobrinho" -- desses de cartografia que vendem em todas papelarias -- e a tinta vazou por mais umas duas folhas, rsrs. E olha que eu estava usando canetas hidrográficas bem calminhas, nada de marcador permanente.

Tenho passado uns dias bem "deprê" com relação a tudo criativo. Eu imagino que a batalha pra se manter produzindo qualquer coisa criativa é diferente para cada uma das pessoas mas, a minha ainda é "Por quê?". Com 39 anos, cada vez eu me preocupo mais que vou morrer sem ter conseguido responder essa pergunta. Por que gastar tempo fazendo esse tipo de coisa? Por que essa "vontade" de estar envolvida com algo desse tipo nunca me deixa? Por que fazer esse tipo de coisa com tanta coisa de casa pra fazer, conta pra pagar e isso nem de longe ajuda em algo desse tipo? Por que criar qualquer coisa nesses anos "trevosos" que nos encontramos em diversos aspectos?

Há algum tempo, conversando com uma amiga, nós discutíamos que o mundo está em uma pulsão de morte (Tânato), e que, na atual circunstância se você não se envolve ativamente na criação de algo, acaba se deixando levar por esses "humores" do mundo, quando vê está sem esperança, deprimido, ansioso. É assim que eu me sinto na maior parte do tempo, então TALVEZ o único porque que realmente importe no momento, seja esse. Trazer ao mundo algo minimamente esteticamente agradável, e atrasar, mesmo que seja em alguns segundos, o relógio da própria destruição.

Questionamentos sombrios por um rabisquinho não é? Provavelmente -- mas é como diz a minha biografia do Instagram: "Riscando páginas pra marcar a vida". Nem que seja para garantir que, por hora, ainda estamos aqui.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

De volta a cor...


Depois de quase 02 meses de Inktober, e muito preto e branco, finalmente algo com um pouco de cor... Não sei se vai muito além disso também -- quero ficar um tempo tentando ver o que é possível com uma caneta Bic quatro cores, já que uma coisa que o Inktober me mostrou é que limitar as escolhas nem sempre é algo ruim.

Como companhia, acabei montando um pequeno estoque desse Sketchbook da Amazon.com.br. Sempre que tem promoções especiais e eles fazem 3 livros importados por 2 no site, acabo pegando mais 3. Normalmente, o preço está por volta de 33 reais cada (o que já valeria a pena), mas nesses casos de promoção acaba saindo por 22 reais cada um. Ele é tamanho A5, espiral no topo (algo que eu também prefiro em relação aos encadernados) e com uma folha grossa o suficiente para mim (uns 120 g/m²), além de bem acetinada...

Depois de muito tempo tentado outros sketchbooks, cheguei a conclusão que essa é a combinação perfeita para o meu momento: fica ótimo desenhar a lápis, nanquim e canetas de todos os tipos -- durante o Inktober nenhuma vazou para o outro lado da página, algo que acontece regularmente quando eu uso o "Canson One", sketchbook padrão da Canson.

Das vantagens que só as pessoas doidinhas como eu compartilham: existe algo de libertador em você simplesmente virar a página e deixar tudo o que foi feito pra trás -- por mais que esteja tudo no mesmo caderno e você tenha um histórico, nessa composição eu não sinto que o que está sendo feito hoje precisa "ornar" com o que feio na página anterior... É sempre uma sensação de começar do zero, para o bem ou para o mal. Como eu continuo gostando de sketchbooks preenchidos dos dois lados, comecei a colar folhas soltas na página que fica em branco -- assim, a coisa fica mais "completa", sem vazar para o desenho de outro lado, que é algo triste dos meus sketchbooks antigos.

Revendo 2019

Nesse final de ano também, todas as plataformas começam a mandar suas retrospectivas -- e uma das que eu mais gosto é a do Spotify, que está na sequência. O gosto musical aqui não é o mais refinado ou antenado, mas se quiser experimentar o que se passa nesses ouvidos, uma amostra está na sequência.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O Gosto dos Outros


Posso oficialmente dizer que... TERMINEI. Tanto o Inktober, que acabou sendo feito em 2 meses (virou "Binktober", hehe... Me dá mais uma piada de pavê, por favor), quanto de rever a diagramação das postagens desse blog, desde o seu início nos idos de Setembro de 2002 até hoje. 

Tudo por conta do IFTTT, que durante anos fez esse meio de campo entre o meu Instagram e o Blogger, postando tudo -- ou quase tudo -- que eu postava por lá por aqui; só que. Depois de algum tempo eu percebi que todas as imagens postadas a partir do Instagram haviam sumido... E mesmo não sendo grande coisa, de que adianta um blog sobre sketchs que não tem imagens??

Então tive que entrar em mais de 03 anos de postagens para atualizar as imagens, o que demorou um pouco pelo desânimo que causou durante o processo. Hoje eu resolvi facilitar e, apesar de saber dos riscos de depender de outra ferramenta, resolvi incorporar as postagens do Instagram diretamente dele. Algo que acabou sendo bem mais rápido do que localizar imagens, baixar imagens, fazer upload novamente, adaptar o texto para o Blogger como eu vinha fazendo. Como já estava com a mão na massa, aproveitei para consertar a diagramação de todos os posts em que o texto estava correndo ao lado das imagens de forma irregular. Minha compulsividade de por alinhamento está satisfeita!

Mas agora vamos falar de coisa boa...

Repassando os trabalhos desse Inktober, e meu Instagram todo por conta dessa trabalheira, estava pensando em uma coisa recorrente: como aquilo que você mais gosta normalmente não se reverte naquilo que as pessoas em geral mais gostam. A ilustra que está nesse post, por exemplo, foi uma das minhas prediletas de todo processo -- mas nem arranhou a superfície do "bem querer" alheio em toda seleção. 

É claro que os outros só conseguem ver o resultado final -- enquanto a gente se alegra por várias etapas do processo que consegue melhorar em relação as tentativas anteriores -- mas mesmo assim é "curioso" tentar navegar nesses mares.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Resultados do Inktober 2019


Diz a lenda que, se o sketchbook não tem atualização, o blog também não tem. No entanto, essa situação está um pouco diferente há mais ou menos um mês: eu não só participei do Inktober, como tive a maior produção de todas as edições. Além disso, como me conscientizei que o Jake Parker (criador do Inktober) não paga as minhas contas, estou burlando essa restrição de "October" e finalizando os buracos que ficaram no sketchbook em dias específicos (ainda faltam 04 para fechar os 31, mas acho que essa semana acaba.

Nos últimos 5 dias, depois de improvisar minhas habilidades "zentangle" por mais de um mês, eu resolvi estudar formalmente, seguindo o livro (Desenho Zen). Resultado? Continuo nessa temática "estampas PB" que você vê por aqui... Achei que quando o mês acabasse, eu estaria explodindo em cores para contrabalancear mas... Estou meio Jonny Cash da vida, o preto está caindo bem.

Se pudesse incluir música no perfil do Instagram, e incluia essa sem remorsos:

The Rolling Stones - Paint It, Black (Official Lyric Video)
https://youtu.be/O4irXQhgMqg

terça-feira, 16 de julho de 2019

Rascunhos em Rosa...

Mais uma cabeça para a coleção de cabeças.
Segunda coisa mais rabiscada depois de cabeças.

Faz um bom tempo que eu fiz esses dois -- o primeiro, no caderninho de rascunho que eu comprei na Miniso (não vou chamar de sketchbook, já que o papel briga com lápis de desenho, rs) e o segundo foi a divisória inicial do meu Bullet Journal que acabou de acabar...

Estou meio distante de qualquer tipo de sketch. Primeiro por conta do Blog novo (o Omni Journal Brasil, onde eu falo de cadernos e journaling -- mais em breve), depois pelos freelas ganha pão e terceiro... Desânimo.

Gosto muito de fazer esses rabisquinhos -- tanto que toda vez que começo a ficar mais produtiva neles começo a me questionar por que não estou fazendo mais deles (boletos? Obrigações? Tudo um pouco?) e digamos que "esse sorriso vai ser mau pros negócios", como diria a Satine em Moulin Rouge (puxei do baú agora, não?).

Vou assumir o modo "meio deprê pós apocalíptico" para dizer uma coisa: às vezes eu fico pensando que quando eu ficar mais velha -- se eu chegar a tanto -- eu vou passar o fina dos meus dias lamentando não ter feito mais isso. Eu não gostaria dessa sensação para mais ninguém. Então se for o seu caso, corre para o seu caderno e desenha.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Is there anyone in home?

Tudo que vocês perderam no Instagram -- não foi grande coisa.
Quase um ano fora! Alguém sentiu a minha falta? Não faz mal... Estou de volta desse lugar confortavelmente entorpecido da falta de postagens... A verdade? Eu não sabia o que escrever, e não estava fazendo um único rabisquinho para compartilhar. É difícil falar sobre criatividade no cotidiano quando não se está criando nada.

Para mim, sempre foi muito claro o meu principal foco por aqui: falar com quem quer começar ou continuar a desenhar, depois dos 30, cambaleando todas as obrigações com isso -- se você não está nessa faixa, não tem problema, mas saiba que meu foco não está em como monetizar a atividade artística, nem como fazer uma carreira disso. Eu queria apenas um espaço seguro para as pessoas encararem isso como hobby. Mas no último ano ficou claro pra mim: brasileiros não tem hobbies.

Não é nenhuma característica exclusivamente cultural. É o resultado da vida -- quando as contas não fecham com o emprego formal (ou principal, melhor dizer assim), é natural que qualquer coisa realizada de apoio seja pensada pra criar uma renda extra. Então falta, além de tempo, dinheiro para investir num hobby. Além disso, existem algumas definições "acadêmicas" que são necessárias para um hobby: a busca de maestria, a regularidade. Fazer algo esporádico e sem critérios não é um hobbie -- é uma atividade de lazer. Nada errado com isso, mas é difícil "falar a sério" sobre uma diversão esporádica.

E eu sinceramente não sei se existe por aí muita gente que queira o mesmo que eu com o desenho... Não sei nem se dá pra encher um Uber compartilhado com elas. Eu vejo o pessoal que se reúne nos finais de semana pra comer umas guloseimas e desenhar em cafés e casas de chá nos encontros da Sketchbook Skool na Europa e Estados Unidos e dá uma invejinha... Da atividade, e de viver num lugar em que você pode ficar sentado duas horas desenhando com um pedaço de bolo e café na mesa sem que alguém lhe jogue olhares tortos de "vai liberar a mesa ou não". Sinto que a gente vive num lugar que não é muito afeito para a socialização...

Há alguns meses, pensei em montar um sketchponto... Cheguei a pensar em convidar algumas amigas pra levar os cadernos, os materiais, sentar e desenhar... Numa manhã de sábado. Poderia levar umas xerox pra orientar alguns exercícios pra quem quisesse aprender a desenhar coisas específicas mas... E lugar? Vamos sentar nos parques que são poucos, e poucos bancos tem? Invadir uma cafeteria e lidar com o desconforto? Sentar em algum SESC? Disputar um chãozinho no Centro Cultural. Sinto que faltam alternativas.

Então por hora, comprei um caderninho de notas da Miniso -- como se eu precisasse de mais um sketchbook -- e comecei a rabiscar... Rabiscar mesmo. Espero que por pegar um caderno que está no meio termo entre algo muito barato que me faz sofrer (folhas finas demais são um horror) e algo caro que eu não tenho coragem de usar, eu consiga romper esse limite de "tudo tem que ser lindo", que faz com que eu não faça nada. Mas reconheço: sinto falta de uma estrutura, como a de uma aula, que me force a fazer algo orientado.

Nesse ponto, ser uma Designer Instrucional é contraproducente -- eu realmente acho que é possível criar uma trilha de aprendizagem pra desenho/pintura na minha vida -- mas são tantos temas, e temas tão amplos, que eu simplesmente não consigo estruturar tudo numa linha de aprendizagem. E mesmo quando eu consigo minimamente planejar uma trilha inicial, eu me rebelo demais com meu próprio plano. Começo falando que vou treinar formas básicas e grafite, e quando vejo estou desenhando pessoas em nanquim... Não me obedeço.

Faz um tempo que cheguei a conclusão que Aprender a Desenhar e Pintar de forma efetiva requer 04 etapas (qualquer dia falo delas), mas me revolto constantemente na hora de colocá-las em prática. Espero um príncipe artista que chegará com um cavalete em branco para me salvar. Só que ele não vem, e eu continuo confortavelmente entorpecida no meu marasmo.

Pink Floyd - Comfortably Numb Pulse HD - 125kbps, 44KHz Audio
https://youtu.be/vi7cuAjArRs