quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Referência, Paciência e Consciência

Gosto de pensar que a moça está dizendo "Sério que você desenhou a minha mão assim?", rs. Sempre me surpreende que a qualidade do que eu desenho muda significativamente de um rabisco pra outro, e a questão cronológica não tem nada com isso -- posso pegar coisas de anos atrás muito melhor do que hoje, e vice versa.

Hoje em dia eu já aceitei que algumas coisas influenciam
  • Referências e Biblioteca Mental.
  • Paciência no momento do desenho.
  • Integração dos materiais escolhidos.
Por exemplo: Esse sketchbook da Canson não reage muito bem com lápis -- ele é mais poroso, então é melhor pra esfumaçar as coisas ou, se você quer fazer desenhos com linhas mais definidas, precisa no máximo utilizar uma lapiseira 0.5.

Como estou fora de casa esses dias, meus materiais estão um tanto quanto limitados -- assim como meu acesso a referências e meu estoque de paciência, então... Nada muito significativo é produzido.

Não consigo deixar de sonhar com a semana entre o Natal e o Ano Novo... Com nenhuma responsabilidade séria com terceiros, em casa, podendo simplesmente colocar uma música, um filme e rabiscar descompromissadamente sem ninguém encher o saco...

Eu sei, eu sei... Pura situação imaginária.
Mas desses sonhos vivem os sketchers diletantes.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não é toda prática que leva a perfeição...

Teoricamente eu sei o que eu deveria estar fazendo. Deveria estar selecionando um determinado assunto ou tema (figura humana, anatomia, poses etc.), selecionando uma série de referências, praticando rascunhar a partir dessas referências até aumentar a memorização das formas na minha biblioteca mental, e depois trabalhar esse mesmo assunto/tema em diversas técnicas, para praticar melhor cada uma delas (lápis, aquarela, nanquim, lápis de cor... O que desse vontade de praticar).

Mas na prática, isso não acontece. Não, como já visto, porque eu não saiba o que devo fazer, mas porque no final de um dia cheio de outras obrigações, eu resolvo separar no máximo uma meia hora pra rascunhar alguma coisa antes de cair de sono no dia com a sensação de que eu não fiz nada por mim... Ou seja, no final, embora eu tenha "praticado", isso não confere tanta melhoria -- a prática para evoluir é outra (deliberada e verificável). A realidade, no final das contas, é bem mais triste do que o sonho de ter tempo e espaço para dedicar a isso -- mesmo que, por hora, essa não seja uma atividade com potencial de sustentar a vida financeiramente.

 Durante muito tempo eu me debati com a ideia do por quê? Por que uma mulher que já passou dos trinta há um bom tempo, e que não ganha dinheiro com isso, deveria investir mais tempo em dinheiro em uma atividade como essa, sem nenhuma contrapartida financeira... Vou mesmo ficar comprando material, sentando pra fazer esse tipo de rabisco quando tem projeto na fila, louça pra lavar, casa pra arrumar?

Atualmente eu ainda não achei uma resposta que me satisfaça 100% -- mas uma coisa eu sei: eu não tenho escolha. Eu posso viver dividindo o tempo entre isso e todo o resto... Ou posso murchar pra tudo. Fechar isso dentro de uma caixinha de deixar pra lá não é uma opção.

Talvez esse tipo de coisa são seja simplesmente um dom.
Talvez seja apenas maldição -- que nada mais é que um dom ou talento que ainda não encontrou expressão.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Saindo do Bode do Inktober!

Estou me esforçando para sair do "Bode" do Inktober -- desde o final do desafio, bateu um "Meh!!!" que não me deixava animada a rabiscar nada... Mas aí o tempo passou, lembrei que eu ainda tenho essa meta maluca de terminar esse sketchbook até o final do ano então... Vamos lá. As semanas estão corridas -- e acho que estarão assim até o Natal -- então qualquer rabisquinho já me deixa feliz.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O que aprendi com o Inktober 2017?

Resultado do Inktober 2017
O que aprendi com o Inktober 2017? Em primeiro lugar, que está difícil aprender qualquer coisa ultimamente, rsrs.  Eu comecei o Inktober bem animada: preparei caderno especial, escolhi as tintas e o material; diferente do ano passado peguei algumas referências para não morrer na terra do "O que é que vou desenhar?" e a coisa foi muito bem até um pouco mais do meio do mês...

Mas caminhando para o fim do mês... Deu bode! Poderia dizer um milhão de coisas que também impactaram (Isso tomar quase 02 horas num dia cheio, e muitas vezes acontecer no mesmo horário da rotina de sono da minha filha, entregas malucas de projetos que não permitiam duas horas por dia desenhando etc), mas dizer que "deu bode" é de longe a mais precisa.

Isso não significa que não ficaram algumas lições aprendidas... No caso, duas:

1. Não compre papel porcaria!
Existe uma, e apenas uma situação, na qual é aceitável desenhar em papel porcaria: você está no início do início da aprendizagem, precisa praticar com um alto volume de desenhos (e tem tempo para um alto volume de desenhos) e não quer gastar muito. E aqui, a chave é "vai desenhar muito". Por quê? Se você é como eu, e no máximo consegue alocar entre 30 minutos a uma hora por dia de desenho (ou seja, no máximo 7 horas por semana), você não vai conseguir fazer muitos desenhos por semana -- se forem num nível rascunho, difícilmente mais que uns 14 (1 a cada 30 minutos), se for um levemente mais acabado, não mais que 7 (um a cada hora) -- e aqui eu estou sendo generosa demais, pq se eu produzisse 7 desenhos meia boca por semana estaria saltitando de alegria com uma produção de aproximadamente 30 desenhos por mês.

Agora vamos a matemática da coisa (que eu sei que não é a parte favorita das demais pessoas de humanas que não fizeram um colégio de Exatas, rs):

Desenhando melhorzinho
  • 30 desenhos por mês = 02 blocos de 20 folhas de um papel minimamente bom (e ainda sobram dez folhas pra guardar ou refazer algo que tenha ficado muito ruim).
  • Como minimamente bom, estou considerando um Canson C Grain 220g, que vc compra por 12,90 a 15,90 um bloco.

Desenhando rascunhado
  • 60 desenhos por mês = 02 blocos de 50 folhas de um papel de desenho 90g (algo que custa entre 3,90 a 5,90 cada, e que ainda vai deixar umas 40 folhas de reserva).
Então eu lhe pergunto, como perguntei para mim mesma: pq desenhar em papel tranqueira? A menos que as finanças estejam mesmo muito mais muito mal, gastar 30 reais por mês com folha boa não deveria ser um problema... Ou seja, não deveria causar tanto preciosismo (até pq não vai ser R$ 20,00 por mês... Vai ser no máximo a cada 2,3 meses se a produção for assim limitada).

O que aconteceu no meu caso com o papel do Inktober?
Ano passado, fiz os desenhos em Bristol da Canson (um opaline de melhor qualidade vendido pela Canson, 180g/m², bem liso e brilhante). Ele foi muito "carinhoso" com os meus erros, e encobriu a maior parte deles.  Esse ano, o Bristol da Canson estava em falta e eu achei que tudo bem fazer o caderno do Inktober todo em papel Lay-out 240g/m², bem mais grosso. Para quem não está familiarizado, layout é um papel offset -- o mesmo das gráficas, ou um "sulfite industrial" rs -- nessa gramatura, algo cerca de 3 vezes mais grosso que uma folha de sulfite comum. Parecia uma boa ideia mas:
  • O papel apagava pessimamente (de levantar bolinha no papel).
  • Toda vez que usei fita crepe, metade do branco do papel ficou na fita.
  • Ele não gostou dos meus erros: todas as marcas e pinceladas do nanquim vermelho apareceram, e secavam em tons diferentes.
Esperar um ano inteiro pelo desafio pra ver seu esforço de 2 horas diárias ser piorado pelo papel é muito frustrante.

2. Pra desenhar melhor é preciso... Desenhar mais.
Ok, eu não precisava do Inktober para descobrir essa mas... Ele ajudou a refletir bastante sobre isso. Quando você começa a cometer os mesmos erros, dia após dia, das duas uma: ou os abraça ou faz algo pra mudá-los... Foram muitos "Sério que vc vai fazer essa orelha assim de novo? Vc já percebeu que os planos desse rosto não estão claros né? Olhos nivelados, quem precisa deles?". Preciso voltar para o mais básico do lápis, eu sei.

Resumindo:
Ainda considero que o Inktober desse ano foi um avança a série: tenho tentado participar do Inktober direito desde 2014, e os números da produção tem aumentado todo ano (e gosto de acreditar que a qualidade também). Então ainda tenho esperanças que o ano que vem vai ser melhor... 
 Torçamos!