quinta-feira, 12 de abril de 2018

Rage Against the Artistic -- Como evitar?

Postagens Recentes do meu Instagram, em: https://www.instagram.com/prixdekanun/
Tenho plena consciência do ridículo que é dizer que está de volta em 25 de Janeira e ficar praticamente 3 meses sem postar nada. Por essa falha, me desculpem. 

Pra dizer a verdade, 2018 me trouxe sentimentos em relação ao meu "fazer artístico" (se é que eu posso chamar assim), que há tempos eu não sentia... O principal deles:


Parece doido dizer que uma prática a qual a gente normalmente recorre pra relaxar venha causando esse efeito, mas é verdade. Estou sempre com raiva. E pra ser sincera, nem me incomoda tanto essa questão de "relaxar", porque eu sempre considerei isso um efeito colateral, não meu principal objetivo mas... Estou com raiva, sempre.

Raiva te estar em um ponto do meu desenvolvimento em que viver disso, sobre qualquer forma, não é uma opção. Raiva de todo o resto da vida ter prioridade sobre isso -- então pilhas de sketchbooks, caixas de materiais e referências se tornam inquisitivas e não inspiradoras. O sketchbook ao meu lado me dá a entender muito mais um "E aí? Nada de novo não é?" do que um "Venha aqui amiguinha!"

E então eu sigo feeds de artistas e ilustradores, e eles me parecem tão perdidos sob o ponto de vista de marketing/business do seu próprio fazer artístico, e fico com raiva do "Deus dá asas pra quem não sabe voar". Acompanho os grupos de Desenho do Facebook e é tanto erro primário de português, tanta gente perguntando "lápis bom pra desenho realista" (naquele nível "o material mágico que vai mudar a minha vida"), que a minha raiva com um setor que quer reconhecimento profissional mas ainda é tosco em todos os demais aspectos ainda piora.

Por último, tenho raiva de mim -- principalmente pq eu sei o que gera toda essa raiva: CONSUMIR DEMAIS, PRODUZIR DE MENOS.

Raiva e Indigestão Informacional

Feeds da artististas no Twitter, Facebook e Instagram são legais -- inpiram e fazem babar, na maior parte das vezes. Vídeos de "Sketchbook Tour" no Youtube também são legais -- mas quando você quer desenhar e pintar, nada substitui ter um sketchbook ou pasta cheios e poder dizer "olha tudo o que eu fiz no último mês". Se você não tem esse registro, se você não sabe o que está fazendo e onde está indo, é normal que a frustração se instale. E da frustração para a raiva é um pulo.

O consumo dessas informações, no final das contas, se assemelha bastante ao consumo de comidas com alto teor de carboidrato e gorduras -- na hora pode até parecer uma delícia, mas a indigestão e o mal estar que provocam, quase sempre não valem a pena.

Menos é mais

Outro aspecto importante da prática artística é o foco: saber o que você quer fazer e onde está indo. Tenho comprometido essa questão desde o meu último Inktober. Eu adoro essas artes com linhas bem marcadas. Essa gente que desenha só com tinta e faz trabalhos super detalhados que não precisam de aplicação de tons para serem compreensíveis. Gente que é "boa de linha" -- o que não é o meu caso. Eu tenho tentado, mas falta bagagem. Insistir nisso (e de maneira meio aleatória como eu tenho feito, tem me frustrado bastante).

E desenho e pintura são áreas de estudo em que a frustração são constantes se o objetivo não for traçado com cuidado. São tantas coisas e assuntos para aprender e praticar, tantas técnicas, que se você não tomar cuidado desiste por se perceber com proficiência mínima em todas. Quando eu era menor, e queria colecionar os livros da Globo sobre desenho e pintura, tinha essa ilusão de que seria uma "artística completa" quando dominasse todo aquele conjunto de coisas... Que uma artista completa saberia pintar a óleo, aquarela, acrílica, guache, lápis de cor, pasteis -- e que exibiria igual proficiência em temas como figura humana, paisagens, animais, naturezas mortas. E embora eu saiba hoje em dia o quanto isso é irreal, racionalmente, eu admito: uma parte importante de mim ainda sente que isso é verdadeiro, e faz com que eu oscile... Ora eu faço algo mais estlizado, próximo ao cartoon, outras horas eu faço algo com ambições mais realistas.

E nessa indecisão de temas, materiais e abordagens eu fico sempre patinando aos trancos e barrancos na mediocridade em todos eles. Resultado? Mais frustração, e mais raiva.


Mais um componente que eu não sei o nome

Além de tudo isso, existe mais um "componente da raiva" que eu não consigo identificar. Eu sei que está relacionado com essa coisa de todo mundo com ambições artísticas abaixo de 25 querer ser ilustrador enquanto desenha o mesmo tipo de coisas no Instagram e com o fato de todo mundo acima de 35, quando mantém esse "fazer artístico" assume esse mote "Sketchbook Skool" de "qualquer coisa tá valendo, o que vale é a experiência". Fico irritada com essa dicotomia de uma fase em que tudo se justifica na construção de uma carreira e que depois de certa idade "o importante é participar" -- como quem diz "se não é por dinheiro, qualquer coisa tá valendo".. Como se fosse meio "criminoso" buscar a excelência em algo que não tem finalidade profissional/financeira imediata. Um "culto ao amadorismo tosco", por assim dizer -- que só é um hobbie se for feito nas coxas e sem grandes expectativas.

Resumindo...

Como evitar essa raiva? Boa pergunta. Ainda estou no processo de tentar vencê-la. Mas algo me diz que parar de consumir tanto a produção alheia (seja de trabalho, seja de ideias) e focar mais na minha prática e consistência, terá um impacto benéfico em tudo isso.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

E estamos de volta...

Estou virando a Tia do Zentangle!
A ideia inicial depois do último post de 2017 era ficar um tempo "de férias". Não postar nada, apenas pensar na vida, fazer um apanhado de tudo que eu andei fazendo e pensando em 2017. Mas esse tempo acabou se prolongando mais do que o esperado... E aí quando você vai ver, não sabe ao certo sobre o que falar, quando falar... E vai atrasando o seu retorno. Coisa básica de procrastinador profissional.

Mas agora estou de volta!!!

O inicio de 2018 não foi tão cheio de enrolação quanto o de 2017, mas ainda não foi um marco da produção como eu esperava. Algumas novidades aconteceram, que eu vou tratar em mais detalhes em posts futuros.

1 - Estou com essa mania de rabiscos que você vê na imagem que ilustra o post. Não estou fazendo coisas muito figurativas, apenas brincando com as canetas nanquim e as canetas pincéis. O que me leva a...

2 - Uma nova maneira de praticar. Fiz uns testes em alguns dias sobre incluir uma fase de "aquecimento" no desenho... Escolhi um caderno de desenho bem baratinho (desses de papelaria escolar mesmo) apenas pra fazer rabiscos de aquecimento por uns 15 minutos... Rabiscar espirais, elipses, linhas, formas, padrões, sombrear um pouco. A ideia (que eu preciso testar mais pra ver se é realmente proveitosa como eu acho) é tirar um pouco do "nervoso" que eu sinto quando pego o sketchbook e não sei o que fazer, e além de tudo estou enferrujada. Depois desses 15 minutos eu já estou mais "calma" pra pegar um tema de prática normal, ou desenhar algo de cabeça sem tanta ansiedade (que normalmente se reflete no papel). Existem umas fases adicionais que eu preciso colocar em prática mas vamos vendo.

3 - Encerrei a minha assinatura no Drawing Tutorials Online. Ainda amo, mas ficou caro pro meu bolso (pelo menos anualmente). Falo mais a respeito no futuro.

4 - Fiz a inscrição no SVSLearn (o site de ensino do criador do Inktober, com outros profissionais de ilustração e desenho). Em fevereiro já estou cancelando a assinatura pq a qualidade do site ficou BEM aquém do que eu esperava.

5 - Sketchbooks escolhidos. Em 2017 eu demorei pra escolher um sketchbook para começar o ano... Em 2018 eu liguei o dane-se e decidi usar todos os que já estão rabiscados e mais alguns -- isso não necessariamente se refletiu ainda no volume de produção (ou sequer na qualidade dela).

6 - Entrei em um grupo de Desenho Realista no Facebook que me dá nos nervos. Eu faço parte de 03 grupos de desenho/pintura/ilustração no Facebook que são fantásticos e só me dão alegria: um fechado que eu dei a sorte de entrar anos atrás quando eles não eram tão fechados assim (com artistas fantásticos, a maioria inclusive autores de livros de lápis de cor), o da SketchBook Skool e o EveryDay Matters (esses dois são basicamente o mesmo tipo de pessoas, e a vibe de todo mundo é muito boa). Aí eu não sei como (realmente não sei), acessei o Facebook pra ver notificações e quando vejo estou na página desse grupo de desenho realista no qual você precisava solicitar a participação (o que costuma ser um filtro bom... Ledo engano. Tem gente de todos os níveis de desenvolvimento, algo que não seria necessariamente ruim se conseguissem manter o mesmo nível de respeito com todos, se a maioria soubesse escrever "lápis" -- acredite -- e se não tivesse tread de discussão sobre como sulfite é bom para desenho realista. Dizem que quando você se enerva absurdamente com algo é sinal de algo sobre o qual deveria agir... Mas aqui eu não sei muito bem o que fazer.

É isso, em resumo.
Em breve, as coisas mais detalhadas, de uma maneira que seja útil para todos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O que fazer com o desânimo!?

Por mais que eu tenha me comprometido a postar todo e qualquer rabisquinho por aqui e por mais que eu saiba que tudo que se faz é evolução... Às vezes cansa não é mesmo?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pequenas Práticas

Com esse rabisquinho eu totalizo 90 rabisquinhos no ano... Sabe o que isso signifca? Que dentro do meu acompanhamento anual -- meus álbuns no Flickr onde eu acompanho a produção anual desde o que eu encontrei nos meus arquivos a partir de 1994-- esse é o meu terceiro ano mais "produtivo", ficando atrás dos anos de 2001/2002 (um pacote que eu não consegui desmembrar) e do ano de 2008.

Isso é legal e igualmente triste... Pensar que em quase 365 dias no ano eu fui capaz de rabiscar alguma coisinha (que na maioria das vezes não totalizou nem uma hora) 90 vezes... Menos de 90 horas do ano... Menos de 12 dias úteis dedicados, me desanima. Acho difícil que eu não tenha gastado mais horas no ano com coisas mais inúteis e insignificantes como jiboiar na frente da TV, ou de braços cruzados curtindo uma raiva da vida...

E assim como se estala os dedos, a vida passa e você percebe que não fez quase nada -- um quase nada melhor do que em muitos anos, mas mesmo assim... Quase nada. Para 2018 eu estou pensando em aplicar algumas técnicas de acompanhamento da produção mais simples e dedicadas, acompanhando num planner os dias em que eu fiz alguma coisa (e o que fiz), tentando dedicar 15 minutos diários em um horário fixo (pelo menos) e preparando algumas referências para estudo com antecedência.

Quem sabe assim, além de produzir um pouco mais, eu também melhoro a prática e amplio a qualidade dos resultados.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Referência, Paciência e Consciência

Gosto de pensar que a moça está dizendo "Sério que você desenhou a minha mão assim?", rs. Sempre me surpreende que a qualidade do que eu desenho muda significativamente de um rabisco pra outro, e a questão cronológica não tem nada com isso -- posso pegar coisas de anos atrás muito melhor do que hoje, e vice versa.

Hoje em dia eu já aceitei que algumas coisas influenciam
  • Referências e Biblioteca Mental.
  • Paciência no momento do desenho.
  • Integração dos materiais escolhidos.
Por exemplo: Esse sketchbook da Canson não reage muito bem com lápis -- ele é mais poroso, então é melhor pra esfumaçar as coisas ou, se você quer fazer desenhos com linhas mais definidas, precisa no máximo utilizar uma lapiseira 0.5.

Como estou fora de casa esses dias, meus materiais estão um tanto quanto limitados -- assim como meu acesso a referências e meu estoque de paciência, então... Nada muito significativo é produzido.

Não consigo deixar de sonhar com a semana entre o Natal e o Ano Novo... Com nenhuma responsabilidade séria com terceiros, em casa, podendo simplesmente colocar uma música, um filme e rabiscar descompromissadamente sem ninguém encher o saco...

Eu sei, eu sei... Pura situação imaginária.
Mas desses sonhos vivem os sketchers diletantes.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não é toda prática que leva a perfeição...

Teoricamente eu sei o que eu deveria estar fazendo. Deveria estar selecionando um determinado assunto ou tema (figura humana, anatomia, poses etc.), selecionando uma série de referências, praticando rascunhar a partir dessas referências até aumentar a memorização das formas na minha biblioteca mental, e depois trabalhar esse mesmo assunto/tema em diversas técnicas, para praticar melhor cada uma delas (lápis, aquarela, nanquim, lápis de cor... O que desse vontade de praticar).

Mas na prática, isso não acontece. Não, como já visto, porque eu não saiba o que devo fazer, mas porque no final de um dia cheio de outras obrigações, eu resolvo separar no máximo uma meia hora pra rascunhar alguma coisa antes de cair de sono no dia com a sensação de que eu não fiz nada por mim... Ou seja, no final, embora eu tenha "praticado", isso não confere tanta melhoria -- a prática para evoluir é outra (deliberada e verificável). A realidade, no final das contas, é bem mais triste do que o sonho de ter tempo e espaço para dedicar a isso -- mesmo que, por hora, essa não seja uma atividade com potencial de sustentar a vida financeiramente.

 Durante muito tempo eu me debati com a ideia do por quê? Por que uma mulher que já passou dos trinta há um bom tempo, e que não ganha dinheiro com isso, deveria investir mais tempo em dinheiro em uma atividade como essa, sem nenhuma contrapartida financeira... Vou mesmo ficar comprando material, sentando pra fazer esse tipo de rabisco quando tem projeto na fila, louça pra lavar, casa pra arrumar?

Atualmente eu ainda não achei uma resposta que me satisfaça 100% -- mas uma coisa eu sei: eu não tenho escolha. Eu posso viver dividindo o tempo entre isso e todo o resto... Ou posso murchar pra tudo. Fechar isso dentro de uma caixinha de deixar pra lá não é uma opção.

Talvez esse tipo de coisa são seja simplesmente um dom.
Talvez seja apenas maldição -- que nada mais é que um dom ou talento que ainda não encontrou expressão.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Saindo do Bode do Inktober!

Estou me esforçando para sair do "Bode" do Inktober -- desde o final do desafio, bateu um "Meh!!!" que não me deixava animada a rabiscar nada... Mas aí o tempo passou, lembrei que eu ainda tenho essa meta maluca de terminar esse sketchbook até o final do ano então... Vamos lá. As semanas estão corridas -- e acho que estarão assim até o Natal -- então qualquer rabisquinho já me deixa feliz.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O que aprendi com o Inktober 2017?

Resultado do Inktober 2017
O que aprendi com o Inktober 2017? Em primeiro lugar, que está difícil aprender qualquer coisa ultimamente, rsrs.  Eu comecei o Inktober bem animada: preparei caderno especial, escolhi as tintas e o material; diferente do ano passado peguei algumas referências para não morrer na terra do "O que é que vou desenhar?" e a coisa foi muito bem até um pouco mais do meio do mês...

Mas caminhando para o fim do mês... Deu bode! Poderia dizer um milhão de coisas que também impactaram (Isso tomar quase 02 horas num dia cheio, e muitas vezes acontecer no mesmo horário da rotina de sono da minha filha, entregas malucas de projetos que não permitiam duas horas por dia desenhando etc), mas dizer que "deu bode" é de longe a mais precisa.

Isso não significa que não ficaram algumas lições aprendidas... No caso, duas:

1. Não compre papel porcaria!
Existe uma, e apenas uma situação, na qual é aceitável desenhar em papel porcaria: você está no início do início da aprendizagem, precisa praticar com um alto volume de desenhos (e tem tempo para um alto volume de desenhos) e não quer gastar muito. E aqui, a chave é "vai desenhar muito". Por quê? Se você é como eu, e no máximo consegue alocar entre 30 minutos a uma hora por dia de desenho (ou seja, no máximo 7 horas por semana), você não vai conseguir fazer muitos desenhos por semana -- se forem num nível rascunho, difícilmente mais que uns 14 (1 a cada 30 minutos), se for um levemente mais acabado, não mais que 7 (um a cada hora) -- e aqui eu estou sendo generosa demais, pq se eu produzisse 7 desenhos meia boca por semana estaria saltitando de alegria com uma produção de aproximadamente 30 desenhos por mês.

Agora vamos a matemática da coisa (que eu sei que não é a parte favorita das demais pessoas de humanas que não fizeram um colégio de Exatas, rs):

Desenhando melhorzinho
  • 30 desenhos por mês = 02 blocos de 20 folhas de um papel minimamente bom (e ainda sobram dez folhas pra guardar ou refazer algo que tenha ficado muito ruim).
  • Como minimamente bom, estou considerando um Canson C Grain 220g, que vc compra por 12,90 a 15,90 um bloco.

Desenhando rascunhado
  • 60 desenhos por mês = 02 blocos de 50 folhas de um papel de desenho 90g (algo que custa entre 3,90 a 5,90 cada, e que ainda vai deixar umas 40 folhas de reserva).
Então eu lhe pergunto, como perguntei para mim mesma: pq desenhar em papel tranqueira? A menos que as finanças estejam mesmo muito mais muito mal, gastar 30 reais por mês com folha boa não deveria ser um problema... Ou seja, não deveria causar tanto preciosismo (até pq não vai ser R$ 20,00 por mês... Vai ser no máximo a cada 2,3 meses se a produção for assim limitada).

O que aconteceu no meu caso com o papel do Inktober?
Ano passado, fiz os desenhos em Bristol da Canson (um opaline de melhor qualidade vendido pela Canson, 180g/m², bem liso e brilhante). Ele foi muito "carinhoso" com os meus erros, e encobriu a maior parte deles.  Esse ano, o Bristol da Canson estava em falta e eu achei que tudo bem fazer o caderno do Inktober todo em papel Lay-out 240g/m², bem mais grosso. Para quem não está familiarizado, layout é um papel offset -- o mesmo das gráficas, ou um "sulfite industrial" rs -- nessa gramatura, algo cerca de 3 vezes mais grosso que uma folha de sulfite comum. Parecia uma boa ideia mas:
  • O papel apagava pessimamente (de levantar bolinha no papel).
  • Toda vez que usei fita crepe, metade do branco do papel ficou na fita.
  • Ele não gostou dos meus erros: todas as marcas e pinceladas do nanquim vermelho apareceram, e secavam em tons diferentes.
Esperar um ano inteiro pelo desafio pra ver seu esforço de 2 horas diárias ser piorado pelo papel é muito frustrante.

2. Pra desenhar melhor é preciso... Desenhar mais.
Ok, eu não precisava do Inktober para descobrir essa mas... Ele ajudou a refletir bastante sobre isso. Quando você começa a cometer os mesmos erros, dia após dia, das duas uma: ou os abraça ou faz algo pra mudá-los... Foram muitos "Sério que vc vai fazer essa orelha assim de novo? Vc já percebeu que os planos desse rosto não estão claros né? Olhos nivelados, quem precisa deles?". Preciso voltar para o mais básico do lápis, eu sei.

Resumindo:
Ainda considero que o Inktober desse ano foi um avança a série: tenho tentado participar do Inktober direito desde 2014, e os números da produção tem aumentado todo ano (e gosto de acreditar que a qualidade também). Então ainda tenho esperanças que o ano que vem vai ser melhor... 
 Torçamos!

sábado, 14 de outubro de 2017

Quem guarda os guardiões? Provavelmente não você!

Inktober 2017, Dia 13.

Esse post se utiliza de um tanto de "linguagem adulta" -- se você se ofende com esses usos, recomendo parar a leitura por aqui... Que hoje o desabafo está queimando no sangue.

Existem algumas vantagens em ter um blog no cantinho do mundo, onde ninguém sabe que ele existe: poder opinar sobre as tretas que você vê por aí, sem aumentar a marola que elas geram. Uma "treta" recente do mundo dos rabiscadores foi com relação ao Inktober e o posicionamento de seu criador sobre o desafio dever ser preferencialmente realizado em tinta, e não em digital. Nem vou entrar muito no mérito muito dessa parte da questão, pq o meu posicionamento é bem quadradinho aqui... É claro que deveria ser realizado a tinta... A coisas chama Inktober! Não gostou? Tudo bem... Cria um "Digitober"; faz em digital e taca um "FDS Jake Paker, não vou me submeter aos seus caprichos!". Só não fica choramingando como se o criador de um desafio de arte final em tinta tivesse como obrigação unir todos os grupos em um desafio específico... Não tem... Ou será que alguém vê anúncio de desafio de "Corrida 5K" e sai perguntando se pode ir de bicicleta? Trotando? De patins?". 

Mas a coisa que "levantou os nervos" mesmo hoje foi o tread de uma ilustradora nacional, falando o que tem percebido no Inktober desse ano. Coisa número 1: muita cópia, Coisa número 2: muita falha de anatomia... E mais algumas outras coisas. Sabe porque me enerva? Pq grande parte das "ilustradoras" nacionais estão nessa zona cinza entre desenhistas e artistas plásticas, não tanto como ilustradoras, e querem ficar cagando ditando regra sobre como deve ser a prática artística alheia -- se você for cutucar mais um pouco nesses casos, cai naquele velho "essas coisas desvalorizam os profissionais do mercado", como se isso justificasse o discurso... E não justifica. Por diversos motivos.

Ilustrador é um termo profissional para quem ilustra comercialmente.
Já que vamos ser "fiéis" as raízes como todo mundo quer, sabe quem pode se dizer "ilustrador"? Quem trabalhar, comercial e de maneira remunerada, com ilustração. Não é quem enche sketchbooks com artes (por mais lindas que sejam), monta blog, tem canal no YouTube etc... Se você está fazendo tudo isso e ninguém te paga para ilustrar uma coisa específica, você não é um ilustrador. Se alguém te paga por uma arte criada por você e que não ilustra nada (nem uma matéria, nem um livro, nem um postal, nem nenhuma saída comercial) você está mais para um artista plástico, ou um desenhista se não quiser o peso da posição anterior...  Especialmente se você for "ilustrador" de print que acaba em quadrinhos na casa dos outros. 

Sabe quem pode desenhar? Quem tem um lápis... (ou mais especificamente, quem tem qualquer objeto que risque uma outra superfície). 
Sabe aquela história "como você sabe que tem um corpo para ir para a praia? 1) Tenha um corpo. 2) Vá a praia"??? Então, a mesma lógica pode ser aplicada ao desenho -- Você quer desenhar? Desenhe! Está ficando torto e isso te irrita? Vá estudar. Tá torto mas tá bom pra vc? Repita! Por mais que os chamados "profissionais" achem que tem uma carteirinha de "guardiões da arte, orientamos 24 horas por dia quem pode participar do clubinho" eles não tem. Sim, você pode desenhar simplesmente por desenhar, pra se divertir, pra passar o tempo... Ou pode estar desenhando feio e torto e querer ganhar dinheiro com isso -- vai ser mais difícil? Provavelmente. Mas você ainda tem a última palavra sobre o seu desenvolvimento: se ele vai acontecer, como e em que velocidade. E não deixe ninguém que não paga seus boletos (ou compra seus lápis) lhe diga como ele deve ser feito. 

Pare de analisar o mercado e vá cuidar da sua barraca.
Isso é uma tendência nacional. Eu mesma sou culpada dela diversas vezes mas... Acho incrível como por aqui (e digo Brasil porque acompanho diversos artistas internacionais que não ficam perdendo tempo com isso) o pessoal quer problematizar cada coisinha que produz ou que é produzida... Não estou dizendo que a gente não deva pensar criticamente sobre as coisas ou sobre o contexto das coisas (é claro que precisa) -- mas você não precisa explicitar cada arroto que a sua mente tem a respeito dessas coisas.  Mais uma vez... Ninguém morreu e te elegeu guardião do mercado! Tem muita gente que acha que se utilizar "o lápis", "a caneta" especial que você usa vai fazer um desenho tão bom quanto o seu? Ótimo! Deixa eles acharem e desenhe mais... Se você é "ilustrador", desenhista, artista, seu trabalho é criar arte... Não trazer o conhecimento às pobres almas que não chegaram a esse entendimento.

Esse é um dos motivos pelo qual esse blog tem ficado sem pauta constantemente -- quando eu comecei, eu queria meio que fazer um "compêndio" de tudo o que eu já tinha aprendido até hoje -- tanto para reaprender e rever algumas coisas quanto para servir de referência para quem está aprendendo. Esse nem de longe é mais meu objetivo.  Se você for na coluna direita do blog, vai ver que o post mais acessado daqui -- e por uma longa margem -- é o post sobre onde comprar materiais de desenho na Web e presencial em São Paulo. Mesmo assim, ao longo dos anos, as pessoas tem mandado e-mails direto para o contato ou:
  1. Perguntando coisas que já estão explícitas no post.
  2. Perguntando coisas que não estão no post, e que poderiam ser facilmente Googadas. 
Na maior parte das vezes eu respondo. A questão não é não querer responder... Mas me conscientizar que por mais mastigado que esteja algo, existem pessoas que não vão conseguir compreender (por uma série de motivos que eu poderia discorrer no meu dia a dia de Design Instrucional que não cabem aqui), que não estão no momento de compreender ou que vão mesmo bater cabeça até aprender. E eu quero mesmo fazer os meus desenhos tortinhos menos tortos com o tempo... Não ser arauto pra um "caminho ideal" que nem posso garantir que está certo.

A concorrência final, se você quer mesmo concorrer com alguém, é com o que você fazia ontem -- então desconfie de quem fica perdendo tempo dizendo que o que você faz não é suficiente, que deveria ser feito de outro jeito, que deveria ser melhor, mais conceituado... Especialmente se: você não perguntou ou pediu por feedback, e se isso te desanima de produzir mais.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Inktober firme e forte... No Instagram.

Depois de mais de um ano de postagens automáticas do Instagram para cá, eu resolvi dar uma parada no script. É vantajoso saber que o blog está sempre sendo automaticamente atualizado mas... Eu gosto de escrever junto com as imagens, e o Instagram gera um post muito feio por aqui (não consigo parar as tags, não consigo ter paragráfos na postagem, essas coisas...

Além disso, só gostaria de dizer que o Inktober 2017 vai firme e forte por lá -- com uma pequena falha no dia 11/10, quando o cansaço não deixou. Ainda continuo me inspirando nos retratos de moda das revistas para o desafio desse mês, comprometida com o nanquim vermelho e arrependida amargamente do papel escolhido esse ano (mas vou falar mais sobre isso no final do mês, no tradicional post de "aprendizados" do desafio).

No mais, estou mantendo o compromisso apesar de todo o desânimo atual. Tem horas que eu acho que as coisas estão feias demais até para um Hobby... E fico pensando se tudo isso ainda vai me levar a alguma coisa, já que a alegria do trabalho feito dura no máximo uns 15 minutos... O tempo médio entre "que legal, completei mais um" e "minha nossa, quantos erros".

Ainda vou continuando pq esse ano o objetivo maior é bater a produção de todos os anos anteriores e... Finalmente está começando a parecer viável (dado que os anos anteriores sempre foram tão pífios). Quero acabar o sketchbook do Inktober (que tem 40 páginas, e já foram 11) e mais o sketchbook canson atual até o final do ano... Quem sabe pegando "ritmo", 2018 se torna um ano bem melhor.