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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Estudo Deliberado: Livro ou Curso de Desenho?


Existe uma versão romântica e sofredora de mim que gosta de lembrar que até os 14 anos eu não tinha feito nenhum curso de desenho, e tinha 02 livros de Desenho da Coleção da Globo, que pouco ajudavam -- um era sobre Aquarela, falando de materiais que eu não tinha nem poderia comprar; e o outro de pintura a óleo... Mesmo problema. Adoro essa versão de mim, pq ela seria capaz de justificar muita inaptidão atual... Se as coisas tivessem continuado assim.

Mas de lá para cá já se passaram... 22 anos... Como é duro assumir isso! Muita coisa mudou, embora não do lado bom: eu fiz cursos na Quanta, na Arte Academia, na Área E, no Estúdio Igayara, no SENAC, Estúdio Maurício Takiguthi, na Academia de Animação SP... Dá até uma certa vergonha elencar tudo isso. Assim como dá uma certa vergonha encarar os livros de Desenho na estante -- Desse "À mão livre", o primeiro realmente útil, até hoje, são mais de 100 títulos sobre todos os assuntos que eu já quis aprender sobre desenho: figura humana, anatomia, luz e sombra, animação, cor, composição, perspectiva... You name it, I have it.

E agora que você já deve me odiar muito -- a intenção não era essa, mas a gente não pode controlar a reação dos outros -- vou falar sobre o porquê de tudo isso: se você não estiver realmente comprometido, tudo isso é irrelevante. E se você estiver realmente comprometido, tudo isso é desnecessário.

Existe uma séria romantização da importância das aulas de desenho e pintura -- elas são importantes, podem lhe ajudar a dar saltos palpáveis de qualidade... Mas não são mágicas. Durante muito tempo, meio fingindo que não, eu acreditei que fossem. Você pode fazer o curso completo, sentar na cadeira aula após aula, fazer exercício depois de exercício: se você não for além e praticar mais do que em aula, não adianta nada. A lógica do título, como "sente-se quatro anos no curso de Direito e se transforme em advogado" não funciona para profissões artísticas.

Eu tive "picos" de desenvolvimento ao longo dos anos, durante ou depois de cada um dos meus cursos -- mas eles não duraram, exatamente porque eu não pratiquei mais. Estava esperando, meio que subconscientemente, que ao final do curso eu me sentisse tão "agora estou fodona" que eu não pararia mais de desenhar. Mas as coisas funcionam exatamente ao contrário -- você não para de desenhar e, um dia, sem que perceba... Até que não está tão mau.

Por ter feito desenho em tantos lugares, eu posso resumir um curso de desenho para você em uma frase: sente a bunda e desenhe. Ok, posso detalhar: sente a bunda e copie. Desenhe cabeças, figuras humanas, perspectivas etc. E isso você pode copiar de livros -- aqui entram os livros -- e em quase todos os cursos citados, é exatamente isso que você vai fazer: copiar livros (mais precisamente, xerox de partes selecionadas de livros, tópicos a tópicos) -- e isso você também pode fazer em casa.

O grande diferencial das aulas não está naquilo que elas vão lhe ensinar, mas naquilo que elas vão corrigir. Existe a correção mais básica e fundamental do professor, que consegue corrigir erros e padrões errôneos enquanto você executa (uma mania de fazer algo de determinada forma que você não enxerga, uma pegada errada no lápis, uma forçada pra sair da zona de conforto de desenhar sempre a mesma coisa), e é claro; a correção de noção em relação aos pares: nada como olhar para o lado e ver um monte de gente BEM melhor do que você para inspirar, instigar e garantir que você não leve tão a sério aquele comentário da família que "você é o melhor desenhista que eles já viram" -- nada  como ampliar os horizontes, não é mesmo?

Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a garota de 14 anos que tinha muita vontade e nenhuma noção, eu diria que ela poderia ter aproveitado muito aqueles livros de aquarela e pintura a óleo sem ter nenhum dos dois. Ela poderia ter sentado, puxado uma folha de sulfite e tentado desenhar tudo aquilo... Com lápis número 2, com caneta BIC, nas folhas do caderno de matérias de professores que só faltavam, qualquer coisa. Teria sido mais útil do que esperar uma solução mágica que resolveria tudo.

Você pode não ter mais 14 anos, mas se está esperando ter aqueles 350 reais por mês para fazer uma aula que realmente vá lhe ensinar a desenhar, PARE. Compre um bom livro de desenho -- eu indicaria os do Andrew Loomis, apesar do inglês; mas qualquer outro que você goste do traço do artista serve também. Sente, e desenhe... Copie, repita, faça com outro material, leia a teoria -- Repita, repita, repita. Só por favor, não faça como eu: não espere a bala mágica que irá resolver todos os problemas.
Você não vai desenhar mais quando estiver bom. Você vai ficar bom por desenhar mais.

Olhar o índice dos livros que você pretende comprar é uma ótima tática pra escolher o livro ideal.

sábado, 16 de abril de 2016

Começando Pelo Lugar Errado: Meus Primeiros Livros de Desenho e Pintura - BEDA #16

Há muito tempo atrás -- mas ainda nessa galáxia -- a Editora Globo publicou a coleção "Desenho e Pintura". E a garotinha de 9/10 anos que eu era (nunca consigo ter certeza do ano, se foi em 1989 ou 1990) ficou maluca com a ideia de ter uma coleção de livros que de fato lhe ensinariam a desenhar e pintar. Então ela pentelhou o pai da melhor forma possível para que ele comprasse essa coleção. Ele comprou os dois volumes iniciais, pq... Bem, vc já viu alguma coleção que não tente te pegar dando logo no início 02 livros?

Infelizmente, para não escapar da tradição de coleções incompletas da família, essa também parou por aí -- meu pai dizia que era muito cara (ainda mais quando descobriu que ela ainda teria mais 10 volumes) e achou que eu não fiquei animada o suficiente com os dois primeiros... Não é que eu não fiquei animada, hoje em dia eu sei reconhecer que o sentimento na verdade foi: frustração.

Veja bem, ninguém na minha família é "artístico praticante" -- especialmente não em desenho e pintura -- então ninguém conseguiu avaliar muito bem o quão fora da minha alçada esses livros estavam: eles falavam de papéis que até então eu nem sabia que existiam, que depois disso (mundo pré internet) eu continuava sem saber onde encontrar e de materiais importados que eu nem sabia onde conseguir... Dar para uma criança um livro sobre aquarela, quando a da Faber-Castell era um sonho de consumo, não ressoava muito.

Esses livros me assombraram por anos, mesmo tendo sido dado com as melhores das intenções -- e até hoje, mesmo depois de ter completado a coleção via sebo -- eu ainda culpo muito do trauma que eles causaram pelo acúmulo de materiais de desenho e uma surreal esperança que adquirir esses materiais vá de fato fazer alguma diferença na minha vida. Durante muitos anos eu fiquei com a minha mente de criança obcecada com o fato de que eu não conseguia fazer as coisas como "devia" porque eu não tinha os materiais certos, como os dos livros.

Acesso a bons professores, pessoas que mexessem com arte ou qualquer coisa do tipo poderiam ter corrigido essa minha distorção -- mas mesmo a minha primeira aula de desenho foi acontecer uns 05 anos mais tarde, e lá o estrago mental já estava feito.

Por isso que até hoje, toda vez que eu conheço alguém que pira em materiais específicos, eu fico martelando a mesma tecla de que "isso não importa" -- é claro que existe uma diferença entre uma aquarela da Faber e uma Lukas, ou um lápis n.2 e um lumograph... Mas ela não é significativa o suficiente para evitar que você faça o que quer.

Adoraria ter escutado isso, repetidas vezes, com 10 anos de idade.
E então vou ficar repetindo isso pelo resto da vida, sempre que puder.
Se você quer desenhar, "mas não tem os materiais certos", NUNCA, NUNCA, NUNCA deixe isso lhe atrapalhar -- você só precisa de papel, lápis ou caneta. Só isso, de qualquer qualidade. E nunca deixe de fazer o que gosta se alguém lhe disser o contrário.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Minha Primeira Revista Sobre Lápis de Cor - BEDA #14

Nos últimos quinze anos eu fui juntando um bom volume de material de referência sobre lápis de cor, de autoras que são consideradas especialistas no assunto: Alyona Nickelsen, Bet Borgeson, Lee Hammond, Ann KullBerg, Janie Gildow, e mais alguns perdidos por aqui nas coisas. Cheguei até a me inscrever em um curso a distância sobre Lápis de Cor da London Art College que não foi para frente -- eu sempre tive que fazer minhas aspirações pessoais competirem por lugar com as minhas obrigações de trabalho e essas sempre perderam miseravelmente.

Sempre considerei o lápis de cor um método mais agradável do que as tintas por exemplo. Até hoje, estou procurando alguma tinta com a qual eu sinta uma sensação agradável ao trabalhar. Já com lápis de cor o resultado é mais previsível, pelo menos para mim, e isso me agrada um pouco mais. Sem contar que, embora os lápis de cor profissionais sejam caros (e mesmo assim, bem mais baratos que as versões profissionais de algumas tintas), ainda é possível fazer um trabalho visualmente muito profissional com lápis e papel escolar... E desde que eu descobri isso, eu me pergunto porque nenhum professor de educação artística foi capaz de mostrar isso durante meu ensino primário... Teria sido bem mais animador.

Mas toda essa paixão começou bem antes desses livros de referência e de saber da existência desses materiais de ótima qualidade, com uma revistinha muito simples e de publicação nacional.

A Arte no Lápis de Cor (Ano 1 - n.º 1 - Editora Escala)

 

Publicada em meados da década de 1990 (nunca soube ao certo quando, a edição não informa), essa revista apresentava o trabalho da artista plástica "Aleixa de Oliveira" (clique no link e escute a musiquinha de fundo do site por sua conta e risco). Eu não sei quanto tempo depois da publicação eu encontrei essa revistinha em uma banca de sebo aqui no bairro de Santana em SP, mas eu sei que ela tinha tudo pra me chamar muita atenção:

1. Apresentava um trabalho com características realistas;
2. Com um material que eu tinha em casa (outro dia, talvez amanhã, tratemos dos traumas de ser exposta a mais do que você pode alcançar no momento);
3. E ela garantia que seguindo o passo a passo você poderia chegar lá -- e depois eu descobri que seguindo o passo a passo, você realmente chegava.

Depois dessa revista, a minha percepção sobre materiais baratos e profissionais mudou, o meu respeito e interesse pelo lápis de cor cresceu, e até hoje eu estou meio viciada em ver o que você pode fazer com eles.

Lógico que com o tempo, eu passei a ver algumas coisa -- por exemplo, que o meu gosto e o que eu chamo de "características realistas" mudou um pouco; que alguns dos passo a passos tem algumas peculiaridades por terem sido ensinados por uma artista autodidata (sem que isso seja pejorativo a ela de nenhuma forma); e que é lógico: é muito libertador poder fazer um trabalho vistoso com lápis escolar e papel escolar mas, que se você quiser, por exemplo, trabalhar profissionalmente com isso você terá que utilizar materiais mais profissionais... Caso contrário correrá o risco de vender uma pintura que perderá as cores em poucos anos.

Acho interessante apenas que a Editora Escala que publica tantos títulos sobre desenho, inclusive reeditando muita coisa igual em revistas diferentes, nunca tenha se dado ao trabalho de reeditar esse material. Acho que seria interessante mostrar para quem está começando um material com possibilidades realistas e acessível, ao invés de ficar fazendo hype de Copic Markers, por exemplo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Livro de Desenho BBB: Bom, Bonito e Barato - Drawing Hands by Carl Cheek - BEDA #11

Semana passada eu falei sobre livros de desenho que valem o investimento -- essa semana eu pretendo falar de um que não exige um investimento tão alto (menos de R$ 32,00 na Livraria Cultura) e que aborda um assunto/tema temido por 10 entre 10 rabiscadores iniciantes: mãos. Esse livro, em especial, faz parte de uma série temática publicada pela Dover -- uma editora interessante se você estiver procurando bons livros por um bom preço -- que conta com outros títulos como "Drawing Trees / Arvores" e "Drawing Flowers / Flores" (que são, os únicos dois que eu tenho de exemplo, mas existem outros).

A Dover consegue publicar em preços tão bons porque ela reedita livros de desenho antigos que já estão em domínio público -- então se você não tem preconceito com uma arte um pouco mais datada, e é capaz de aprender princípios (que é realmente o fundamental), você pode aprender bastante com esses títulos.

 No site da Dover você encontra a relação de todos os livros publicados por ela -- e na Livraria Cultura você encontra a maioria deles; se não ao vivo, pelo menos sob encomenda.

Dê uma olhada:
http://www.doverpublications.com

P.S.: Ninguém ganhou nada da Livraria Cultura pela indicação nesse post -- foi só amor mesmo, porque ainda é um dos poucos lugares que você encontra livros de arte nas prateleiras.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Dois livros para inspirar seu lado desenhadeiro - BEDA #8

Se você está procurando inspiração para começar a rabiscar, os livros a seguir são um bom começo. Todos em inglês, já que lá fora o movimento pela manutenção de "art journals" é muito mais forte, mas mesmo assim, se você não domina a língua os livros ainda valem a folheada.


Everyday Matters - Danny Gregory
http://bit.ly/1VbGkrF
Impossível falar sobre inspiração para se aventurar no mundo dos rabiscos sem falar em Danny Gregory -- um dos criadores da Sketchbook Skool, e autor de vários livros do gênero (Creative License, Art Before Breakfast, An Illustrated Life etc.). Everyday Matters é o livro que deu inicio a quase tudo isso, e ainda inspirou muita gente a dar valor a cada dia, e a importância de colocar esse "momento artístico" no seu cotidiano.




 Artist's Journal Workshop - Cathy Johnson
http://bit.ly/25QeB2Y
Meu único arrependimento sobre esse livro foi ter compra-lo em e-book -- não há nada de errado com o ebook, mas as páginas são tão bonitas que eu preferia realmente ter a versão impressa em mãos. Cathy Johnson é outra professora da Sketchbook Skool. O livro é repleto de estratégias de por onde começar, fotos de art journals inspiradores e motivos pelos quais mantê-los irão fazer bem a sua vida como um todo, mesmo que -- especialmente se -- você não pretenda ser um artista profissional.



domingo, 3 de abril de 2016

Livros sobre desenho que valem o investimento: Lessons in Classical Drawing - BEDA #03


Maior que a coleção de sketchbooks e materiais para desenho, talvez -- porque eu não vou parar para avaliar se é isso mesmo -- só a coleção de livros de desenho. Desde que eu comecei a estagiar no século passado (gente que cruzou séculos e milênios sofre em pensar dessa forma), eu comecei a monta a minha biblioteca básica de referências. Cometi muitos erros e acertos (tenho que admitir, mais erros) mas alguns dos acertos acabam compensando esse método de tentativa e erro. E esse é um deles.

"Lessons in Classical Drawing: Essential Techniques from Inside the Atelier" é um livro escrito pela artista Juliette Aristides, e produzido com um cuidado admirável: o livro é capa dura, tem 208 páginas em papel couché brilhante e, se na pior das hipóteses você não aprender nada com ele, você ainda vai ter uma bonita obra para folhear.

Apenas uma nota que eu acho significativa para quem gosta de livros do tipo: esse é o tipo de livro de desenho que requer leitura -- não é do tipo que você apenas olha as imagens, estuda e deixa os textos de fora.

Além disso, ele acompanha um DVD com instruções importantes sobre os principais temas que é bem interessante de assistir. Para quem se interessa em entender os princípios por trás do desenho (como linha, composição, tom, luz e sombra etc.), ele é muito interessante.

E como estou a minutos de ficar de fora do BEDA de hoje, eu vou parando por aqui. Talvez ao longo do mês eu fale mais um pouco sobre outros livros bem interessantes que estão aqui na estante.


terça-feira, 9 de junho de 2015

Mandalas ao Vento - Meu livro de colorir e pintar está à venda!

Se você não pode com eles, junte-se a eles! Tendo esse lema como mote, me juntei a febre mundial que quer colorir e pintar livrinhos e lancei o meu próprio livrinho de colorir. 

O livro se chama "Mandalas ao Vento", e a capa é essa que você pode ver aqui -- são 52 duas mandalas inspiradas em padrões geométricos e rosas dos ventos (aquelas utilizadas por navegadores, projetistas, arquitetos para identificar o Norte, Sul, Leste e Oeste -- além das outras sub-direções).

Foi bem divertido fazê-lo e agora ele está à venda exclusivamente no Clube de Autores, com preço promocional até o dia 12/06.

O link do livro está aqui:
https://www.clubedeautores.com.br/book/187955--Mandalas_ao_Vento

Mais detalhes sobre o livro, você encontra a seguir -- ou na página do blog no Facebook (https://www.facebook.com/sketchblock.com.br).

Exemplos de mandalas que você encontrará no livro.


Descrição na contracapa do livro.