quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não é toda prática que leva a perfeição...

Teoricamente eu sei o que eu deveria estar fazendo. Deveria estar selecionando um determinado assunto ou tema (figura humana, anatomia, poses etc.), selecionando uma série de referências, praticando rascunhar a partir dessas referências até aumentar a memorização das formas na minha biblioteca mental, e depois trabalhar esse mesmo assunto/tema em diversas técnicas, para praticar melhor cada uma delas (lápis, aquarela, nanquim, lápis de cor... O que desse vontade de praticar).

Mas na prática, isso não acontece. Não, como já visto, porque eu não saiba o que devo fazer, mas porque no final de um dia cheio de outras obrigações, eu resolvo separar no máximo uma meia hora pra rascunhar alguma coisa antes de cair de sono no dia com a sensação de que eu não fiz nada por mim... Ou seja, no final, embora eu tenha "praticado", isso não confere tanta melhoria -- a prática para evoluir é outra (deliberada e verificável). A realidade, no final das contas, é bem mais triste do que o sonho de ter tempo e espaço para dedicar a isso -- mesmo que, por hora, essa não seja uma atividade com potencial de sustentar a vida financeiramente.

 Durante muito tempo eu me debati com a ideia do por quê? Por que uma mulher que já passou dos trinta há um bom tempo, e que não ganha dinheiro com isso, deveria investir mais tempo em dinheiro em uma atividade como essa, sem nenhuma contrapartida financeira... Vou mesmo ficar comprando material, sentando pra fazer esse tipo de rabisco quando tem projeto na fila, louça pra lavar, casa pra arrumar?

Atualmente eu ainda não achei uma resposta que me satisfaça 100% -- mas uma coisa eu sei: eu não tenho escolha. Eu posso viver dividindo o tempo entre isso e todo o resto... Ou posso murchar pra tudo. Fechar isso dentro de uma caixinha de deixar pra lá não é uma opção.

Talvez esse tipo de coisa são seja simplesmente um dom.
Talvez seja apenas maldição -- que nada mais é que um dom ou talento que ainda não encontrou expressão.

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