terça-feira, 16 de julho de 2019

Rascunhos em Rosa...

Mais uma cabeça para a coleção de cabeças.
Segunda coisa mais rabiscada depois de cabeças.

Faz um bom tempo que eu fiz esses dois -- o primeiro, no caderninho de rascunho que eu comprei na Miniso (não vou chamar de sketchbook, já que o papel briga com lápis de desenho, rs) e o segundo foi a divisória inicial do meu Bullet Journal que acabou de acabar...

Estou meio distante de qualquer tipo de sketch. Primeiro por conta do Blog novo (o Omni Journal Brasil, onde eu falo de cadernos e journaling -- mais em breve), depois pelos freelas ganha pão e terceiro... Desânimo.

Gosto muito de fazer esses rabisquinhos -- tanto que toda vez que começo a ficar mais produtiva neles começo a me questionar por que não estou fazendo mais deles (boletos? Obrigações? Tudo um pouco?) e digamos que "esse sorriso vai ser mau pros negócios", como diria a Satine em Moulin Rouge (puxei do baú agora, não?).

Vou assumir o modo "meio deprê pós apocalíptico" para dizer uma coisa: às vezes eu fico pensando que quando eu ficar mais velha -- se eu chegar a tanto -- eu vou passar o fina dos meus dias lamentando não ter feito mais isso. Eu não gostaria dessa sensação para mais ninguém. Então se for o seu caso, corre para o seu caderno e desenha.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Is there anyone in home?

Tudo que vocês perderam no Instagram -- não foi grande coisa.
Quase um ano fora! Alguém sentiu a minha falta? Não faz mal... Estou de volta desse lugar confortavelmente entorpecido da falta de postagens... A verdade? Eu não sabia o que escrever, e não estava fazendo um único rabisquinho para compartilhar. É difícil falar sobre criatividade no cotidiano quando não se está criando nada.

Para mim, sempre foi muito claro o meu principal foco por aqui: falar com quem quer começar ou continuar a desenhar, depois dos 30, cambaleando todas as obrigações com isso -- se você não está nessa faixa, não tem problema, mas saiba que meu foco não está em como monetizar a atividade artística, nem como fazer uma carreira disso. Eu queria apenas um espaço seguro para as pessoas encararem isso como hobby. Mas no último ano ficou claro pra mim: brasileiros não tem hobbies.

Não é nenhuma característica exclusivamente cultural. É o resultado da vida -- quando as contas não fecham com o emprego formal (ou principal, melhor dizer assim), é natural que qualquer coisa realizada de apoio seja pensada pra criar uma renda extra. Então falta, além de tempo, dinheiro para investir num hobby. Além disso, existem algumas definições "acadêmicas" que são necessárias para um hobby: a busca de maestria, a regularidade. Fazer algo esporádico e sem critérios não é um hobbie -- é uma atividade de lazer. Nada errado com isso, mas é difícil "falar a sério" sobre uma diversão esporádica.

E eu sinceramente não sei se existe por aí muita gente que queira o mesmo que eu com o desenho... Não sei nem se dá pra encher um Uber compartilhado com elas. Eu vejo o pessoal que se reúne nos finais de semana pra comer umas guloseimas e desenhar em cafés e casas de chá nos encontros da Sketchbook Skool na Europa e Estados Unidos e dá uma invejinha... Da atividade, e de viver num lugar em que você pode ficar sentado duas horas desenhando com um pedaço de bolo e café na mesa sem que alguém lhe jogue olhares tortos de "vai liberar a mesa ou não". Sinto que a gente vive num lugar que não é muito afeito para a socialização...

Há alguns meses, pensei em montar um sketchponto... Cheguei a pensar em convidar algumas amigas pra levar os cadernos, os materiais, sentar e desenhar... Numa manhã de sábado. Poderia levar umas xerox pra orientar alguns exercícios pra quem quisesse aprender a desenhar coisas específicas mas... E lugar? Vamos sentar nos parques que são poucos, e poucos bancos tem? Invadir uma cafeteria e lidar com o desconforto? Sentar em algum SESC? Disputar um chãozinho no Centro Cultural. Sinto que faltam alternativas.

Então por hora, comprei um caderninho de notas da Miniso -- como se eu precisasse de mais um sketchbook -- e comecei a rabiscar... Rabiscar mesmo. Espero que por pegar um caderno que está no meio termo entre algo muito barato que me faz sofrer (folhas finas demais são um horror) e algo caro que eu não tenho coragem de usar, eu consiga romper esse limite de "tudo tem que ser lindo", que faz com que eu não faça nada. Mas reconheço: sinto falta de uma estrutura, como a de uma aula, que me force a fazer algo orientado.

Nesse ponto, ser uma Designer Instrucional é contraproducente -- eu realmente acho que é possível criar uma trilha de aprendizagem pra desenho/pintura na minha vida -- mas são tantos temas, e temas tão amplos, que eu simplesmente não consigo estruturar tudo numa linha de aprendizagem. E mesmo quando eu consigo minimamente planejar uma trilha inicial, eu me rebelo demais com meu próprio plano. Começo falando que vou treinar formas básicas e grafite, e quando vejo estou desenhando pessoas em nanquim... Não me obedeço.

Faz um tempo que cheguei a conclusão que Aprender a Desenhar e Pintar de forma efetiva requer 04 etapas (qualquer dia falo delas), mas me revolto constantemente na hora de colocá-las em prática. Espero um príncipe artista que chegará com um cavalete em branco para me salvar. Só que ele não vem, e eu continuo confortavelmente entorpecida no meu marasmo.

Pink Floyd - Comfortably Numb Pulse HD - 125kbps, 44KHz Audio
https://youtu.be/vi7cuAjArRs