quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Contracapa e Contratempos

Não vou abusar do tamanho da imagem nesse post, porque não está grande coisa (sem ironia pretendida, rs). Sabendo que é difícil "começar" a primeira  página de um sketchbook, eu resolvi abusar dessa vez e começar pela contracapa -- tirar esse "sentimento de pureza" que todo caderno novo tem, com todas aquelas páginas em branco. E é incrível como meia dúzia de rabiscos são capazes de fazer você repensar a vida, o universo e tudo mais.

Fica claro porque eu acho que os desenhos inspirados em Zentangle são tão reconfortantes: eles nunca dão errado. Eles podem até não ser magníficos, fazer as pessoas exclamarem "puxa vida, nunca vi nada tão maravilhoso em toda minha vida!" (especialmente quando se é como eu, e se tem um "dom" pra não deixar contrastes suficientes), mas eles sempre "dão certo". Exatamente porque cada um é único, e não há base pra comparação, eles simplesmente são aquilo, e não há muito o que você possa reclamar ou dizer "bem, não era bem isso que eu estava esperando", até porque você não estava esperando nada sem ser preencher toda a página. Mas basta colocar "uma cabecinha" no mix pra você relembrar algumas coisas:
  1. Como se está enferrujada.
  2. Não era bem isso que você esperava.
  3. "Ai, saudades das minhas aulas regulares" -- e de ter verba destinada pra escolhe-las.
E aqui entram as minhas principais críticas a sketchbooks e porque eu vou tentar algumas coisas diferentes (de verdade) dessa vez. 

Não vou lembrar em qual vídeo sobre aprendizagem/treinamento/motivação eu ouvi isso recentemente, mas fez todo o sentido. O especialista dizia que "Practice don't make it perfect, it makes permanent" -- ou "A prática não traz perfeição, mas permanência". Ou seja, praticar errado não vai fazer você começar a fazer certo, mas fazer com que você internalize e repita para sempre os erros. É isso que eu sinto com essas cabecinhas desenhadas. Se eu olhar as cabecinhas desenhadas nos últimos 5 anos, nas mesmas condições (sem referências ou com referências ruins, finalizadas a nanquim quando a estrutura não estava pensada pra isso etc.), não há muito ganho em qualidade, e elas parecem sempre a mesma coisa -- o que é algo diferente do que, por exemplo, quando eu trabalho com referências melhores em um material que eu tenho melhor domínio. Por exemplo:

E pode ser uma coisa minha com "sketchbooks" ou mesmo da maneira como eu aprendi o que foi possível -- e aí os cursos que eu fiz tem um bom papel nisso -- mas eu não acho que sketchbooks sejam o melhor lugar para esse tipo de prática.

Existe algo realmente "liberador" em gastar pilhas de papel de impressão (sim, estou falando com você Chamequinho) em desenhos que não estão sendo feitos pra posteridade mas para realmente aprender algumas coisas. Para mim, sketchbooks ficam na zona intermediária entre o aprendizado por repetição e a produção de "peças finais", então são melhores quando você vai repetir algo que já está estabelecido na sua cabeça ao invés de explorar algo que não se está confiante ainda. Faz sentido? Não sei -- mas sei que isso é muito do que me faz não ser tão "prolífica" quando eu gostaria, exatamente pq não tem espaço físico (de tamanho mesmo, pq eu gosto de ter do A4 pra cima pra aprender) e dá a qualquer coisa mais permanência do que ás vezes eu gostaria. Resumindo, sketchboosk pra mim é pra "pré-obras", não tanto para estudo. E eu decidi que esse ano não vou lutar contra isso -- vou usar mais folhas soltas que eu possa amassar e jogar fora se não der certo, sem muito peso na consciência.

A próxima coisa, que eu vou considerar um pouco antes de me comprometer com um caminho é escolher um dos livros de desenho pra ser o companheiro de prática. Fico sempre tentando escolher o "livro ideal", baseado naquilo que eu gostaria mais de aprender no momento, mas o livro "ideal" não existe e eu acabo não usando nenhum. Acho que agora eu vou escolher um nem que seja para ter uma figura de autoridade contra a qual me rebelar, rs. Vou tentar escolher um até o final da semana, mais de volta ao básico: lápis no papel, e sem muitas técnicas ainda. Vamos ver!

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