domingo, 2 de dezembro de 2012

Aprenda o que quiser...

Meu computador principal (desktop) pifou, e estou sem acesso ao meu scanner. Por conta disso, os olhos de vocês estão sendo poupados das grandes belezas que tenho rabiscado por aí... Agradeça ao santo do suporte de computadores, e ao meu namorido que ainda está montando, segundo ele, o computador mais fodástico que eu já tive... Mas como eu disse, ele está montando... E só o santo do suporte de computadores sabe quando ele vai terminar (agradeço de coração amor mas... tenho que jogar o nabo para alguém, rs).

Até instalei o scanner no meu netbook mas... A fiação necessária desanima, especialmente quando eu vejo o que tenho para escanear. Tem sido uma questão interessante decidir se o objetivo principal de um blog chamado sketchblock é publicar os meus rabiscos... Na verdade, o principal objetivo desse blog deveria ser ajudar pessoas como eu - e a mim mesma no processo - de parar de pensar em desenhar e realmente rabiscar o papel.

Como descobrir o que é preciso saber?
Por conta dessas coincidências da vida, li há alguns dias um post no blog Zen Habits sobre como aprender qualquer coisa. Ele trás uma entrevista feita pelo autor do blog (Leo Babauta) com o autor Tim Ferris, do livro "The 4 hour work week" e agora "The 4 hour chef". Tim Ferris, para quem não conhece, é perito em aprender coisas novas e difíceis com um método bem "peculiar". Se você estiver interessado em conhecer um pouco mais sobre a sua história, eu recomendo os vídeos a seguir:

Tim Ferriss: Esmague o medo e aprenda o que quiser (16m21s)

Tim Ferris on Learning (40m24s)


Se você for uma pessoa valente e encarar essa hora com Tim Ferris, verá que boa parte dos seus segredos para aprender qualquer coisa estão baseados na escolha de um bom método e na prática consciente - não apenas praticar por praticar, esperando que isso dê algum resultado. Fiquei um bom tempo pensando se existe uma prática "rápida e eficiente" para desenho. Afinal de coisas, são centenas de livros sobre o aprendizado de desenho - não é possível que nenhum deles tivesse um método correto.

E então eu me lembrei que existe sim um livro de desenho que oferece uma melhora significativa em um prazo recorde, muito vendido e que quase todo mundo conhece:

Desenhando com o lado direito
do cérebro, por Betty Edwards.
Se você já conhece o livro acima, pode estar torcendo um pouco o nariz agora. Algumas críticas comuns ao método proposto pela Betty Edwards nesse livro que já tem décadas de publicação são:

  • A semelhança entre os desenhos "com o lado direito do cérebro", independente do artista.

  • A validade do método para o desenho de observação mas não ajudar muito no desenho de imaginação.

Uma questão do olhar...
Não tenho pego o livro da Betty Edwards na estante para estudo há um bom tempo (não aguento mais desenhar o Stravinsky que o Picasso desenhou de cabeça para baixo), mas existe uma correlação direta entre o seu método e o tipo de abordagem de aprendizagem que o Tim Ferris utiliza.

  1. Seu objetivo não é fazer de você um exímio desenhista - mas mostrar que todo mundo é capaz de desenhar bem, em um tempo curto, com a instrução adequada. Em muitos casos, mostrar que a pessoa é capaz de pular de um homem palito torto para um desenho realista bem acabado em menos de uma semana, é o empurrão suficiente que a pessoa precisa para procurar instrução e treinamento adequado.

  2. Seu  livro oferece um método claro e passo a passo que pode ser seguido - uma prática orientada. Uma coisa é fazer o que muitos livros e instrutores de desenho fazem e sugerir que você deve desenhar bastante para compreender o desenho - outra bem diferente é seguir o método do livro, e ser orientado trabalho a trabalho específico.

  3. O livro deixa claro que desenho não está relacionado a nenhuma habilidade manual específica, talento nato ou material utilizado mas, à capacidade de olhar, estabelecer relações, comparar... Com paciência, calma, e método, qualquer desenho de observação se torna executável.

Para quem não conhece, Betty Edwards sempre merece uma visita.

Para quem conhece, fica a pergunta: como elaborar um projeto de prática orientada para desenho, diferente do método da Edwards. Será que livro após livro de desenho está realmente correto e a melhor sequência de aprendizado é aquela proposta nos livros? Como transformar dicas como "você deve desenhar mais do real" em algo executável  e que possa ser analisado de maneira que você melhore o seu desenho? Vou continuar pensando a respeito.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Perfeitamente imperfeito.

Há menos de duas semanas, comprei algo que eu queria comprar há muito tempo: uma caixa de lápis de cor de 132 cores da Prismacolor (considerada uma das melhores marcas de lápis de cor). Eu adoro lápis de cor; por mim, esqueceria esse negócio de tintas (aquarelas, guaches, acrílicas etc.) e ficaria apenas com lápis de cor: permite o mesmo nível de realismo de diversas técnicas, mas com muito mais controle que a maioria dessas tintas.

É claro que, como uma caixa de lápis de cor fica olhando com cara de "me use", acabei cedendo: montei tabela de cores no meu sketchbook, fiquei chocada com a quantidade de azuis, verdes e amarelos/cores de terra disponíveis. Mas ainda estou ensaiando um trabalho mais ambicioso com lápis de cor. Enquanto essa fixação em manter os materiais caros sem uso não se resolve, me diverti um pouco no feriado com uma boa velha esferográfica. Com a quantidade de canetas esperando em uma fila de 50 canetas, dá para desenvolver a técnica até ficar com a qualidade desse cara... Mas por enquanto, está perfeito imperfeito desse jeito - contanto que seja feito.

Rascunho 32
Tentei fazer um retrato com esferográfica - aproveitando a deixa do material, essa foi feita com uma kilométrica preta de 33 centavos, que eu comprei em uma caixa de 50. A gente acumula tanta coisa "legal e sensacional" e no final das contas fazer algo, com qualquer material que seja, ainda é mais importante.
Rascunho 33
Aqui eu só estava brincando com rascunhos bem fraquinhos mesmo... Mas decidi colocar alguma cor, porque eu ainda amo aqueles sketchbooks extremamente agrupados, em que as imagens parecem que saem de uma para outra... Ainda não está lá do jeito que eu esperava.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Desenhos para mamãe ver...

Uma das maiores dificuldades quando você volta a desenhar com um pouco mais de frequência, é lidar com a fase sem "desenhos para mamãe ver". Um dos meus professores de desenho cunhou o termo para explicar o que mantém a maior parte dos alunos nas aulas - e também o que os fazem deixar elas para lá. Tudo é mais bonito quando você pode levar para casa algo mais acabado que, se não está perfeito, pelo menos consegue aquele elogio rasgado... Da família pelo menos.

Mas em outros momentos...
Já quando você se dedica a fase dos exercícios, da prática... Nesses momentos em que a proporção não sai correta, a linha está dura, o sombreado não funcionas entre outros e tantos motivos... Bem, nesses momentos é mais difícil conseguir forças para seguir em frente sem mandar tudo para a casa do chapéu. Das fases que eu estava mais feliz com os resultados dos meus esforços, eu pude perceber que o resultado mais adequado varia diretamente em relação a paciência que eu consigo ter. Desenho exige paciência, especialmente se você espera melhorar o nível dos seus resultados.

E como você pode ver, eu ando sem muita paciência.

Rascunho 31
E outros...

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domingo, 16 de setembro de 2012

Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação.


A divulgação oficial desse blog dependia de três requisitos: criação de uma área completa com meus estudos ao longo dos anos (ok); uma pequena "revisão histórica" das escolas onde eu tentei "formalmente" me especializar (50% ok) e, duas semanas de posts adiantados para que eu não precisasse ficar escrevendo qualquer coisa sem relevância para manter o blog vivo - acho que a partir de 01 de outubro as coisas começam a funcionar assim...
Mas depois disso, e aí?

A contradição.
Até o momento existe uma contradição essencial nesse blog: um espaço sobre desenho, sobre pessoas que assim como eu sempre quiseram desenhar mas que por algum motivo sofrem com a fase necessária para chegar lá: pegar no lápis, sentar a bunda na cadeira e desenhar - independente do resultado que aparecer no papel. Pessoas que assim como eu ficam falando, falando, falando de como gostariam de fazer isso, mas fica aí. Do meu ponto de vista, eu sei o que eu ganho por aqui - até agora, o blog está sendo minha "comissão da verdade" particular, minha forma de reescrever a história, assumir a responsabilidade e mudar a direção.

Mas do ponto de vista dos visitantes... Ainda tenho que me acertar um pouco mais sobre o que significa "relevância". Como, coletivamente, a gente para de falar em desenhos que gostaria de fazer e começa de fato a desenhar? Como a gente coloca isso na agenda, assume como compromisso, rotina, e seja o que Deus quiser?

Voltando ao trabalho ontem…
Sem um nada de comprometimento.
Incerto.
Ainda não sei resolver essa equação. Visito muitos blogs sobre pessoas que atingiram e conquistaram um determinado nível de desenvolvimento em qualquer área da vida e então decidem escrever um blog para tornar o percurso mais fácil para os outros... Não é o caso aqui. Ainda estou dando meus passos, e isso é quase para documentação com um toque de exemplos que você pode até tentar levar para o dia a dia - ou não. Sei que preciso documentação. Preciso ser capaz de dizer: "Ok, meu resultado está assim porque esse foi o tanto de esforço que eu coloquei na coisa...". Hoje em dia ainda não sou capaz de fazer isso - e quando eu vejo, mais um ano se passou.

Por onde ir?
Isso melhora se eu publicar diariamente meus sketchs tortos (e com isso deixar claro também, os dias em que eles simplesmente não acontecem)? Melhora se eu resenhar os meus livros da área, tentar resumir lições importantes e disponibilizar exercícios? Ou faço isso publicando um vídeo da destruição de um Moleskine pela invasão de homens palitos desproporcionais, manchas de café e tintas inapropriadas - só pra acabar com a reverência ao grande sketchbook branco? Ainda estou considerando todas as opções.

domingo, 9 de setembro de 2012

Montando seu arsenal: onde comprar os melhores materiais de desenho e pintura.


Olá! Se você cai por aqui agora por meio de sites de busca, esse artigo tem uma versão atualizada de 2016, mais completa, disponível em: http://www.sketchblock.com.br/2016/11/onde-comprar-materiais-de-desenho-e.html

Como moradora de São Paulo, estou numa posição "privilegiada": 

Consigo acesso fácil a várias de lojas de artigos de desenho e pintura. O que não é garantia de felicidade: de maneira geral, muitos dos itens que vemos em tutoriais estrangeiros, ou ouvimos falar em entrevistas de artistas, por exemplo, nem chegam ao Brasil - e quando chegam, chegam com preços absurdos.

Para facilitar o acesso de quem está longe dos centros de comércio; ou até está perto mas não conhece muitas opções , montei uma relação de lojas de materiais artísticos onde eu já comprei de alguma forma: presencial, on-line, dos dois jeitos... Tanto faz.

Em cada uma delas, procurei destacar uma vantagem que me leva até lá - e uma desvantagem que eu considero na hora de comprar lá novamente. Espero que ajude quem não faz ideia de onde encontrar aquilo que está precisando nessa área - ou esteja em busca  do seu maior desejo de consumo.

Lojas no Brasil

A Casa do Artista - http://www.acasadoartista.com.br/
Ao vivo, de longe a maior e mais completa. Tenho formigações toda vez que entro lá... Tanto que, essa é minha sensação toda vez que eu visito a loja da Major Sertório:


Nunca comprei on-line lá, mas morro de vontade - e por um motivo bem besta: eles enviam as entregas em caixas de papelão customizadas lindas. No site você vai encontrar bastante coisa mas, se puder dar um pulo por lá melhor: nem todo o catálogo está disponível on-line e muita coisa importante está deixada de fora.
  • Vantagens: quase tudo o que você precisa você encontra, e de diversas marcas.
  • Desvantagens: qualidade tem preço, e nesse caso geralmente um pouco maior que a concorrência.

Papelaria Universitária - http://www.pu.com.br/novosite/
Como o próprio nome já sugere, o foco principal são os universitários. Se você faz Arquitetura, Design, Artes e afins, é bem provável que você encontre tudo o que precisa para suas aulas por aqui. Já comprei aqui ao vivo, on-line - e a qualidade se mantém.

  • Vantagens: se você está procurando por papéis avulsos, blocos mais baratos; esse é o lugar.
  • Desvantagens: não espere encontrar materiais muito além do escopo universitário/estudante.

Fruto de Arte - http://www.frutodearte.com.br/
Diferente do que acontece nas duas lojas anteriores, aqui você encontra on-line tudo o que você encontraria na loja física. Tanto que quando os vendedores da loja não sabem o preço de alguma coisa, eles checam no site. Nunca comprei on-line aqui, apenas na loja - e mesmo assim, de vez em quando, nos casos em que eu sabia exatamente o que estava procurando. Isso acontece porque a loja (minha experiência é apenas com a do centro) tem a política do "Posso ajudar?" - então não adianta dizer que você está só olhando: um vendedor vai acompanhá-lo por todos os cantos e se você simplesmente tocar em algo, ele já vai emendar a quantidade de tipos que ele tem daquilo e que outras marcas estão em promoção ou são melhores dependendo do seu uso. Tem abordagem de vendas que funcionam para cada tipo de pessoa - essa certamente não é a que funciona comigo, já que eu gosto de olhar, pensar, ser levada pela compra de impulso, conhecer novos materiais e... Vendedor na minha cola me irrita.

  • Vantagens: bons preços, boa variedade, possibilidade de orçar tudo da loja sem sair de casa.
  • Desvantagens: não é o melhor lugar para passear descompromissadamente em busca de novidades.

O projetista - http://www.oprojetista.com.br/
Existe um fator nostálgico em falar dessa loja: foi a primeira loja especializada que eu tive contato, ainda no 2º Grau, quando eu fazia o Técnico em Edificações. Seu foco é mais técnico (engenharia e arquitetura), mas ela tem uma boa quantidade de itens de desenho e pintura, e por um bom preço (os preços na loja são os mesmos do site).

  • Vantagens: se você pretende comprar pranchetas de desenho, luminárias e itens básicos - esse é o seu lugar.
  • Desvantagens: só se você for visitar a loja física. Ela fica no 8º Andar de uma galeria próxima a República, em uma loja que você deve tocar a campainha para entrar. Depois de todo esse trabalho, dizer que "foi só dar uma olhadinha" é meio constrangedor.

Graffiti Artes - http://www.grafittiartes.com.br/
Essa é a única das lojas brasileiras que eu apenas comprei on-line. O principal motivo: ela fica em Curitiba, então é meio difícil chegar de metrô aqui de casa, rs. Descontando esse detalhe, ela tem uma boa variedade e um bom preço - algumas coisas bem mais em conta do que eu compro aqui em São Paulo. No entanto, nunca tiver coragem de comprar os itens que apresentam maior diferença: papéis A3 - o frete fica muito caro (imagino porque tenha que vir por transportadora) e eu sou muito cricri para arriscar sem saber o estado em que o papel vai chegar.

  • Vantagens: boa variedade, bons preços e rapidez na entrega.
  • Desvantagens: valores do frete para itens de entrega mais delicada - acaba inviabilizando o pedido.


No Exterior:

ArtiFolk (UK) - http://www.artifolk.co.uk/index.htm
Quando você pensa em comprar as coisa mais barato no exterior, provavelmente a sua primeira opção não será o país com a pior taxa de conversão de câmbio em relação ao real (atualmente 01 libra está aproximadamente R$3,30). No entanto, as coisas são vendidas tão caro por aqui, que pagar o preço em Libras ainda compensa na maioria dos itens. Atualmente o que eu mais comprei por lá foram canetas; mais precisamente canetas nanquim e Faber Castell Pitt Artist Pen. Mesmo pagando o frete e pagando em Libras, a economia foi grande: as canetas nanquim sairam por R$ 4,00 cada (o mínimo por aqui seria R$ 8,00) e as Pitt Artist sairam por R$ 6,00 cada (o mínimo por aqui seria R$ 16,00).

  • Vantagens: eles enviam para o mundo todo, e descontam um imposto local quando enviam para outros países - na maioria das compras, o valor do desconto acaba cobrindo o valor do frete. As encomendas chegam por aqui entre duas e três semanas.
  • Desvantagens: eles utilizam o correio inglês apenas para envios de até 2Kg - nesses casos, as entregas chegam sem impostos. Quando os pedidos ultrapassam esse peso, são enviados por empresas de entrega particulares (estilo UPS) que fazem o recolhimento de todos os impostos ao chegarem no Brasil - o que deixa a compra, por baixo, 100% mais cara. Ou seja, é melhor dividir sua compra em pequenos envios do que fazer um pedido grande, de uma vez só.

Esses são os meus lugares preferidos, nos quais eu já deixei um bom dinheiro. Se você conhece outras boas opções - nas quais você já tenha feito compras - me escreva (em comentários ou contato), para que eu possa recomendá-la no futuro... Assim que eu experimentar também.

Existem pelo menos mais umas dez lojas especializadas em artes e de boa reputação aqui em São Paulo que foram deixadas de fora dessa lista - em primeiro lugar, por não fazerem venda on-line e em segundo porque eu nunca comprei nessas lojas, por nenhum motivo especial, mas prefiro não recomendá-las sem ter experimentado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A maldição dos sketchbooks brancos

Um dos temas que eu havia pensado para esse blog era a "maldição dos sketchbooks brancos".

Sou absolutamente viciada em papelarias e todos os seus itens, então não é de se surpreender que os sketchbooks se acumulem aqui em casa. Embora o post anterior possa ter dado a impressão que eu sou viciada em Moleskines, isso não é bem verdade. Tenho "apenas" 10 moleskines sketchbook fechados, 01 watercolor e mais alguns plain e ruled para anotações... E a minha agenda é a Moleskine Peanuts... E mais alguns modelos inclassificáveis - tanto pela edição, quanto pelo que eu pretendo fazer com eles (ainda não sei mesmo).
Vicio mesmo você pode constatar se olhar debaixo da minha prancheta e encontrar a quantidade obscena e impronunciável de Tilibra Academie - e a caixa de sketchbooks da Canson e Hahnemuhle (de diversas encadernações e gramaturas).
É, é um vício mesmo. Principalmente porque eu sou perita em acumulá-los ao invés de utilizá-los. Acabei com 03 sketchbooks nos últimos 05 anos - ou seja, não dá nem 01 sketchbook por ano. E nesse caso, dois deles eu mesma fiz, então não chegou sequer a baixar o estoque. Eu tenho uma assinatura em um ótimo site de ensino de desenho (http://www.drawing-tutorials-online.com/), e lá o professor recomenda aos seus alun0s fazer 01 sketchbook a cada 08 semanas. Se eu fosse seguir essa recomendação, eu certamente teria sketchbooks pelos próximos 07 anos...

E então você se pergunta - assim como pode estar certo que eu também me pergunto - porque diabos você não desenha? 

Tenho considerado muito a resposta para essa pergunta...E como a serendipidade é sempre perfeita, caiu no meu colo esse post do Grant Snider:

Sketchbooks of the Pros - Grant Snider
Para mim, o último quadrinho acerta o estomago em cheio - porque é impossível ser mais verdadeiro. Eu vejo exemplos malditos de sketchbooks com qualidade de obras acabadas, e acabo achando que os meus deveriam ser assim também, afinal, já faz eras que eu estou envolvida nessa coisa de "desenhação".

Cada caderninho vazio é uma promessa que um dia ele também pode ser assim, perfeito. Cada sketchbook utilizado não é - é um lembrete de tosquice, do quanto eu deveria saber ou de como eu deveria estar desenhando e não estou.

Ok, mas o objetivo do sketchbook não é ser rabiscado?

É... É... Mas não precisa ficar se prendendo aos detalhes. Parte de ter montado esse blog é tentar compreender como fazer essa transição da pessoa que escreve 500 palavras sobre o porquê não desenha, para a pessoa que desenha sem precisar escrever muitas palavras para isso. Para finalizar, deixo por aqui as próprias considerações do autor do cartoon acima - sem tradução, para que nada se perca:

"Keeping a sketchbook is essential for the working cartoonist or illustrator. It's a place to draw freely without the fear that someone will see your poor rendering of a bicycle. It's a place to return for reference about what a bicycle (sort of) looks like. It's a place to stow away underdeveloped or misguided ideas, in hopes they'll someday amount to something. It's a place to search madly for usable ideas when faced with a serious creative block. A visual artist who doesn't keep a sketchbook is like an author who can't find the time to read: they may be able to get the work done, but they won't have near as much fun doing it."
GRANT SNIDER


domingo, 2 de setembro de 2012

Moleskines para quem precisa.

Se você já se envolveu tanto como eu nessa vida de projeto de protótipo de desenhista/ilustradora amadora, já ouviu falar de sketchbooks - esses caderninhos que desenhistas, designers e rabiscadores em geral costumam andar por aí, para cima e para baixo, fazendo rascunho e anotando suas impressões - e no mundo dos sketchbooks, Moleskines são os reis.

Você vai encontrar muita gente por aí dizendo que eles não são isso tudo - 50% disso você pode creditar aos hipsters de plantão que banalizaram o uso, e os outros 50% às pessoas que insistem em comprar os moleskines errados para o que pretendem fazer, ou nas lojas erradas por preços absurdos, e depois saem por aí dizendo que eles não são isso tudo. Por conta disso, antes de lhe dar boas opções para comprar Moleskines em conta, vou passar um pequeno guia dos principais tipos de Moleskine.

Moleskine Sketchbook
Se você deseja desenhar e pintar, tenha certeza que está comprando um “Moleskine Sketchbook”. Eles tem uma folha mais grossa, são acid free (não amarelam com o tempo) e tem folhas off-white (uma cor creme bem leve). Eles vêm em dois tamanhos: pocket – algo como 9 x 14cm; e large – tamanho 15 x 21, ou A5 (meia folha A4). Eles também tem duas opções de cores (preto e vermelho) em situações especiais podem vir em modelos comemorativos – como o meu do Woodstock, que está esperando eu ter certeza que o mundo acaba em 21/12 para usá-lo.

Moleskine Watercolor
Outra opção para quem gosta de desenhar são os Moleskines Watercolor – com papel especial para aquarela, e por isso aguentam melhor tintas do que o sketchbook – e se dão bem com pastel também pela textura do papel. Eles vem em tamanho pocket e large, mas não abrem no formato de um caderno/livro normal – a encadernação é horizontal.

Moleskine Plain
Essa é opção escolhida por todo mundo que compra um Moleskine e depois sai dizendo por aí que ele não é isso tudo. Os moleskines plain possuem folha Polen Soft, 75g/m² – ou seja, bem finas, bem leves e com um certo grau de transparência. São ótimos para anotações se você não gosta de pautas, mas deixam muito a desejar quando o assunto é desenho. Por algum motivo que eu desconheço, eles são vendidos nas lojas nacionais um pouco mais barato – embora fora daqui seu preço seja o mesmo de um sketchbook ou um watercolor.

Outros Moleskines
Como não servem ao propósito do site, vou falar bem rapidamente sobre os outros moleskines. Os mais utilizados são o ruled (pautado), Squared (quadriculado) – todos eles utilizam o mesmo tipo de papel do plain, e vem nos tamanhos pocket e large. Existem algumas opções diferentes de encadernação além do capa dura. Por exemplo, o Volant tem uma capa plastificada mole, enquanto os Cahier tem capa de papelão colorido.

E não é só isso! Esses modelos estão longe de cobrir todas as possibilidades de moleskine - para conhecer melhor o que eles oferecem, eu sugiro que você perca algum tempo no site do fabricante - você verá que existem diversas possibilidades: http://www.moleskine.com/web/en/home

Moleskines não são o olho da cara, você que está olhando no lugar errado!
Agora se tem uma coisa que me deixa irritada é gente mal informada que diz que Moleskines são caros - eles não precisam ser caros! Mas se você não gosta de rasgar/queimar dinheiro ou jogar carteiras pela janela; não compre os benditos em lojas como a Livraria Cultura, Fnac ou Saraiva. Os Moleskines mais caros no exterior saem por volta de U$ 20,00 - ou seja, pagar qualquer coisa além de R$ 40,00 por um Moleskine é realmente inaceitável; e nessas lojas se você achar algum por R$ 70,00 já estará recebendo uma "pechincha".

Então como pagar um preço aceitável por esses adoráveis caderninhos? A seguir eu apresento as minhas duas melhores opções - as que permitiram pelo menos que eu montasse a coleção da foto que ilustra esse post.

The book depositoryhttp://www.bookdepository.com/
A melhor opção para comprar Moleskines pelo preço de venda no exterior - embora a loja seja na Inglaterra, ela tem a opção de venda com os preços em dólares* - e você acaba pagando no máximo U$ 16,00 por um Moleskine Sketchbook Large. Antes, tudo o que você precisava era um cartão internacional, mas agora nem isso: desde que o Paypal chegou no Brasil, você pode comprar com essa opção de pagamento, e o próprio Paypal faz a conversão para reais, no seu cartão nacional - a única coisa extra é o IOF, que aumenta cerca de 2% no preço. Não há frete a pagar (a loja on-line tem frete grátis para todo o mundo) e sua encomenda chega em 02 a 03 semanas.

Better World Bookshttp://www.betterworldbooks.com/
A minha segunda opção é a Better World Books. A loja está nos EUA (por tanto seus preços são em dólares*), e a proposta do site é que parte dos valores das vendas são revertidos para instituições ao redor do mundo que incentivam a alfabetização, inclusive no Brasil - ela também não cobra frete mas - diferente da Book Depository, suas encomendas podem demorar cerca de 03 meses para chegar - não me pergunte por que isso acontece, mas é o que acontece quando você compra algo nos EUA x Europa. Mesmo para livros normais, as entregas vindas da Inglaterra costumam bater de longe as entregas normais da Amazon ou Better World, por exemplo. As opções de pagamento são as mesmas da Book Depository: cartão de crédito internacional ou PayPal.

Vou pagar imposto de importação?
Deveria - mas provavelmente não vai, embora eu não possa garantir isso com 100% de certeza. As lojas acima enviam os Moleskines como "Blank Books", e comumente isso é suficiente para a nossa alfândega ignorar a entrega como "livros" - já tive algumas compras abertas e reembaladas na alfândega, mas mesmo assim compreendidas como livros, e portanto sem impostos. Infelizmente, a Amazon por exemplo não compreende dessa forma, e é por isso que ela não envia Moleskines para o Brasil.

*Uma nota para quem sofre do velho caso de "Meu amigo vai ao exterior e vai trazer um Moleskine para mim" - primeiro, tenha certeza que seu amigo vai viajar para os EUA e não para a Europa... Moleskines são quase tabelados: o que você paga U$ 15,00 nos EUA, sai por EU$ 15,00 na Europa e £$ 15 na Inglaterra, ou seja, embora o valor de face continue o mesmo, o resultado final vai ser bem diferente.

Moleskines são a única opção?
Nem de longe! Existem ótimos sketchbooks por preços razoáveis da Canson, Tilibra, Hahnemuhle etc., aqui no Brasil mesmo - em breve eu falarei sobre onde encontrá-los. Nos sites indicados acima você também encontra boas opções de marcas como Watson-Guptill e Sterling. A minha única ideia com este post é que você não faça parte do coro da desinformação - se você não quiser utilizar Moleskines depois de utilizá-los, tudo bem. Mas não deixe a falta de conhecimento e os preconceitos sejam a razão para isso.

sábado, 1 de setembro de 2012

Talento escapa pelas frestas

Hoje é primeiro de Setembro. Nenhum significado especial, sem ser a cara "redonda" de começo de mês: dia perfeito para começar um projeto que vem ocupando espaço na minha cabeça: esse blog.

Mas por que "SketchBlock"?

Sem querer soar como qualquer designer em entrevista de emprego, eu sempre gostei de desenhar - sempre quis trabalhar com isso, desde os primeiros "Disney Clubs" que passavam na Rede Globo aos domingos na década de 1980, com programas antigos em que o próprio Walt Disney revelava os segredos de animação - quantas crianças de 05 anos de idade sabem que Branca de Neve chegou a utilizar sete camadas de acetato em algumas cenas, com diferentes detalhes em cada uma delas... Ou sobre os estudos de dança necessários para que os desenhistas realizassem a maior parte das cenas? Mas apesar do começo "promissor", não fui forte... E é por isso que estamos aqui.

Estamos aqui porque agora eu tenho 32 anos, sou uma empresárias da área de educação a distância, trabalho 10 horas por dia, levo trabalho para casa e mesmo assim insisto em encher a casa com uma coleção de livros de desenho, materiais de desenho e pintura - de folhas e lápis a muitas tintas e materiais - que me permitiria parar de fazer qualquer coisa agora, ficar 10 horas por dia na prancheta desenhando e pintando, e ainda assim, ficar alguns anos sem precisar comprar um lápis ou borracha novos se quer.

Mas antes que você ache que isso é uma sessão de puro consumismo exibido,  a verdade é que eu acho que sonhos, vontades, destinos, talentos - dê o nome que quiser - escapam pelas frestas... Eles tem um jeito todo especial de retornar a superfície e fazer você prestar atenção neles por mais impróprio que seja para o momento.

Por um bom tempo eu fiquei pensando no que fazer com isso. Ao longo dos anos, eu tive períodos intercalados de estudo e abandono de estudo - não tenho um trabalho nem próximo do profissional, e a idade não permite  mais que eu diga que "tenho potencial para a coisa" - e mesmo que tudo isso ainda fosse verdade, não é como se eu pudesse - ou quisesse realmente - abandonar tudo o que faço agora para perseguir uma carreira de ilustradora. Então o que fazer com tudo isso? O que fazer com essa vontade de aprender isso direito, esse jeito, esse pensamento recorrente.

Eu pensava naquelas senhoras que pintam a óleo nos cursos de bairro, pintando flores, fruteiras, cavalos e paisagens do interior e tinha acessos de terror só de pensar em ficar assim. Não pela atividade em si - todo meu respeito pelas pessoas que gostam de pintar esses temas a óleo nessas condições - mas pela sensação de "assassinato de sonho", de vida passada em branco que isso iria me causar.

Então qual é o meio termo? Onde ficam as pessoas que como eu tem outras obrigações 90% do dia e ainda assim sonham com um desempenho profissional, uma expressão artística, mesmo sem saber direito a importância disso em sua vida?

A única resposta que eu pude encontrar é que...

- Foda-se, não há resposta!

Não sei se eu continuo na cola do desenho para realizar um destino, seguir um sonho ou desenvolver um talento... Não sei se o mundo vai ficar melhor por conta disso, se um dia eu vou ficar boa o suficiente para que signifique algo, para ganhar algum dinheiro - ou se eu só vou lavar manchas de nanquim no chuveiro, rs.

Tudo o que eu sei é que eu já vi muita gente ao meu redor com sonhos cor pastel, que sonha demais mas que nada acontece, que passa pela vida com pequenas expectativas e pequenas realizações, muitas frustrações, e um discurso sempre semelhante de que "a vida não é fácil". E eu não quero ser uma dessas pessoas que "poderiam ter feito" se a vida não fosse tão dura com elas.

E é por isso que eu fiz esse blog - para falar dos meus sketchs, para falar dos meus bloqueios, para falar do que eu sei, do que eu não sei, do que estou aprendendo e esperar sinceramente que isso ajude alguém que assim como eu vai ter essas "frestas" na vida... E independente do motivo, terá que fazer algo a respeito delas. Decidi escrever esse blog para dizer ao universo, no melhor estilo hollywoodiano sonhador que eu realmente acredito que nunca é tarde para recomeçar e, independente de onde eu esteja hoje, é sempre possível caminhar para algo melhor - e eu já perdi muito tempo por deixar o tempo passar sem registro.

Devo isso aos filhos que eu ainda não tenho - passar o legado de ser alguém que tem sonhos, acredita neles e age a respeito ao invés de uma pessoa que sonhou, esqueceu, aprendeu a conviver com isso e colocou tudo na conta do "assim é a vida".

Talento, e a vida, sempre escapam pelas frestas.