domingo, 16 de setembro de 2012

Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação.


A divulgação oficial desse blog dependia de três requisitos: criação de uma área completa com meus estudos ao longo dos anos (ok); uma pequena "revisão histórica" das escolas onde eu tentei "formalmente" me especializar (50% ok) e, duas semanas de posts adiantados para que eu não precisasse ficar escrevendo qualquer coisa sem relevância para manter o blog vivo - acho que a partir de 01 de outubro as coisas começam a funcionar assim...
Mas depois disso, e aí?

A contradição.
Até o momento existe uma contradição essencial nesse blog: um espaço sobre desenho, sobre pessoas que assim como eu sempre quiseram desenhar mas que por algum motivo sofrem com a fase necessária para chegar lá: pegar no lápis, sentar a bunda na cadeira e desenhar - independente do resultado que aparecer no papel. Pessoas que assim como eu ficam falando, falando, falando de como gostariam de fazer isso, mas fica aí. Do meu ponto de vista, eu sei o que eu ganho por aqui - até agora, o blog está sendo minha "comissão da verdade" particular, minha forma de reescrever a história, assumir a responsabilidade e mudar a direção.

Mas do ponto de vista dos visitantes... Ainda tenho que me acertar um pouco mais sobre o que significa "relevância". Como, coletivamente, a gente para de falar em desenhos que gostaria de fazer e começa de fato a desenhar? Como a gente coloca isso na agenda, assume como compromisso, rotina, e seja o que Deus quiser?

Voltando ao trabalho ontem…
Sem um nada de comprometimento.
Incerto.
Ainda não sei resolver essa equação. Visito muitos blogs sobre pessoas que atingiram e conquistaram um determinado nível de desenvolvimento em qualquer área da vida e então decidem escrever um blog para tornar o percurso mais fácil para os outros... Não é o caso aqui. Ainda estou dando meus passos, e isso é quase para documentação com um toque de exemplos que você pode até tentar levar para o dia a dia - ou não. Sei que preciso documentação. Preciso ser capaz de dizer: "Ok, meu resultado está assim porque esse foi o tanto de esforço que eu coloquei na coisa...". Hoje em dia ainda não sou capaz de fazer isso - e quando eu vejo, mais um ano se passou.

Por onde ir?
Isso melhora se eu publicar diariamente meus sketchs tortos (e com isso deixar claro também, os dias em que eles simplesmente não acontecem)? Melhora se eu resenhar os meus livros da área, tentar resumir lições importantes e disponibilizar exercícios? Ou faço isso publicando um vídeo da destruição de um Moleskine pela invasão de homens palitos desproporcionais, manchas de café e tintas inapropriadas - só pra acabar com a reverência ao grande sketchbook branco? Ainda estou considerando todas as opções.

domingo, 9 de setembro de 2012

Montando seu arsenal: onde comprar os melhores materiais de desenho e pintura.


Olá! Se você cai por aqui agora por meio de sites de busca, esse artigo tem uma versão atualizada de 2016, mais completa, disponível em: http://www.sketchblock.com.br/2016/11/onde-comprar-materiais-de-desenho-e.html

Como moradora de São Paulo, estou numa posição "privilegiada": 

Consigo acesso fácil a várias de lojas de artigos de desenho e pintura. O que não é garantia de felicidade: de maneira geral, muitos dos itens que vemos em tutoriais estrangeiros, ou ouvimos falar em entrevistas de artistas, por exemplo, nem chegam ao Brasil - e quando chegam, chegam com preços absurdos.

Para facilitar o acesso de quem está longe dos centros de comércio; ou até está perto mas não conhece muitas opções , montei uma relação de lojas de materiais artísticos onde eu já comprei de alguma forma: presencial, on-line, dos dois jeitos... Tanto faz.

Em cada uma delas, procurei destacar uma vantagem que me leva até lá - e uma desvantagem que eu considero na hora de comprar lá novamente. Espero que ajude quem não faz ideia de onde encontrar aquilo que está precisando nessa área - ou esteja em busca  do seu maior desejo de consumo.

Lojas no Brasil

A Casa do Artista - http://www.acasadoartista.com.br/
Ao vivo, de longe a maior e mais completa. Tenho formigações toda vez que entro lá... Tanto que, essa é minha sensação toda vez que eu visito a loja da Major Sertório:


Nunca comprei on-line lá, mas morro de vontade - e por um motivo bem besta: eles enviam as entregas em caixas de papelão customizadas lindas. No site você vai encontrar bastante coisa mas, se puder dar um pulo por lá melhor: nem todo o catálogo está disponível on-line e muita coisa importante está deixada de fora.
  • Vantagens: quase tudo o que você precisa você encontra, e de diversas marcas.
  • Desvantagens: qualidade tem preço, e nesse caso geralmente um pouco maior que a concorrência.

Papelaria Universitária - http://www.pu.com.br/novosite/
Como o próprio nome já sugere, o foco principal são os universitários. Se você faz Arquitetura, Design, Artes e afins, é bem provável que você encontre tudo o que precisa para suas aulas por aqui. Já comprei aqui ao vivo, on-line - e a qualidade se mantém.

  • Vantagens: se você está procurando por papéis avulsos, blocos mais baratos; esse é o lugar.
  • Desvantagens: não espere encontrar materiais muito além do escopo universitário/estudante.

Fruto de Arte - http://www.frutodearte.com.br/
Diferente do que acontece nas duas lojas anteriores, aqui você encontra on-line tudo o que você encontraria na loja física. Tanto que quando os vendedores da loja não sabem o preço de alguma coisa, eles checam no site. Nunca comprei on-line aqui, apenas na loja - e mesmo assim, de vez em quando, nos casos em que eu sabia exatamente o que estava procurando. Isso acontece porque a loja (minha experiência é apenas com a do centro) tem a política do "Posso ajudar?" - então não adianta dizer que você está só olhando: um vendedor vai acompanhá-lo por todos os cantos e se você simplesmente tocar em algo, ele já vai emendar a quantidade de tipos que ele tem daquilo e que outras marcas estão em promoção ou são melhores dependendo do seu uso. Tem abordagem de vendas que funcionam para cada tipo de pessoa - essa certamente não é a que funciona comigo, já que eu gosto de olhar, pensar, ser levada pela compra de impulso, conhecer novos materiais e... Vendedor na minha cola me irrita.

  • Vantagens: bons preços, boa variedade, possibilidade de orçar tudo da loja sem sair de casa.
  • Desvantagens: não é o melhor lugar para passear descompromissadamente em busca de novidades.

O projetista - http://www.oprojetista.com.br/
Existe um fator nostálgico em falar dessa loja: foi a primeira loja especializada que eu tive contato, ainda no 2º Grau, quando eu fazia o Técnico em Edificações. Seu foco é mais técnico (engenharia e arquitetura), mas ela tem uma boa quantidade de itens de desenho e pintura, e por um bom preço (os preços na loja são os mesmos do site).

  • Vantagens: se você pretende comprar pranchetas de desenho, luminárias e itens básicos - esse é o seu lugar.
  • Desvantagens: só se você for visitar a loja física. Ela fica no 8º Andar de uma galeria próxima a República, em uma loja que você deve tocar a campainha para entrar. Depois de todo esse trabalho, dizer que "foi só dar uma olhadinha" é meio constrangedor.

Graffiti Artes - http://www.grafittiartes.com.br/
Essa é a única das lojas brasileiras que eu apenas comprei on-line. O principal motivo: ela fica em Curitiba, então é meio difícil chegar de metrô aqui de casa, rs. Descontando esse detalhe, ela tem uma boa variedade e um bom preço - algumas coisas bem mais em conta do que eu compro aqui em São Paulo. No entanto, nunca tiver coragem de comprar os itens que apresentam maior diferença: papéis A3 - o frete fica muito caro (imagino porque tenha que vir por transportadora) e eu sou muito cricri para arriscar sem saber o estado em que o papel vai chegar.

  • Vantagens: boa variedade, bons preços e rapidez na entrega.
  • Desvantagens: valores do frete para itens de entrega mais delicada - acaba inviabilizando o pedido.


No Exterior:

ArtiFolk (UK) - http://www.artifolk.co.uk/index.htm
Quando você pensa em comprar as coisa mais barato no exterior, provavelmente a sua primeira opção não será o país com a pior taxa de conversão de câmbio em relação ao real (atualmente 01 libra está aproximadamente R$3,30). No entanto, as coisas são vendidas tão caro por aqui, que pagar o preço em Libras ainda compensa na maioria dos itens. Atualmente o que eu mais comprei por lá foram canetas; mais precisamente canetas nanquim e Faber Castell Pitt Artist Pen. Mesmo pagando o frete e pagando em Libras, a economia foi grande: as canetas nanquim sairam por R$ 4,00 cada (o mínimo por aqui seria R$ 8,00) e as Pitt Artist sairam por R$ 6,00 cada (o mínimo por aqui seria R$ 16,00).

  • Vantagens: eles enviam para o mundo todo, e descontam um imposto local quando enviam para outros países - na maioria das compras, o valor do desconto acaba cobrindo o valor do frete. As encomendas chegam por aqui entre duas e três semanas.
  • Desvantagens: eles utilizam o correio inglês apenas para envios de até 2Kg - nesses casos, as entregas chegam sem impostos. Quando os pedidos ultrapassam esse peso, são enviados por empresas de entrega particulares (estilo UPS) que fazem o recolhimento de todos os impostos ao chegarem no Brasil - o que deixa a compra, por baixo, 100% mais cara. Ou seja, é melhor dividir sua compra em pequenos envios do que fazer um pedido grande, de uma vez só.

Esses são os meus lugares preferidos, nos quais eu já deixei um bom dinheiro. Se você conhece outras boas opções - nas quais você já tenha feito compras - me escreva (em comentários ou contato), para que eu possa recomendá-la no futuro... Assim que eu experimentar também.

Existem pelo menos mais umas dez lojas especializadas em artes e de boa reputação aqui em São Paulo que foram deixadas de fora dessa lista - em primeiro lugar, por não fazerem venda on-line e em segundo porque eu nunca comprei nessas lojas, por nenhum motivo especial, mas prefiro não recomendá-las sem ter experimentado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A maldição dos sketchbooks brancos

Um dos temas que eu havia pensado para esse blog era a "maldição dos sketchbooks brancos".

Sou absolutamente viciada em papelarias e todos os seus itens, então não é de se surpreender que os sketchbooks se acumulem aqui em casa. Embora o post anterior possa ter dado a impressão que eu sou viciada em Moleskines, isso não é bem verdade. Tenho "apenas" 10 moleskines sketchbook fechados, 01 watercolor e mais alguns plain e ruled para anotações... E a minha agenda é a Moleskine Peanuts... E mais alguns modelos inclassificáveis - tanto pela edição, quanto pelo que eu pretendo fazer com eles (ainda não sei mesmo).
Vicio mesmo você pode constatar se olhar debaixo da minha prancheta e encontrar a quantidade obscena e impronunciável de Tilibra Academie - e a caixa de sketchbooks da Canson e Hahnemuhle (de diversas encadernações e gramaturas).
É, é um vício mesmo. Principalmente porque eu sou perita em acumulá-los ao invés de utilizá-los. Acabei com 03 sketchbooks nos últimos 05 anos - ou seja, não dá nem 01 sketchbook por ano. E nesse caso, dois deles eu mesma fiz, então não chegou sequer a baixar o estoque. Eu tenho uma assinatura em um ótimo site de ensino de desenho (http://www.drawing-tutorials-online.com/), e lá o professor recomenda aos seus alun0s fazer 01 sketchbook a cada 08 semanas. Se eu fosse seguir essa recomendação, eu certamente teria sketchbooks pelos próximos 07 anos...

E então você se pergunta - assim como pode estar certo que eu também me pergunto - porque diabos você não desenha? 

Tenho considerado muito a resposta para essa pergunta...E como a serendipidade é sempre perfeita, caiu no meu colo esse post do Grant Snider:

Sketchbooks of the Pros - Grant Snider
Para mim, o último quadrinho acerta o estomago em cheio - porque é impossível ser mais verdadeiro. Eu vejo exemplos malditos de sketchbooks com qualidade de obras acabadas, e acabo achando que os meus deveriam ser assim também, afinal, já faz eras que eu estou envolvida nessa coisa de "desenhação".

Cada caderninho vazio é uma promessa que um dia ele também pode ser assim, perfeito. Cada sketchbook utilizado não é - é um lembrete de tosquice, do quanto eu deveria saber ou de como eu deveria estar desenhando e não estou.

Ok, mas o objetivo do sketchbook não é ser rabiscado?

É... É... Mas não precisa ficar se prendendo aos detalhes. Parte de ter montado esse blog é tentar compreender como fazer essa transição da pessoa que escreve 500 palavras sobre o porquê não desenha, para a pessoa que desenha sem precisar escrever muitas palavras para isso. Para finalizar, deixo por aqui as próprias considerações do autor do cartoon acima - sem tradução, para que nada se perca:

"Keeping a sketchbook is essential for the working cartoonist or illustrator. It's a place to draw freely without the fear that someone will see your poor rendering of a bicycle. It's a place to return for reference about what a bicycle (sort of) looks like. It's a place to stow away underdeveloped or misguided ideas, in hopes they'll someday amount to something. It's a place to search madly for usable ideas when faced with a serious creative block. A visual artist who doesn't keep a sketchbook is like an author who can't find the time to read: they may be able to get the work done, but they won't have near as much fun doing it."
GRANT SNIDER


domingo, 2 de setembro de 2012

Moleskines para quem precisa.

Se você já se envolveu tanto como eu nessa vida de projeto de protótipo de desenhista/ilustradora amadora, já ouviu falar de sketchbooks - esses caderninhos que desenhistas, designers e rabiscadores em geral costumam andar por aí, para cima e para baixo, fazendo rascunho e anotando suas impressões - e no mundo dos sketchbooks, Moleskines são os reis.

Você vai encontrar muita gente por aí dizendo que eles não são isso tudo - 50% disso você pode creditar aos hipsters de plantão que banalizaram o uso, e os outros 50% às pessoas que insistem em comprar os moleskines errados para o que pretendem fazer, ou nas lojas erradas por preços absurdos, e depois saem por aí dizendo que eles não são isso tudo. Por conta disso, antes de lhe dar boas opções para comprar Moleskines em conta, vou passar um pequeno guia dos principais tipos de Moleskine.

Moleskine Sketchbook
Se você deseja desenhar e pintar, tenha certeza que está comprando um “Moleskine Sketchbook”. Eles tem uma folha mais grossa, são acid free (não amarelam com o tempo) e tem folhas off-white (uma cor creme bem leve). Eles vêm em dois tamanhos: pocket – algo como 9 x 14cm; e large – tamanho 15 x 21, ou A5 (meia folha A4). Eles também tem duas opções de cores (preto e vermelho) em situações especiais podem vir em modelos comemorativos – como o meu do Woodstock, que está esperando eu ter certeza que o mundo acaba em 21/12 para usá-lo.

Moleskine Watercolor
Outra opção para quem gosta de desenhar são os Moleskines Watercolor – com papel especial para aquarela, e por isso aguentam melhor tintas do que o sketchbook – e se dão bem com pastel também pela textura do papel. Eles vem em tamanho pocket e large, mas não abrem no formato de um caderno/livro normal – a encadernação é horizontal.

Moleskine Plain
Essa é opção escolhida por todo mundo que compra um Moleskine e depois sai dizendo por aí que ele não é isso tudo. Os moleskines plain possuem folha Polen Soft, 75g/m² – ou seja, bem finas, bem leves e com um certo grau de transparência. São ótimos para anotações se você não gosta de pautas, mas deixam muito a desejar quando o assunto é desenho. Por algum motivo que eu desconheço, eles são vendidos nas lojas nacionais um pouco mais barato – embora fora daqui seu preço seja o mesmo de um sketchbook ou um watercolor.

Outros Moleskines
Como não servem ao propósito do site, vou falar bem rapidamente sobre os outros moleskines. Os mais utilizados são o ruled (pautado), Squared (quadriculado) – todos eles utilizam o mesmo tipo de papel do plain, e vem nos tamanhos pocket e large. Existem algumas opções diferentes de encadernação além do capa dura. Por exemplo, o Volant tem uma capa plastificada mole, enquanto os Cahier tem capa de papelão colorido.

E não é só isso! Esses modelos estão longe de cobrir todas as possibilidades de moleskine - para conhecer melhor o que eles oferecem, eu sugiro que você perca algum tempo no site do fabricante - você verá que existem diversas possibilidades: http://www.moleskine.com/web/en/home

Moleskines não são o olho da cara, você que está olhando no lugar errado!
Agora se tem uma coisa que me deixa irritada é gente mal informada que diz que Moleskines são caros - eles não precisam ser caros! Mas se você não gosta de rasgar/queimar dinheiro ou jogar carteiras pela janela; não compre os benditos em lojas como a Livraria Cultura, Fnac ou Saraiva. Os Moleskines mais caros no exterior saem por volta de U$ 20,00 - ou seja, pagar qualquer coisa além de R$ 40,00 por um Moleskine é realmente inaceitável; e nessas lojas se você achar algum por R$ 70,00 já estará recebendo uma "pechincha".

Então como pagar um preço aceitável por esses adoráveis caderninhos? A seguir eu apresento as minhas duas melhores opções - as que permitiram pelo menos que eu montasse a coleção da foto que ilustra esse post.

The book depositoryhttp://www.bookdepository.com/
A melhor opção para comprar Moleskines pelo preço de venda no exterior - embora a loja seja na Inglaterra, ela tem a opção de venda com os preços em dólares* - e você acaba pagando no máximo U$ 16,00 por um Moleskine Sketchbook Large. Antes, tudo o que você precisava era um cartão internacional, mas agora nem isso: desde que o Paypal chegou no Brasil, você pode comprar com essa opção de pagamento, e o próprio Paypal faz a conversão para reais, no seu cartão nacional - a única coisa extra é o IOF, que aumenta cerca de 2% no preço. Não há frete a pagar (a loja on-line tem frete grátis para todo o mundo) e sua encomenda chega em 02 a 03 semanas.

Better World Bookshttp://www.betterworldbooks.com/
A minha segunda opção é a Better World Books. A loja está nos EUA (por tanto seus preços são em dólares*), e a proposta do site é que parte dos valores das vendas são revertidos para instituições ao redor do mundo que incentivam a alfabetização, inclusive no Brasil - ela também não cobra frete mas - diferente da Book Depository, suas encomendas podem demorar cerca de 03 meses para chegar - não me pergunte por que isso acontece, mas é o que acontece quando você compra algo nos EUA x Europa. Mesmo para livros normais, as entregas vindas da Inglaterra costumam bater de longe as entregas normais da Amazon ou Better World, por exemplo. As opções de pagamento são as mesmas da Book Depository: cartão de crédito internacional ou PayPal.

Vou pagar imposto de importação?
Deveria - mas provavelmente não vai, embora eu não possa garantir isso com 100% de certeza. As lojas acima enviam os Moleskines como "Blank Books", e comumente isso é suficiente para a nossa alfândega ignorar a entrega como "livros" - já tive algumas compras abertas e reembaladas na alfândega, mas mesmo assim compreendidas como livros, e portanto sem impostos. Infelizmente, a Amazon por exemplo não compreende dessa forma, e é por isso que ela não envia Moleskines para o Brasil.

*Uma nota para quem sofre do velho caso de "Meu amigo vai ao exterior e vai trazer um Moleskine para mim" - primeiro, tenha certeza que seu amigo vai viajar para os EUA e não para a Europa... Moleskines são quase tabelados: o que você paga U$ 15,00 nos EUA, sai por EU$ 15,00 na Europa e £$ 15 na Inglaterra, ou seja, embora o valor de face continue o mesmo, o resultado final vai ser bem diferente.

Moleskines são a única opção?
Nem de longe! Existem ótimos sketchbooks por preços razoáveis da Canson, Tilibra, Hahnemuhle etc., aqui no Brasil mesmo - em breve eu falarei sobre onde encontrá-los. Nos sites indicados acima você também encontra boas opções de marcas como Watson-Guptill e Sterling. A minha única ideia com este post é que você não faça parte do coro da desinformação - se você não quiser utilizar Moleskines depois de utilizá-los, tudo bem. Mas não deixe a falta de conhecimento e os preconceitos sejam a razão para isso.

sábado, 1 de setembro de 2012

Talento escapa pelas frestas

Hoje é primeiro de Setembro. Nenhum significado especial, sem ser a cara "redonda" de começo de mês: dia perfeito para começar um projeto que vem ocupando espaço na minha cabeça: esse blog.

Mas por que "SketchBlock"?

Sem querer soar como qualquer designer em entrevista de emprego, eu sempre gostei de desenhar - sempre quis trabalhar com isso, desde os primeiros "Disney Clubs" que passavam na Rede Globo aos domingos na década de 1980, com programas antigos em que o próprio Walt Disney revelava os segredos de animação - quantas crianças de 05 anos de idade sabem que Branca de Neve chegou a utilizar sete camadas de acetato em algumas cenas, com diferentes detalhes em cada uma delas... Ou sobre os estudos de dança necessários para que os desenhistas realizassem a maior parte das cenas? Mas apesar do começo "promissor", não fui forte... E é por isso que estamos aqui.

Estamos aqui porque agora eu tenho 32 anos, sou uma empresárias da área de educação a distância, trabalho 10 horas por dia, levo trabalho para casa e mesmo assim insisto em encher a casa com uma coleção de livros de desenho, materiais de desenho e pintura - de folhas e lápis a muitas tintas e materiais - que me permitiria parar de fazer qualquer coisa agora, ficar 10 horas por dia na prancheta desenhando e pintando, e ainda assim, ficar alguns anos sem precisar comprar um lápis ou borracha novos se quer.

Mas antes que você ache que isso é uma sessão de puro consumismo exibido,  a verdade é que eu acho que sonhos, vontades, destinos, talentos - dê o nome que quiser - escapam pelas frestas... Eles tem um jeito todo especial de retornar a superfície e fazer você prestar atenção neles por mais impróprio que seja para o momento.

Por um bom tempo eu fiquei pensando no que fazer com isso. Ao longo dos anos, eu tive períodos intercalados de estudo e abandono de estudo - não tenho um trabalho nem próximo do profissional, e a idade não permite  mais que eu diga que "tenho potencial para a coisa" - e mesmo que tudo isso ainda fosse verdade, não é como se eu pudesse - ou quisesse realmente - abandonar tudo o que faço agora para perseguir uma carreira de ilustradora. Então o que fazer com tudo isso? O que fazer com essa vontade de aprender isso direito, esse jeito, esse pensamento recorrente.

Eu pensava naquelas senhoras que pintam a óleo nos cursos de bairro, pintando flores, fruteiras, cavalos e paisagens do interior e tinha acessos de terror só de pensar em ficar assim. Não pela atividade em si - todo meu respeito pelas pessoas que gostam de pintar esses temas a óleo nessas condições - mas pela sensação de "assassinato de sonho", de vida passada em branco que isso iria me causar.

Então qual é o meio termo? Onde ficam as pessoas que como eu tem outras obrigações 90% do dia e ainda assim sonham com um desempenho profissional, uma expressão artística, mesmo sem saber direito a importância disso em sua vida?

A única resposta que eu pude encontrar é que...

- Foda-se, não há resposta!

Não sei se eu continuo na cola do desenho para realizar um destino, seguir um sonho ou desenvolver um talento... Não sei se o mundo vai ficar melhor por conta disso, se um dia eu vou ficar boa o suficiente para que signifique algo, para ganhar algum dinheiro - ou se eu só vou lavar manchas de nanquim no chuveiro, rs.

Tudo o que eu sei é que eu já vi muita gente ao meu redor com sonhos cor pastel, que sonha demais mas que nada acontece, que passa pela vida com pequenas expectativas e pequenas realizações, muitas frustrações, e um discurso sempre semelhante de que "a vida não é fácil". E eu não quero ser uma dessas pessoas que "poderiam ter feito" se a vida não fosse tão dura com elas.

E é por isso que eu fiz esse blog - para falar dos meus sketchs, para falar dos meus bloqueios, para falar do que eu sei, do que eu não sei, do que estou aprendendo e esperar sinceramente que isso ajude alguém que assim como eu vai ter essas "frestas" na vida... E independente do motivo, terá que fazer algo a respeito delas. Decidi escrever esse blog para dizer ao universo, no melhor estilo hollywoodiano sonhador que eu realmente acredito que nunca é tarde para recomeçar e, independente de onde eu esteja hoje, é sempre possível caminhar para algo melhor - e eu já perdi muito tempo por deixar o tempo passar sem registro.

Devo isso aos filhos que eu ainda não tenho - passar o legado de ser alguém que tem sonhos, acredita neles e age a respeito ao invés de uma pessoa que sonhou, esqueceu, aprendeu a conviver com isso e colocou tudo na conta do "assim é a vida".

Talento, e a vida, sempre escapam pelas frestas.