segunda-feira, 30 de março de 2015

Dez anos, em dez segundos...

Dizem que figurinha repetida não completa álbum... Mesmo assim, eu peço a você que me segue a licença de re-publicar um rabisco que está completando dez anos. Nem tão rabisco, porque esse foi feito em tamanho A3 e um valente grafite integral doou sua vida para conseguir esse fundo. Se ele está assim desfocado, é simplesmente porque na época da digitalização eu estava sem um scanner decente e o trabalho foi fotografado... Com a minha primeira máquina digital HP que tinha a maior resolução da época... Incríveis 3 MEGAPIXELS... Em tecnologia, mais do que em qualquer outra coisa, tudo fica ridiculamente ultrapassado tão rápido...

Nessa última semana, eu estava pesquisando para encontrar exemplos de mães que trabalhassem em casa -- sem empregada, e sem babá. Nada contra quem usa uma ou a outra (ou mesmo as duas). Mas eu queria escrever um artigo para o meu outro blog, no intuito de me convencer e motivar outras mães que... É possível... É possível ter uma criança em casa, produzir de casa, gerar renda de casa, e curtir uma vida mais completa. Eu só precisava de exemplos que me mostrassem o como (a parte na qual eu ainda estou tendo problemas). E nessas, encontrei justo o blog de uma ilustradora... A referência eu nem posso dar porque eu simplesmente achei o trabalho dela MEDONHO... Diria infantil, mas algumas pessoas poderiam dizer que eu não aprecio algo mais simples... Não é o caso. É que eu achei ruim mesmo, péssimo... Mas acho que as mais de 7200 pessoas que curtem a página dela no Facebook não acham. Nem as que deixam depoimentos dizendo que adoram as ilustrações delas. Nem as que movimentam a lojinha dela, na qual ela cobra R$ 320,00 por cada aquarela A4.

Sim, eu sei que arte é gosto. Sim, sei que arte tem que tocar algo dentro de você... E sim, eu vi o vestido apenas em branco e dourado (o que poderia indicar que eu tenho alguns problemas de visão mas...), mas não foi um caso só de opinião. Mostrei o site para amigos que também são designers... Choque. Mostrei para parte leiga da família e... a mesma reação.

Quando você vê algo assim tão fora da curva, tem duas escolhas: assumir que é algo que faz parte do desvio padrão -- uma exceção, não a regra -- ou começar a questionar todos os seus princípios e resoluções. Como a sensatez chegou aqui, pediu instruções e foi embora; é lógico que eu fiquei com a segunda opção... E a grande questão que ficou na minha cabeça foi:

ESTÁ ESPERANDO O QUE MULHER?

Veja... Esse blog se chama "SketchBlock"; uma brincadeira não sei se muito bem sucedida com "bloco/bloqueio". Ele foi todo construído na esperança de mostrar o trajeto de um ponto a outro, da completa inadequação visual até uma certa "felicidade com o resultado" que ainda não chegou... Se ele for bem sucedido, estará morto mas... Começo a me questionar -- antes tarde do que nunca -- o que estou esperando? Será que eu vou cruzar alguma linha por aqui e sentir "Ok, agora eu estou finalmente pronta para alçar voos mais altos"? Não sei... Porque há dez anos quando eu terminei esse desenho aí, eu achei que essa era uma das linhas... E nos últimos dez anos tenho pulado amarelinha para frente e para trás nessa linha. Acho que eu nunca estarei pronta, porque não existe lá... É uma questão de estar aqui, e fazer.

Como a ilustradora das ilustrações feias faz. Como tanta gente como ela, pior do que ela, melhor do que ela faz. Feio, bonito, em evolução, estagnado, como for... Mas fazendo.
Será que isso fez algum sentido para você?

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